Especial: poemas mais memoráveis de Manuel Bandeira

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Manuel Bandeira é conhecido por sua habilidade em capturar a essência da vida cotidiana, explorando temas como a saudade, a morte e a fragilidade da existência. Seus poemas frequentemente refletem um lirismo delicado e uma profunda introspecção.  A seguir, apresentamos uma seleção dos 10 poemas mais memoráveis de sua obra.

Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconsequente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive E como farei ginástica

Este poema é talvez o mais famoso de Bandeira, expressando um desejo de fuga para um lugar idealizado onde as preocupações e tristezas não existem.

Vou-me Embora pra Pasárgada

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Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico: — Diga trinta e três. — Trinta e três… trinta e três… trinta e três… — Respire. — O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. — Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? — Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Neste poema, Bandeira aborda sua luta contra a tuberculose com um tom irônico e reflexivo, utilizando elementos autobiográficos que revelam sua fragilidade.

Pneumotórax

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Andorinha lá fora está dizendo: — “Passei o dia à toa, à toa!” Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste! Passei a vida à toa, à toa…

Um poema que evoca a liberdade e a leveza da andorinha como símbolo de esperança e renovação.

Andorinha

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Enfunando os papos, Saem da penumbra, Aos pulos, os sapos. A luz os deslumbra. Em ronco que aterra, Berra o sapo-boi: — “Meu pai foi à guerra!” — “Não foi!” — “Foi!” — “Não foi!”. O sapo-tanoeiro, Parnasiano aguado, Diz: — “Meu cancioneiro É bem martelado. Vede como primo Em comer os hiatos!

Publicado durante a Semana de Arte Moderna de 1922, este poema é uma crítica ao parnasianismo e à rigidez formal da poesia anterior.

Os Sapos

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Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor. Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção

Neste poema, Bandeira discute sua visão sobre a poesia e o papel do poeta, refletindo sobre a criação artística.

Poética

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A tarde cai, por demais Erma, úmida e silente… A chuva, em gotas glaciais, Chora monotonamente. E enquanto anoitece, vou Lendo, sossegado e só, As cartas que meu avô Escrevia a minha avó. Enternecido sorrio Do fervor desses carinhos: É que os conheci velhinhos, Quando o fogo era já frio. Cartas de antes do noivado… Cartas de amor que começa, Inquieto, maravilhado, E sem saber o que peça.

Uma homenagem à memória familiar, onde o poeta dialoga com as lembranças do passado e os ensinamentos recebidos.

Cartas de Meu Avô

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Assim eu quereria meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Um texto que reflete sobre a morte e o legado deixado pelo poeta, com um tom melancólico e introspectivo.

O Último Poema

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Quando a Indesejada das gentes chegar (Não sei se dura ou caroável), talvez eu tenha medo. Talvez sorria, ou diga: — Alô, iniludível! O meu dia foi bom, pode a noite descer. (A noite com os seus sortilégios.) Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, A mesa posta, Com cada coisa em seu lugar.

Este poema aborda temas da vida cotidiana e da morte com uma sensibilidade única, revelando a relação entre o sagrado e o profano.

Consoada

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Aquele pequenino anel que tu me deste, — Ai de mim — era vidro e logo se quebrou Assim também o eterno amor que prometeste, — Eterno! era bem pouco e cedo se acabou. Frágil penhor que foi do amor que me tiveste, Símbolo da afeição que o tempo aniquilou, — Aquele pequenino anel que tu me deste, — Ai de mim — era vidro e logo se quebrou Não me turbou, porém, o despeito que investe Gritando maldições contra aquilo que amou. De ti conservo no peito a saudade celeste Como também guardei o pó que me ficou Daquele pequenino anel que tu me deste

Uma metáfora sobre as ilusões da vida e as fragilidades humanas, utilizando imagens vívidas para transmitir emoções profundas.

O Anel de Vidro

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Quando eu tinha seis anos Ganhei um porquinho-da-índia. Que dor de coração me dava Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão! Levava ele prá sala Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos Ele não gostava: Queria era estar debaixo do fogão. Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas… — O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

Um poema nostálgico que fala sobre as memórias da infância e as pequenas alegrias que marcam nossas vidas.

Porquinho-da-Índia

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