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Brasil deverá ter três usinas de dessalinização até 2026
Brasil deverá ter três usinas de dessalinização até 2026
Engenheiro esclarece que a longo prazo há economia financeira, mas alerta que as usinas podem significar o avanço da crise hídrica
O planeta Terra, na verdade deveria se chamar planeta Água. Afinal, ele é composto por 71% de sua superfície pelo elemento vital. Desse total, cerca de 97% formam os oceanos e algo em torno de 3% é composto por água doce, dos rios, lagos, geleiras e reservatórios subterrâneos. No entanto, mesmo diante de tanta água o recurso hídrico é escasso, pois 1% da água doce é de fácil acesso à população mundial. Entre as soluções, dessalinizar a água dos mares tem ganhado força em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil. Recentemente, a Sabesp divulgou que pretende atender parte da população de Ilha Bela, cidade localizada num arquipélago do litoral Norte, com uma usina que irá retirar o sal da água do Atlântico.
O projeto tem previsão para ser entregue em 2026, e poderá fornecer água potável a, aproximadamente, 8 mil habitantes, o que equivale a 25% da população local. Além, é claro, de promover autonomia ao município, garantindo resiliência hídrica. Diante do tema, que é algo muito novo e pouco debatido na sociedade, durante o Jornal Novabrasil, Heródoto Barbeiro conversou com José Carlos Mierzwa, professor do Departamento de Engenharia Hidráulica Ambiental da Escola Politécnica da USP.
O especialista explica que a tecnologia não é nacional, mas já está disponível há muito tempo, inclusive em uso no Brasil. “A indústria passou a usar desde a década de 1990, na área de abastecimento público para tratamento de água. O primeiro caso no Brasil foi em Fernando de Noronha. Hoje, temos também no Ceará, sendo a usina de Fortaleza a maior do Brasil. E agora teremos em Ilha Bela”, ensina o professor.
O projeto da Sabesp ainda não saiu do papel, mas já existe um edital com a licitação para a obra, que estará disponível até o final desse mês (junho/2024) a quem tiver interesse e apresentar propostas. O valor de investimento não deverá ser baixo, mas Mierzwa afirma que outras alternativas, em locais com poucas opções de abastecimento, como é o caso da ilha do Litoral Norte paulista, acabam sendo mais caras.
Embora a tecnologia de dessalinização surpreenda, por ter o poder de retirar o sal e transformar a água em potável, o especialista esclarece que é necessário um estudo completo para encontrar o local ideal para retirar a água do mar, onde a qualidade é melhor. “É necessário localizar o ponto de captação para que o sistema de tratamento seja o mais simples possível, dentro do contexto de dessalinização. Ou capta em poços na Costa, ou faz captação em mar aberto, que deve ser a opção para Ilha Bela”.
Dessalinização pelo mundo
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Um estudo de 2019, realizado por pesquisadores do Instituto para a Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, aponta que existem 16 mil plantas de dessalinização em todo o mundo, espalhadas em 177 países. Ao todo, elas consegue gerar 95 milhões de metros cúbicos de água doce, diariamente. O país que mais utiliza a tecnologia é a Arábia Saudita, seguida pelos Emirados Árabes Unidos.
Embora a tecnologia desperte o interesse das pessoas, um sinal de alerta deve ser aceso. De acordo com José Carlos Mierzwa, os países que mais utilizam esse recurso estão no Oriente Médio, que é um local desértico, “mas a iniciativa tem se tornado comum entre os países que, antigamente, usavam apenas a água doce como recurso natural”, finaliza.


