Envelhecer com autonomia: o desafio urgente que o Brasil não pode mais adiar

BrazilHealth
14:00 21.10.2025
Autor

BrazilHealth

brazilhealth.com
Saúde

Envelhecer com autonomia: o desafio urgente que o Brasil não pode mais adiar

Com o avanço da população idosa, país precisa sair do discurso e investir em políticas públicas que garantam saúde, dignidade e independência para quem está envelhecendo

Avatar Brazil Health
- 21.10.2025 - 14:00
Envelhecer com autonomia: o desafio urgente que o Brasil não pode mais adiar
Foto: Divulgação.

O Brasil está envelhecendo — e rápido. De acordo com o IBGE, 32,1 milhões de brasileiros já têm 60 anos ou mais, o que representa 15,6% da população. Esse número aumentou 56% desde 2010, e as projeções indicam que, até 2070, os idosos representarão 37,8% da população. Isso significa que, em poucas décadas, haverá mais idosos do que jovens no país. Diante desse cenário, a pergunta que se impõe é clara: estamos preparados para garantir qualidade de vida a essa população?

Velhice ainda é vista como problema, não como valor

Para a geriatra Julianne Pessequillo, o Brasil ainda trata o envelhecimento de forma reativa, lidando apenas com as consequências da velhice, e não com sua prevenção. “Envelhecer com autonomia é muito mais do que realizar tarefas básicas sem ajuda. É poder decidir sobre a própria vida, manter-se ativo socialmente, acessar serviços com dignidade e continuar participando da comunidade”, afirma.

Embora a longevidade tenha aumentado, muitos idosos enfrentam barreiras diárias para viver de forma independente. A lista é longa: doenças crônicas, limitações físicas e cognitivas, isolamento social, moradias inadequadas, transporte urbano excludente e serviços de saúde despreparados para atender às especificidades dessa fase da vida.

Falta de políticas públicas amplia a vulnerabilidade

Mesmo com o Estatuto do Idoso em vigor desde 2003, as políticas públicas ainda não acompanham a velocidade do envelhecimento da população. Muitos municípios sequer possuem Conselhos do Idoso ou planos locais de atenção à velhice. “Sem investimentos em infraestrutura, saúde adaptada, centros de convivência e transporte acessível, a autonomia dos idosos fica comprometida”, alerta a médica.

A ausência de cuidado estruturado empurra milhares de idosos para a institucionalização precoce ou a dependência de familiares sobrecarregados. Isso gera um ciclo de vulnerabilidade, onde o envelhecimento se torna sinônimo de exclusão social, hospitalizações recorrentes e perda de dignidade.

Foto: Divulgação.

Autonomia deve ser tratada como direito, não privilégio

Segundo a especialista, é urgente implementar políticas de longo prazo que ultrapassem gestões e disputas políticas. “A atenção primária à saúde precisa ser fortalecida com foco em geriatria e gerontologia. Precisamos de programas de prevenção de quedas, estímulo à atividade física e atenção à saúde mental”, reforça.

Veja também:

Além disso, iniciativas como as chamadas “cidades amigáveis para idosos”, formação de cuidadores, suporte a famílias e inclusão digital dos mais velhos são estratégias essenciais para combater o isolamento e garantir cidadania plena.

“Envelhecer não é adoecer nem perder valor social. O envelhecimento é uma conquista da humanidade — e deveria ser motivo de celebração e planejamento coletivo”, conclui Julianne Pessequillo.

O Brasil ainda tem tempo para mudar o curso dessa história. Mas as decisões precisam ser tomadas agora. Afinal, todos nós estamos envelhecendo — e o futuro de cada um depende das escolhas feitas hoje.

Siga a Novabrasil nas redes

Google News

Tags relacionadas

Brazil Health Envelhecer com autonomia novabrasil saúde
< Notícia Anterior

Nova geração reencontra a MPB como linguagem de pertencimento

21.10.2025 13:59
Nova geração reencontra a MPB como linguagem de pertencimento
Próxima Notícia >

Miúdos & Melodias: "Brincar é coisa séria"

21.10.2025 14:12
Miúdos & Melodias: "Brincar é coisa séria"
colunista

BrazilHealth

Suas redes