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Inês de Castro: “Não somos prateados”
Inês de Castro: “Não somos prateados”
Enquadrar as pessoas com mais de 60 anos na categoria de geração prateada restringe quem nós somos e a nossa representatividade
Economia prateada, geração prateada, homens e mulheres prateados. Esses termos são mais algumas bobagens criadas por marqueteiros que gostam de encaixotar as pessoas, separar por nichos. No caso, aqui, o nicho é etário.
Quem tem mais de 50 é qualificado como geração prateada por causa do cabelo branco (quem disse que todo velho tem cabelo branco, né? Ou que os mais jovens não têm cabelo branco)
Começa a bobagem daí, nessa tentativa de enquadrar os 50+, os 60+ pela suposta cor do cabelo. E segue tentando definir as nossas necessidades como se elas fossem equivalentes porque temos mais de 50.Claro que não. As nossas necessidades são tããão diversas. E não é só na velhice que isso não faz sentido.
Não faz sentido em nenhuma fase da vida. Será que todas as mulheres entre 30 e 40 anos querem a mesma coisa na vida? Eu tenho amigas nessa fase que querem se casar e outras que não querem compromisso. Tenho amigas entre 30 e 40 anos que só pensam em viajar e outras que estão muito a fim de ficar por aqui e ter um filho.
Finalmente, conheço muitas mulheres entre 30 e 40 anos que estão mudando de carreira porque a primeira escolha que elas fizeram não atendeu às expectativas que tinham. Olha como isso é diverso.E na velhice, na idade madura, é exatamente a mesma coisa.
Aliás, talvez seja a fase da vida em que somos mais distintos uns dos outros porque as trajetórias vividas vão nos distanciando, nos diferenciando. Muitas histórias já foram contadas e experimentadas nas nossas vidas. Sabe aquele termo – muito usado hoje em dia – a capilaridade?
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Pois é exatamente assim: foram tantos caminhos, tantas vielas, tantas escolhas… Cada um de nós, com 50, 60 anos vividos, foi se desenhando a medida em que foi vivendo; não há como igualar, não há como comparar.
Seria espetacular se todos esses que confeccionam produtos e prestam serviços que pretendem ser oferecidos aos 50+ nos vissem sob essa perspectiva. Até porque, nessa fase da vida, temos, sim, uma coisa em comum: ficamos mais seletivos para perceber quem está tentando nos enrolar.

