História da Música Tocando em Frente, de Almir Sater e Renato Teixeira

Lívia Nolla
15:41 14.11.2023
Música

História da Música Tocando em Frente, de Almir Sater e Renato Teixeira

Hoje é aniversário do cantor, compositor, violeiro e ator sul-mato-grossense Almir Sater. Almir é autor – entre muitas outras canções – ao lado de Renato Teixeira, do sucesso Tocando em Frente, sobre o qual vamos conhecer a história hoje. E, para homenagear o aniversariante do dia e seguir homenageando grandes compositores da … Continued

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- 14.11.2023 - 15:41
História da Música Tocando em Frente, de Almir Sater e Renato Teixeira
Almir Sater e Renato Teixeira | Foto: Eduardo Galeano / Veja SP
por Lívia Nolla

Hoje é aniversário do cantor, compositor, violeiro e ator sul-mato-grossense Almir Sater. Almir é autor – entre muitas outras canções – ao lado de Renato Teixeira, do sucesso Tocando em Frente, sobre o qual vamos conhecer a história hoje.

E, para homenagear o aniversariante do dia e seguir homenageando grandes compositores da nossa música popular brasileira, nós damos continuidade à série Saudando Grandes Compositores da MPB, em que contamos a história de grandes clássicos das carreiras desses artistas.

Almir Sater e Renato Teixeira - Tocando em Frente
Almir Sater e Renato Teixeira | Foto: Eduardo Galeano / Veja SP

Sobre Almir Sater

Almir Sater é um dos ícones da música caipira no Brasil. Grande estudioso da viola, desde pequeno se dedicou ao instrumento, que aprendeu a tocar sozinho.

Gravou seu primeiro álbum em 1981, e seu principal sucesso – sobre o qual vamos contar a história hoje – veio cerca de uma década depois, com a canção Tocando em Frente, parceria com Renato Teixeira, interpretada por Maria Bethânia, em 1990, no disco em que ela comemorava 25 anos de carreira.

Com mais de 40 anos de carreira e 14 discos lançados, o estilo de Almir Sater caracteriza-se pelo experimentalismo. Agrega uma sonoridade tipicamente caipira da viola de 10 cordas, também com influências das culturas fronteiriças do seu estado, como a música paraguaia e andina, ao mesmo tempo refletindo traços populares e eruditos.

Almir também se destacou nas novelas, seja com suas composições ou atuando, como em O Rei do Gado, A História de Ana Raio e Zé Trovão e nas duas versões de Pantanal.

Com os discos AR e +AR, em parceria com Renato Teixeira, ganhou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Regional ou de Raízes Brasileiras e de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa, em 2016 e 2018, respectivamente.

Outros de seus sucessos são:

  • Um Violeiro Toca e Boiada (parcerias com Renato Teixeira)
  • Comitiva Esperança e A Saudade é Uma Estrada Longa (parcerias com Paulo Simões)

E, para homenagear Almir Sater nesta data especial, em que ele completa 67 anos, vamos contar a história de um de seus maiores clássicos: Tocando em Frente, parceria com o cantor e compositor santista Renato Teixeira.

História da música Tocando em Frente (Almir Sater e Renato Teixeira, 1990)

Quase um hino para os brasileiros, a canção Tocando em Frente é uma parceria de Almir Sater com seu constante parceiro de composição, Renato Teixeira.

O engraçado é que – cada um dos autores – tem uma recordação diferente do momento de composição dessa música, mas ambas têm algo em comum.

Versão de Almir Sater

Almir conta que foi almoçar na casa do amigo, e – enquanto o almoço não ficava pronto – pegou o violão do filho de Renato Teixeira emprestado e começou a dedilhar uma melodia e logo saiu a música toda.

Ele diz que – diferente de outras canções que eles tinham em parceria, que demoravam anos para sair – essa saiu quase que instantaneamente, ali, enquanto o almoço era preparado, logo o Renato escreveu também a letra inteira.

Versão de Renato Teixeira

Renato Teixeira conta que ele é quem foi tomar um café na casa de Almir e que – enquanto o amigo passava o café, foi lhe mostrar uma viola que tinha acabado de chegar, feita para ele por encomenda, e começou a dedilhar uma melodia.

Renato então pegou um papel de pão e um toquinho de lápis que estavam em cima da mesa, com a pontuação de um jogo de buraco que Almir Sater e a esposa, Paula, estavam jogando antes dele chegar para visitá-los, e começou a escrever uma letra para aquela música que Almir ia tocando.

Renato diz que a ideia dele para a letra, com a qual já estava na cabeça, era trazer frases de auto motivação, “Daquelas de plaquinha que a gente pendura na parede, sabe?”. Ele conta que se lembrava só de uma que viu na casa de um amigo que era: “Se em algum lugar do coração, terei sempre 20 anos”, mas que não usou essa frase.

No lugar dela, outras frases “de plaquinha, para pendurar na parede” – uma mais bela que a outra – foram surgindo separadamente, e que isso se transformou em uma letra de música:

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco sei ou nada sei

Veja também:

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs

É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega e no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz

De ser feliz

Uma coisa em comum na história dos dois é que, a música saiu tão fácil e rápida – e ficou tão boa – que eles ficaram pensando se aquilo não era plágio, se já não existia uma música assim.

Renato Teixeira conta que eles chamaram a esposa de Almir Sater e mostraram a canção para ela, para ver se ela não achava que era plágio de algo que já tinha escutado antes, e que ela, no meio da música, já estava chorando, muito emocionada de ouvir aquilo pela primeira vez.

Almir conta que eles iam usar essa música para a trilha da novela Pantanal – a primeira versão, de 1990 – na voz de Renato Teixeira. Mas que – quando estavam para gravar – Maria Bethânia ligou para ele e pediu uma música deles para o álbum que comemoraria os seus 25 anos de carreira, naquele ano.

Ele falou que – como estava trabalhando muito, porque também atuou na novela Pantanal – não tinha nada pronto naquele momento, apenas uma música que seria gravada por Renato Teixeira, Tocando em Frente. Bethânia, que queria muito a música, falou que ia ligar para o Renato e perguntar se poderia ser ela a gravar. Cinco minutos depois, tocou o telefone de Almir Sater de novo, e era o parceiro Renato, dizendo: “Dá a música para a Bethânia, óbvio, não discuta. Ela é a Rainha!”.

A música foi um sucesso estrondoso na voz de Bethânia. Entrou para a trilha de Pantanal e para o disco da Abelha Rainha, ganhou os prêmios de Canção do Ano na Categoria Especial e de Melhor Canção na Categoria MPB do Prêmio Sharp, de 1991, e depois foi regravada – tanto pelos dois autores – como por vários outros grandes nomes da MPB.

​​Gostou de saber mais sobre as histórias de grandes canções da nossa música popular brasileira? Continue acompanhando a nossa série Saudando Grandes Compositores da MPB. Hoje, homenageamos o aniversariante Almir Sater.

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