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Disco novo e IA: nova fase do ícone do brega, Odair José; saiba mais aqui
Disco novo e IA: nova fase do ícone do brega, Odair José; saiba mais aqui
Ao todo, álbum conta com 13 faixas: 12 composições solo e uma em parceria com a cantora e compositora Bárbara Eugênia

Odair José é, sem dúvida, um dos maiores ícones da música brasileira e da chamada “música brega brasileira”.
O cantor e compositor nascido em Morrinhos, interior do estado de Goiás, surgiu no cenário musical brasileiro na década de 70, e – com seu estilo popular e romântico – lançou mais de 40 álbuns, entre de estúdio, ao vivo, coletâneas e versões em espanhol, e vendeu mais de 80 milhões de discos em seus mais de 50 anos de carreira.
Autor de sucessos como Vou Tirar Você Desse Lugar (1972) e Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula) (1973), o artista de 75 anos está vivendo uma nova fase em sua carreira: de olho no futuro e em uma nova geração de ouvintes, Odair José aposta no auxílio da inteligência artificial em seu mais recente álbum de inéditas, lançado no último mês, pelo selo Monstro Discos: Os Seres Humanos e a Inteligência Artificial.

Acostumado a trazer assuntos sensíveis e polêmicos em suas canções – como a prostituição, a religião e o controle da natalidade – e a fazer o público refletir e questionar o mundo com suas letras, Odair José sempre acreditou que este é o papel do compositor, principalmente do compositor-cronista, como ele o é.
Desta vez não é diferente: para o artista, a nova tecnologia da Inteligência Artificial veio para ficar e não deve ser ignorada pelos músicos e nem vista como uma inimiga da criatividade, mas sim como uma aliada.
Pensando nisso, Odair José escutou a sugestão de seu filho, o produtor e instrumentista Júnior Freitas, e – juntos – eles usaram a IA em várias canções do novo álbum: “Nós gravamos tudo. A princípio, eu fiquei relutante. Há sempre aquela questão da tecnologia substituindo a arte, mas depois percebi que eu não deveria me preocupar com isso e abracei a ideia. Gostei muito do resultado”, diz o artista em entrevista recente à Folha de São Paulo.
E continua: “Não adianta fugir do assunto. A IA está aí e não vai embora. É melhor que a gente discuta como ela pode ser usada do que simplesmente a ignorar.”
Os Seres Humanos e a Inteligência Artificial
Em Os Seres Humanos e a Inteligência Artificial, Odair José trata de temas da humanidade, trazendo questões do nosso tempo, como: o mundo virtual; as novas tecnologias; a solidão dos relacionamentos virtuais; a liberdade sexual; a bipolaridade; o fato repetirmos os mesmos erros e sofrermos um processo de involução como sociedade; e o embate entre sentimentos como o amor, a paixão e o desejo.
Ao todo, o disco conta com 13 faixas: 12 composições solo de Odair José e uma em parceria com a cantora e compositora niteroiense Bárbara Eugênia.
Em outra entrevista recente, ao jornal O Globo, Odair José contou que – no novo trabalho – a Inteligência Artificial tocou bateria, percussão, piano e criou vozes, só não entrou na composição: “Na faixa Seres Humanos, eu poderia até ter usado a minha voz, ou a do meu amigo Zeca Baleiro, que é grossa, mas resolvi usar a da inteligência artificial, para ficar algo diferente. E em O Submisso, ela tocou baixo e piano e ainda programou a bateria eletrônica”, conta o artista.
E ainda escancara: “As pessoas já estão usando inteligência artificial, eu apenas estou assumindo que usei. (…) O ser humano é aquilo que ele esconde. Ele é aquilo que ele fala e aquilo que ele esconde. Ele é aquilo que ele ama e aquilo que ele odeia. E a proposta do disco é a de tocar o ser humano para ele ter mais coragem de fazer as coisas abertamente.”.
Odair ainda analisa que: “Hoje, se você pedir para a Inteligência Artificial fazer uma música igual à de Tom Jobim, ela não faz, porque ainda não chegou lá”. Mas garante que se você pedir para ela fazer uma música mais simples, ela faz sim. “Então quer dizer: ela talvez possa fazer um disco de Odair José.” arrisca.
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Em outra entrevista, ao Diário da Manhã, ele conclui esse raciocínio: “Acho que o compositor e o artista não serão, de certa forma, deixados de lado. Mas a IA vai tomar conta das coisas. Não tem jeito. Você vê no meu trabalho: o que a gente fez? Ela não fez música. Quem compôs foi o Odair José. Mas, se você pedir pra ela fazer uma música estilo Odair José, ela bate perto. Fica parecido, se aproxima.”

O poder da Inteligência Artificial
Nesta mesma entrevista sobre o álbum Os Seres Humanos e a Inteligência Artificial, Odair José declarou: “A Inteligência Artificial fez narrativas comigo, cantou comigo e, se você deixar, faz o disco todo. Foi ela quem masterizou o produto. A inteligência artificial, eu acredito, é possível que tire o emprego de muita gente. Essa regulamentação quem tem que ver são os governos, não é a gente.”.
E o artista foi ainda mais a fundo sobre o tema: “Não só na música, tá? Acho que daqui a pouco até na produção do agronegócio estará a Inteligência Artificial, na medicina, na arte, nos negócios. Em tudo. Acho que já está presente. E a cada dia é uma coisa terrível. Essas empresas de tecnologias estão investindo fortunas nisso. E a inteligência artificial, cada vez que você for fazer as coisas com ela, você percebe o quanto aquilo é prático, o quanto aquilo é inteligente mesmo e o quanto aquilo te facilita a vida.”.
E, sempre atento, Odair José conclui: “Às vezes, a coisa vai indo e muita gente, principalmente um povo mais simples, que eu tenho o dom de atingir, pode não prestar atenção nisso. Apesar de que hoje, o povo simples está mais ligado na tecnologia do que muita gente intelectual. O intelectual, às vezes, repudia. Mas o que acontece? Quero trazer pras pessoas esse olhar, dizer “olha, taí e não deixe passar despercebido, porque não dá”. Esse foi meu foco. Esse foi o conceito que usei pra fazer o disco e falar pras pessoas da inteligência artificial e dos seres humanos. Agora é uma parceria.”.

Próximos projetos: livro e filme
Agora, depois do lançamento do álbum, Odair José participa de dois projetos: um livro e um filme sobre sua carreira. O primeiro, escrito por Leonardo Vinhas e com o nome de O Evangelho Segundo Odair, será lançado em setembro deste ano, pela Editora Barbante.
O livro terá como tema central o polêmico e antológico álbum O Filho de José e Maria, lançado pelo goiano em 1977, que trouxe uma grande mudança na vida do artista: ao questionar os dogmas religiosos, este tornou-se o primeiro LP em sete anos em que Odair José não foi campeão de vendas.
Já o longa, será um documentário com direção de Dandara Ferreira, diretora de Meu Nome É Gal, filme sobre a cantora Gal Costa. Previsto para o ano que vem, o filme já tem nome: Vou Tirar Você Desse Lugar.
Dandara contra que, mesmo sabendo que Odair José não gosta desse título,a ideia é justamente tirar o artista desse lugar do brega e mostrar um ator político de resistência à ditadura, com todo apelo popular.
por Lívia Nolla

