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História de A Novidade, dos Paralamas com Gilberto Gil
História de A Novidade, dos Paralamas com Gilberto Gil
Hoje, 30 de março, é aniversário de um dos maiores baixistas do Brasil: Bi Ribeiro completa 63 anos. E, para homenagear o aniversariante do dia e seguir homenageando grandes compositores da nossa música popular brasileira, nós damos continuidade à série Saudando Grandes Compositores da MPB, em que contamos a história de grandes clássicos das carreiras … Continued

Hoje, 30 de março, é aniversário de um dos maiores baixistas do Brasil: Bi Ribeiro completa 63 anos.
E, para homenagear o aniversariante do dia e seguir homenageando grandes compositores da nossa música popular brasileira, nós damos continuidade à série Saudando Grandes Compositores da MPB, em que contamos a história de grandes clássicos das carreiras desses artistas.
por Lívia Nolla

Sobre Bi Ribeiro
Nascido Felipe da Nóbrega Ribeiro, no Rio de Janeiro, em 1961, Bi é – desde 1982 – baixista de uma das mais importantes bandas de rock brasileiras de todos os tempos: Os Paralamas do Sucesso.
Ainda criança, Bi Ribeiro tornou-se amigo de Herbert Vianna, quando os dois moravam com suas famílias em Brasília, por conta dos trabalhos de seus pais. Quando voltaram ao Rio de Janeiro, para fazer cursinho pré-vestibular, os amigos – que tinham em comum a paixão pela música – decidiram formar uma banda, com Herbert na guitarra e nos vocais e Bi no baixo.
Logo que entraram na faculdade – Bi de Zootecnia e Herbert de Arquitetura – conheceram João Barone, que cursava Biologia. Não demorou muito para Barone completar a banda, ocupando a bateria. Os três largaram a faculdade e fundaram Os Paralamas do Sucesso.
Desde então, são mais de 20 álbuns e 10 DVDs lançados, além de muitos hits que embalam a nossa história, vários dos quais Bi também participa da composição, como: A Novidade (com Herbert, Barone e Gilberto Gil), Alagados (com Herbert e Barone), Melô do Marinheiro (com Barone) e O Beco (com Herbert).
Para saber mais sobre a banda, acesse o Acervo MPB Especial Paralamas do Sucesso. O podcast faz parte da série de audiobiografias originais da Novabrasil, uma verdadeira enciclopédia da nossa música, e conta tudo sobre a trajetória de Bi Ribeiro dentro dos Paralamas.
Em 2001, Bi também fundou um projeto paralelo aos Paralamas – Reggae B – em que toca os grandes nomes do reggae mundial.
Para celebrar a vida de Bi Ribeiro, hoje vamos contar a história de um dos maiores sucessos compostos pelo baixista: a canção A Novidade.

A história de A Novidade
A canção A Novidade é uma parceria de Bi Ribeiro com Herbert Vianna e Gilberto Gil, e foi lançada pelos Paralamas do Sucesso no álbum Selvagem?, de 1986, em que a banda mergulha em influências do reggae e do dub (mistura de reggae com música eletrônica), porque os integrantes estavam escutando bastante música jamaicana, como Bob Marley e Jimmy Cliff.
Os Paralamas, inclusive, convidaram especificamente o baiano Gilberto Gil para ser parceiro deles nesta faixa – por meio de um convite feito pelo produtor do álbum, o Liminha – porque Gil tinha também um mergulho muito intenso na música jamaicana: já tinha ido gravar no país e composto canções como Vamos Fugir e Barracos.
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Quando a banda entrou em contato com Gil, todas as músicas do álbum já estavam prontas, com letra inclusive, menos esta – que ainda não tinha nome – e para qual Herbert Vianna estava sem inspiração para compor uma letra. Os Paralamas chegaram a cogitar, inclusive, gravá-la só instrumental.
Foi então que decidiram ligar para o Gilberto Gil, que estava fazendo um show em Florianópolis, e mandar a música para que Gil colocasse uma letra à distância mesmo. Herbert mandou – via Sedex – a gravação instrumental da música, que Gil retirou no correio.

O baiano conta em seu livro Todas As Letras, lançado em 2022, com organização de Carlos Rennó e textos de Arnaldo Antunes e José Miguel Wisnik: “Fui pro hotel e botei a fita no gravador. Depois de umas quatro passadas, saí anotando. Eram mais ou menos duas da tarde. Às três horas eu estava ligando pro estúdio já para passar a letra. Foi uma coisa assim: bum! A letra veio como um tiro certeiro, absolutamente de chofre, inteira. E de um modo surpreendente até pra mim, porque, mesmo sem tempo pra qualquer avaliação crítica no dia seguinte, resultou no que eu acho um dos meus melhores textos – pela escolha e pela maneira de tratar o assunto, pela concisão e pela elegância da construção.” .
Gil conta também que a inspiração para a escrita da letra veio de um estímulo visual e outro sonoro: “O quarto do hotel dava para o mar, e eu estava escrevendo na mesinha de frente para a janela, com a visão do mar ao fundo. Daí a ideia da sereia que vinha dar à praia. Algumas sílabas no início do cantarolar do Herbert na fita me insinuaram algo que soava como a palavra ‘novidade’, e eu aproveitei essa sugestão sonora. O restante veio por acaso mesmo.”.
E completa: “O tema da desigualdade sempre fez parte do modo de inserção da minha geração na discussão dos problemas da sociedade; do nosso desejo de expressá-los. Universitário por excelência, o tema é portanto anterior e recorrente em meu trabalho. Está em Roda, em Procissão, em Barracos. Agora, em A Novidade, a imagem da sereia é que dá a partida para o tratamento da questão; a novidade é essa. Pode-se imediatamente pensar no Brasil, mas é sobre o Terceiro Mundo em geral; mais: sobre todo o ‘mundo tão desigual’, mesmo, de que fala o refrão.”
A sereia, neste caso, é usada como metáfora para a desigualdade social, porque é metade peixe (“Um grande rabo de baleia”) – desejada para quem necessita matar a fome – e metade humana (“O busto de uma deusa maia”) – que é apenas contemplada/adorada por quem não precisa matar a fome: Ou seja, um “paradoxo estendido na areia: alguns a desejar seus beijos de deusa, outros a desejar seu rabo pra ceia”.
No documentário que celebra os 30 anos dos Paralamas do Sucesso, os integrantes da banda contam que estavam no estúdio quando receberam a letra de Gil e que – Herbert – ao telefone com o baiano – disse que começou a chorar muito e que entrou instantaneamente no que chamou de uma “CTI emocional”.
O clipe da canção foi gravado em 16 viagens da barca que fazia a travessia Rio-Niterói, mostrando cenas de super lotação, de revolta e do cotidiano do trabalhador brasileiro.
Gostou de saber mais sobre as histórias de grandes canções da nossa música popular brasileira? Continue acompanhando a nossa série Saudando Grandes Compositores da MPB. Hoje, homenageamos o aniversariante Bi Ribeiro.


