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Larissa Abbud: “Milho Verde, milho verde, milho verde”
Crônicas de uma Cozinheira, com Larissa Abbud
Chef especializada em comida brasileira
Larissa Abbud: “Milho Verde, milho verde, milho verde”
"Eu nunca valorizei muito o milho, mas hoje vejo como esse cereal foi importante para a formação da minha própria cultura alimentar"; saiba mais
Se alguém me perguntar o que não pode faltar na minha cozinha, eu respondo sem hesitar: manteiga e música! A manteiga tem suas razões obvias, que a meu ver, dispensa explicações.
Já a música, bom, além de alegrar e descontrair o ambiente, é uma ótima companhia e te leva para um estado de transe que só quem passa horas de pé picando legumes e mexendo panelas consegue entender.
Dia desses, enquanto cozinhava sozinha na minha nova cozinha começou a tocar “Milho verde milho verde, ai, milho verde milho verde…” Sim, é uma música inteira dedicada ao milho. Será que ele merece?
Minha avó sempre dizia: “em uma boa dispensa não pode faltar lentilha, ovos e milho.” As lentilhas devem-se a sua origem libanesa. Os ovos eram uma fonte de proteína de fácil acesso, já que eram produzidos diariamente pelas galinhas do quintal.
Já o milho ela dizia ser bom para engrossar a refeição no caso de aparecer uma visita de ultima hora. Nos tempos de infância achava aquela teoria um pouco sem sentido mas hoje entendo que dona Rosa estava mais do que certa!
Nativo da américa central, o milho, assim como a mandioca, ocupa um papel central na vida dos povos indígenas devido ao fácil cultivo e grande poder germinativo. Características essas que também viabilizaram as viagens bandeirantes para os sertões brasileiros, sobretudo pela facilidade em transportar os grãos, sem que eles estragassem.
De acordo com o sociólogo Carlos Alberto Doria, um dos grandes estudiosos da culinária brasileira da atualidade, o milho tem uma forte presença na formação histórica do perfil alimentar do brasileiro. Por ser um ingrediente versátil, o milho pode ser consumido fresco, cozido, assado ou frito.
Isso, sem falar nos seus tantos derivados como a farinha, flocos, óleos vegetais e cereais matinais que estão presentes no nosso dia a dia sem mesmo nos darmos conta do seu consumo.
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Eu nunca valorizei muito o milho, mas hoje vejo como esse cereal foi importante para a formação da minha própria cultura alimentar, seja na travessa de broa quente sob a mesa que me fazia correr para voltar da escola, ou na canjica que me faziam salivar e esperar ansiosa pela época de festa junina.
O milho foi meu fiel companheiro durante as várias etapas da minha vida, seja na forma de espiga durante a infância, o milho em lata tão fundamental para as pastinhas de atum durante a adolescência , a polenta, em sua versão mais gourmet quando comecei a demonstrar meus mais nobre entusiasmo pela gastronomia no início da vida adulta.
Atualmente sou fiel consumidora de milho-doce que é um tipo de milho colhido ainda jovem, mas que aqui em Portugal, meu atual país de residência pode ser encontrado em qualquer supermercado em perfeito estado de conservação: ultra-congelado.
Também não posso me referir ao milho sem falar da Maizena, que engrossou a alimentação de muita criança em forma de mingau e até hoje salva as minhas receitas quando preciso engrossar o caldo, assim como a minha avo me ensinou!
Milho verde, milho verde, pelo tanto que você nos nutre, não há dúvidas que você merece uma música todinha só pra você!
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Crônicas de uma Cozinheira, com Larissa Abbud
Chef de cozinha e empreendedora vivendo há 8 anos em Portugal.



