Nova bolsa de valores do RJ deve acabar com monopólio de SP

Michelle Trombelli
13:48 09.07.2024
Economia

Nova bolsa de valores do RJ deve acabar com monopólio de SP

Para economista e colunista da Novabrasil, Hugo Daniel Azevedo, processo deve demorar cerca de 2 anos

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- 09.07.2024 - 13:48
Nova bolsa de valores do RJ deve acabar com monopólio de SP
Foto: Divulgação.

O Rio de Janeiro anunciou, na semana passada, a reabertura de sua bolsa de valores. Para entender de que forma essa operação influenciará a economia, a Novabrasil ouviu o economista, professor de finanças e sócio da MFS Capital, Hugo Daniel Azevedo, que também é colunista da rádio mais moderna e mais brasileira, com a coluna “Dinheiro Descomplicado”.

Em 2002, a bolsa do Rio fechou por conta do esvaziamento de negócios que foram transferidos para a Bolsa de São Paulo. “Agora, o motivo desse esvaziamento está ligado ao famoso caso Naji Nahas, pois as empresas decidiram realizar uma transferência de liquidez para São Paulo”, explica o economista.

Após 22 anos, seria este o melhor momento para reabrir a bolsa do Rio? Para o professor, sob a perspectiva do mercado de capitais, dos investidores, dos clientes e das empresas é sempre positivo quando há concorrência com outra bolsa, “pois atualmente vivemos uma espécie de monopólio comandado da B3”, que é a junção da antiga Bovespa (Bolsa de Valores do Estado de São Paulo) com a antiga BM&F, em 2008. Anos mais tarde, em 2017, essas bolsas compraram a Cetip, que é um mercado de balcão (que é um espeço de negociações que opera fora das bolsas tradicionais).

Foto: Divulgação.

No entanto, Azevedo pondera que “o que fica na dúvida é se o mercado de capitais brasileiro tem um tamanho adequado para absorver outra bolsa. Eu e um grupo do mercado entendemos que, mesmo se não houver tamanho, é preciso forçar a entrada dessa bolsa, pois pode ser positivo a médio e a longo prazos”, esclarece.

O economista avalia que as empresas deverão abrir capital nas duas bolsas, mas esse processo deve levar um certo tempo. “Mas, para ser bastante sincero, eu não vejo isso acontecer nos primeiros dois anos de operação”, afirma Azevedo. Ele lembra, ainda, que a nova bolsa pretende iniciar suas atividades somente no segundo semestre de 2025 e que ela ainda precisa obter todas as autorizações regulatórias, tanto das comissões de valores mobiliários, quanto do Banco Central.

Outra perspectiva é da própria cidade do Rio de Janeiro, pois deve levar visibilidade, investimento e geração de empregos. “Eu acho que os olhos de todo mundo voltam a ter uma atenção para o Rio de Janeiro, no sentido do mercado de capitais. Inclusive, houve um esforço do poder público de realizar uma alteração no código tributário do município, colocando uma alíquota especial de ISS para essa iniciativa da bolsa”, completa.

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