25 sucessos que eternizaram Raul Seixas

Lívia Nolla
00:00 28.06.2026
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Arte e cultura

25 sucessos que eternizaram Raul Seixas

O eterno Maluco Beleza deixou sucessos imortais que marcaram para sempre a sua trajetória. Vamos relembrar as 25 maiores canções de Raul Seixas no dia do seu aniversário.

Avatar Lívia Nolla
- 28.06.2026 - 00:00
25 sucessos que eternizaram Raul Seixas
Raul Seixas | Foto: Divulgação.

O cantor, compositor, multi-instrumentista e produtor baiano Raul Seixas – que completaria 81 anos de vida hoje – foi um dos mais autênticos e geniais artistas que o mundo já conheceu. E deixou eternizados sucessos que marcaram sua trajetória e a de um país inteiro.

Poeta nato, ele foi também um dos pioneiros do rock brasileiro – muitos o consideram o pai do rock no país – e influenciou uma geração de artistas com a sua música, sua irreverência e autenticidade.

Um artista adiante de seu tempo, Raul Seixas lançou 17 discos em 26 anos de carreira e inovou ao misturar o rock’n roll com o baião, trazendo brasilidade ao gênero e introduzindo uma nova vertente musical no Brasil. 

Mais tarde e sempre inovador, Raul utilizou-se das influências também do folk, do country e do blues, além de outros ritmos nordestinos e do rock psicodélico.

Sua obra traz canções com mensagens impactantes, que unem protesto e críticas políticas e sociais – com um tom contestador e muitas vezes irônico – a angústias existenciais, misticismo, metafísica e filosofia, com ideais muito particulares.  

Mesmo muitos anos depois da sua morte, a obra de Raul Seixas continua vivíssima e cultuadíssima, sendo um dos artistas de maior importância da música brasileira, uma lenda nacional. Quem nunca ouviu um “Toca, Raul!” vindo da plateia de qualquer show, em qualquer época?

Hoje, vamos relembrar 25 sucessos que ajudaram a eternizar o Maluco Beleza na nossa história.

O cantor e compositor Raul Seixas | Foto: Reprodução

Raulzito passou por muita coisa antes de virar Raul Seixas

Baiano de Salvador, durante a infância e adolescência, Raul Seixas amava ler e era muito fã de rock’n roll e  também de literatura: seu pai possuía uma grande biblioteca em casa. O menino Raul era curioso e estudioso, mas odiava a escola. Ele dizia que tudo o que ele aprendia era nos livros e nas ruas e que a escola não dizia nada do que ele queria saber.

Raul repetiu cinco vezes a segunda série do ginásio na época, mas – já criança – escrevia e ilustrava livros, que encenava e vendia pro irmão mais novo. Inteligentíssimo, ele criava personagens e enredos com tudo o que aprendia nos livros: um combustível para a sua imaginação e fantasia.

Raul Seixas já era apaixonado por música e passava horas escutando discos de rock’n roll – principalmente Elvis Presley e Little Richard – e também escutava o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, pelas ruas da sua cidade. Mas, a princípio, Raul queria mesmo era ser escritor, como Jorge Amado.

Nos anos 60, ele montou sua primeira banda de rock, “Os Panteras”, que se tornou um sucesso em Salvador, e depois passou a ser conhecida no resto do país, quando começou a acompanhar alguns ídolos da Jovem Guarda– que estavam bombando na época – nos seus shows.

No fim dos anos 60, Raul e a banda aceitaram um convite de Jerry Adriani para ir para o Rio de Janeiro. Em 1968, “Raulzito e Os Panteras” gravaram o seu primeiro e único álbum, que tinha bastante influência dos Beatles, banda inglesa de imenso sucesso.

Raul assina oito das 12 canções do álbum, mas o disco não foi sucesso nem de crítica, nem de público. A banda pensava em qualidade musical, mudança de conceitos, sonhos e agnosticismo, mas – ao mesmo tempo – tinha que se adequar a um mercado fonográfico.

Com isso, Raul e os Panteras passaram por muitas dificuldades no Rio de Janeiro, chegando a passar fome, mesmo tocando como banda de apoio do seu grande e primeiro incentivador, Jerry Adriani, em seus shows pela Jovem Guarda – o que fez com que Raul Seixas ganhasse bastante experiência.

O baiano ficou bem abalado com o não sucesso da banda e voltou para Salvador, onde continuou a ler muito sobre filosofia. Mas, logo conheceu um diretor da CBS Discos – mais uma vez com a ajuda de Jerry Adriani – e foi convidado para voltar ao Rio e trabalhar como produtor musical na gravadora, usando todo o seu conhecimento e talento.

Raul Seixas | Foto: Reprodução

Durante o tempo em que trabalhou como produtor na gravadora, Raul fez muitos amigos, contatos e parceiros. Artistas de peso na época começaram a ser produzidos por ele e muitas composições de Raul Seixas – ainda conhecido como Raulzito – viraram hits nas vozes de outros artistas da CBS Discos.

MasRaul queria mais. E podia mais. Muito mais! No começo dos anos 70, buscando novos caminhos e experimentações, ele gravou discos em parceria com Sérgio Sampaio e também com Leno (da dupla Leno e Lilian), ambos censurados pela ditadura por conta das letras. 

Na parceria com Sérgio Sampaio, Raul já mostrava a união de elementos como o samba, o baião e o choro, misturados às influências do rock de Frank Zappa e do famoso disco “Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles.

Quando foi finalmente lançado, o disco não teve boa aceitação do público e nem da crítica: Raul Seixas ainda era incompreendido em sua genialidade.

Raul Seixas: um revolucionário da música brasileira

Em 1972, Raul – já não mais produtor da gravadora – foi convencido por Sérgio Sampaio a  participar do VII Festival Internacional da Canção com duas músicas: a clássica “Let Me Sing, Let Me Sing” (genial mistura de rock e baião) e “Eu Sou Eu e Nicuri é o Diabo”

Ambas chegaram à final, obtendo sucesso de crítica e de público e fazendo com que Raul fosse contratado – agora como artista – pela gravadora Phillips, alcançando o auge do seu sucesso pouco tempo depois. É com a icônica “Let Me Sing” que nós iniciamos a nossa lista de hoje.

1 – Let Me Sing 

Em 1973, Raul Seixas lançou seu primeiro disco solo, “Krig-Ha, Bandolo!”, que conta com a clássica canção “Ouro de Tolo”, em que relata sobre seu tempo de dificuldades quando chegou ao Rio de Janeiro e que ele diz ter tido inspiração para compor depois de ter passado uma tarde de meditações e visões de um disco voador. Nós já contamos a história dessa música em uma matéria especial aqui em nosso site.

Começava nesta época o interesse do cantor por extraterrestres, que – depois – refletiu-se em muitas de suas obras e em parceria com o escritor Paulo Coelho, que tem início neste primeiro disco.

2 – Ouro de Tolo

Também são deste disco as canções icônicas “Mosca na Sopa”, “Metamorfose Ambulante” – um verdadeiro retrato de quem foi Raul Seixas e uma de suas músicas mais famosas – e “Al Capone” (essa última em parceria com Paulo Coelho). 

3 – Mosca na Sopa

4 – Metamorfose Ambulante

5 – Al Capone

Em 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho lançaram a “Sociedade Alternativa” – movimento espiritual que tinha até sede alugada, papel timbrado e relatórios mensais – e baseava-se nos preceitos do bruxo inglês Aleister Crowley, um membro da “Ordem Hermética da Aurora Dourada”, sociedade secreta surgida na Inglaterra, em 1888, que reunia várias vertentes do esoterismo. 

O influente ocultista (como é conhecido quem tem conhecimento do oculto ou do paranormal) foi responsável pela fundação de uma doutrina ou filosofia, que batizou de “Thelema”.

Basicamente, a ideia de Raul e Paulo era criar uma comunidade “thelêmica” no Brasil, onde a lei seguia os preceitos de “O Livro da Lei”, de Crowley, que diz:“Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei”, como diria também a canção “Sociedade Alternativa”, outro dos maiores sucessos de Raul Seixas.

6 – Sociedade Alternativa

Por conta da “Sociedade Alternativa”, Raul e Coelho tiveram muitos problemas com a censura, que acreditava que suas letras eram subversivas e um movimento revolucionário contra o governo. Os dois foram presos pelo DOPS, torturados e obrigados a se exilar nos Estados Unidos, onde ficaram por pouco tempo, pois o sucesso de “Gita – próximo disco de Raul, que havia sido gravado meses antes – foi tanto, que eles voltaram aclamados ao país.

“Gita”, de 1974, rendeu à Raul Seixas disco de ouro e é considerado seu álbum de maior sucesso. Estão no álbum – todas em parceria com Paulo Coelho -além de “Sociedade Alternativa” e da faixa-título (sobre a qual já contamos a história aqui), a clássica “Medo da Chuva”.

Veja também:

7 – Gita

8 – Medo da Chuva

Em 1975, foi a vez do disco “Novo Aeon”, com a épica balada rock “Tente Outra Vez” e também com o sucesso “A Maçã”, ambas de Raul e Paulo em parceria com Marcelo Motta. Este disco traz menos simbologias e misticismo nas letras, que passam a refletir mais os problemas do cotidiano. 

9 – Tente Outra Vez

10 – A Maçã

Em 1976, Raul lançou o álbum “Há 10 Mil Anos Atrás”, em que volta ao seu misticismo clássico e que – além do grande sucesso “Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás” – conta com outras canções em parceria com Paulo Coelho, parceria que se encerrou a partir desse disco, como “Meu Amigo Pedro” e “Eu Também Vou Reclamar”.

11 – Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás

12 – Meu Amigo Pedro

13 – Eu Também Vou Reclamar

Em 1977, o baiano lançou o clássico disco “O Dia Em Que A Terra Parou”, que – além da faixa título – que é uma canção baseada em um sonho real tido por Raul, conta com a canção que o transformou no eterno “Maluco Beleza”, uma das mais famosas de sua carreira.

14 – O Dia Em Que A Terra Parou

15 – Maluco Beleza

Todas as canções do disco são em parceria com o amigo Cláudio Roberto e falam sobre uma busca e um desejo de emancipação pessoal. A parceria com Cláudio trouxe uma nova simplicidade às canções, que não diminuiu em nada a qualidade estética do trabalho de Raul Seixas

A partir do ano de 1978, Raul começou a sofrer com problemas de saúde, devido ao abuso no uso principalmente de álcool e também de outras drogas, o que lhe causou uma pancreatite aguda e a perda de 1/3 do pâncreas, pouco depois. 

O cantor começou a beber mais e mais, à medida que não concordava com os direcionamentos dados por sua gravadora ao seu trabalho como artista. Ele se incomodava muito com o fato de a vendagem dos seus discos importar muito mais do que a sua estética musical.

Raul Seixas também passou a enfrentar uma depressão, depois que se separou da terceira esposa, Kika. As parceiras de seus dois casamentos anteriores – Vânia e Edith – também tinham mudado-se para os EUA com suas filhas de cada casamento: Simone e Scarlet. Tudo isso somado, o levou a um círculo vicioso de abusos e dificuldades para trabalhar.

Em 1980, após um tempo afastado tratando a pancreatite e também o alcoolismo, o artista lançou o disco “Abre-te Sésamo”, que conta com os clássicos “Rock das Aranha” e “Aluga-se”. Ambas as canções sofreram censura: a primeira por seu conteúdo sexual e a segunda por ser uma forte crítica sobre a relação do governo brasileiro com outros países, principalmente os EUA. 

16 – Rock das Aranha

17 – Aluga-se

Além dessas, está no disco a canção “Ângela”, uma homenagem de Raul à sua companheira da época, Kika Seixas, com quem teve sua terceira filha,Vivian. As três canções também são parcerias com Cláudio Roberto

18 – Ângela

Em 1982, Raul Seixas fez um show bêbado em São Paulo e foi linchado pelo público – que continuava com presença significativa em seus shows, mas não acreditou que era mesmo Raul em cima do palco, achando que se tratava de um impostor, de tão alterado que o artista estava. Sem gravadora e contratos e enfrentando uma forte depressão, Raul Seixas se afundou mais e mais no consumo de bebidas alcoólicas e de drogas.

Mas, em 1983, o cantor recebeu uma dose de ânimo, quando foi convidado para gravar o icônico especial infantil “Plunct, Plact, Zuuum”, da Rede Globo, para o qual compôs a famosa faixa “Carimbador Maluco” e do qual participou também como ator, dando uma boa guinada e recuperada em sua carreira.

19 – Carimbador Maluco

No mesmo ano, lançou o LP “Raul Seixas”, com o qual ganhou disco de ouro e que conta com várias faixas em parceria com Kika Seixas.

O disco representa o início da última fase da carreira de Raul, com a mudança para São Paulo, as dificuldades para manter a carreira, a luta contra a dependência e os problemas de saúde. Conta também com uma tentativa de mudança na autoimagem do artista, que tentava se estabelecer como um representante do “verdadeiro rock”, em oposição ao novo que surgia naquela época, ao mesmo tempo em que buscava desvincular-se da imagem de “profeta” que tanto sucesso tinha trazido na década anterior e também estar mais perto da família.

Em 1984, o baiano lançou o disco “Metrô Linha 743”, que conta com – além da faixa título – a canção “Mamãe Eu Não Queria”, vetada pela censura. Ambas as faixas fazem referências à época em que Raul Seixas foi interrogado, torturado e exilado por conta da ditadura militar, dez anos antes. 

20 – Mamãe Eu Não Queria

O álbum conta também com várias músicas em parceria com Kika, entre elas, a famosa “Geração da Luz”, em que Raul dá seu recado: 

21 – Geração da Luz

Mas, pouco tempo depois – em 1985 – Raul teve as portas das gravadoras fechadas novamente para ele, aumentando o seu consumo excessivo de álcool e as internações para tratar a dependência. Nesta época, ele e Kika também se separaram. 

O artista realizou um último show em 1985 e depois ficou sem pisar em um palco até 1988, quando fez uma parceria com o músico Marcelo Nova, vocalista da banda Camisa de Vênus, e entrou em turnê com o amigo. 

Mesmo longe dos palcos, Raul ainda lançou – em 1985 – o disco independente “Let Me Sing My Rock´n Roll”, organizado por seu fã-clube, Raul Rock Club.

O disco conta com o sucesso “Let Me Sing, Let Me Sing”, parceria de Raul Seixas com Nadine Wisner, além de “Não Pare Na Pista” e “Como Vovó Já Dizia”, antigas parcerias com Paulo Coelho.

22 – Let Me Sing, Let Me Sing

23 – Não Pare Na Pista

24 – Como Vovó Já Dizia

Em 1987, o baiano ainda lançou o álbum “Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!”, título em alusão ao canto de Elvis Presley, que conta com a clássica canção country-rock “Cowboy Fora da Lei” (em parceria com Cláudio Roberto). O álbum fez grande sucesso entre os fãs e ganhou disco de ouro. Sua última esposa, Lena Coutinho, é parceira de Raul em algumas faixas.

25 – Cowboy Fora da Lei

Em 1988, Raul Seixas lançou seu último disco solo, “A Pedra do Gênesis”, que também conta com parcerias com Lena e tem ecos do misticismo que marcou o início de sua carreira. 

Em 1989, Raul se preparava para lançar um disco em parceria com Marcelo Nova: “A Panela do Diabo”, com o qual fez uma turnê de 50 apresentações pelo Brasil, depois de anos sem pisar nos palcos.

Mas, infelizmente, o Maluco Beleza nos deixou um dia antes do lançamento do álbum, aos 44 anos, vítima de uma parada cardíaca causada pela pancreatite aguda da qual sofria em consequência de seus abusos com álcool e drogas. Raul também era diabético e não havia tomado insulina na noite anterior.

Depois de sua morte, Raul Seixas permaneceu entre as paradas de sucesso e continua fazendo imenso sucesso entre as novas gerações, sendo um ícone nacional, uma lenda da nossa música. 

Foram produzidos vários álbuns póstumos, coletâneas, biografias, peças de teatro, filmes, documentários e agora até uma série sobre sua vida e obra. Sua penúltima esposa, Kika Seixas, produziu um livro chamado “O Baú do Raul”, baseado em escritos dos diários de Raul Seixas desde os seis anos de idade até a sua morte.

Siga a Novabrasil nas redes

Google News

Tags relacionadas

#novabrasil arte brasil brasilidade Brasilidades cultura Especiais MPB Música Brasileira música popular brasileira Notas musicais novabrasil Raul Seixas rock brasileiro Rock Nacional sucessos raul seixas Toca Raul
< Notícia Anterior

Treinos intensos sem preparo adequado aumentam o risco de lesões no joelho 

27.06.2026 14:00
Treinos intensos sem preparo adequado aumentam o risco de lesões no joelho 
colunista

Lívia Nolla

Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

Suas redes