Nem toda dor melhora com remédio: entender o tipo muda o tratamento

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14:00 17.04.2026
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Nem toda dor melhora com remédio: entender o tipo muda o tratamento

Da pancada no joelho à dor que “queima” ou “choca”, especialistas alertam que há origens diferentes e, por isso, soluções diferentes

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- 17.04.2026 - 14:00
Nem toda dor melhora com remédio: entender o tipo muda o tratamento
Foto: Freepik.

Diante de uma dor, muita gente recorre automaticamente a um analgésico ou anti-inflamatório. Mas essa estratégia nem sempre funciona. Segundo o médico Rafael Pivovar C. Rosa, dores parecidas no incômodo podem ter causas totalmente diferentes e exigem abordagens específicas. Como ele resume no texto: “Nem toda dor é igual”.

Na prática, isso significa que a dor de uma batida no joelho não é a mesma de uma hérnia de disco ou de condições como a fibromialgia. E identificar a origem é um passo decisivo para um tratamento eficaz.

Cada tipo de dor tem um sinal no corpo e uma resposta diferente

O artigo explica que a medicina reconhece tipos distintos de dor, cada um com sua “assinatura” no organismo. Um deles é a dor inflamatória, que aparece quando há lesão nos tecidos, como em artrite ou no pós-operatório. Em geral, é localizada, piora com movimento e melhora com repouso. Nesses casos, tende a responder melhor a tratamentos voltados para o foco da inflamação, incluindo anti-inflamatórios.

Já a dor mecânica costuma estar ligada a sobrecarga, postura ou alinhamento do corpo. É comum em artrose no joelho ou dor nas costas relacionada a hábitos e postura. Como o próprio texto descreve, ela “melhora quando tiramos o peso ou ajustamos o alinhamento do corpo”, e pode responder melhor a fisioterapia e mudanças de rotina do que a medicamentos.

Há ainda a dor neuropática, causada por lesão nos nervos. O paciente pode sentir formigamento, sensação de queimadura ou “choque”, como em quadros de nevralgia ou compressão do nervo ciático. O médico destaca que, nesse caso, “ela não responde aos analgésicos comuns”, e o tratamento costuma envolver medicações específicas que atuam no sistema nervoso.

Por fim, o texto aborda a dor nociplástica, descrita como uma das menos compreendidas. Nela, não aparece uma lesão evidente, mas o sistema nervoso central amplifica os sinais de dor. É o que ocorre na fibromialgia e em parte dos casos de dor crônica generalizada. O autor ressalta que “anti-inflamatórios e até mesmo opioides costumam falhar”, e que o caminho tende a ser multidisciplinar, com exercícios, educação sobre a dor, terapia e, quando necessário, remédios que atuam no sistema nervoso central.

Foto: Freepik.

Tratar “dor” de forma genérica pode prolongar o problema

O artigo alerta para o risco de buscar apenas alívio imediato sem entender a causa. “Tratar ‘dor’ de forma genérica pode trazer alívio momentâneo, mas também pode adiar o diagnóstico correto e piorar o quadro a longo prazo”, afirma o médico.

Ele cita evidências de que, em alguns casos, o uso precoce de anti-inflamatórios em episódios agudos de dor lombar pode, paradoxalmente, aumentar a chance de a dor se tornar crônica. A explicação apresentada é que essas medicações podem interferir no processo natural de resolução da inflamação, mediado por células de defesa.

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Além disso, quando a origem não é identificada, aumenta a chance de tratamentos inadequados. O texto dá exemplos: um paciente com dor neuropática pode passar anos usando anti-inflamatórios sem resultado, acumulando efeitos colaterais e frustração. Outro, com dor nociplástica, pode ser submetido a procedimentos desnecessários, porque “o problema não está no local que dói, mas na forma como o cérebro processa os sinais de dor”.

O que ajuda a acertar no tratamento

A boa notícia, segundo o médico, é que há avanços para diferenciar os tipos de dor, com questionários validados e avaliação clínica. Mas ele destaca que a conversa com o paciente segue sendo central: “A descrição da dor — se é em queimação, latejante, em choque, se piora com movimento ou surge sem motivo aparente — já fornece pistas valiosas.”

No modelo atual, o cuidado não se resume a “receitar um comprimido”. O texto defende a personalização: anti-inflamatórios “com cautela e no momento certo” para dor inflamatória; reabilitação e correção postural para dor mecânica; medicações específicas e, em alguns casos, bloqueios para dor neuropática; e, na dor nociplástica, uma combinação de educação, exercícios e suporte psicológico, com medicamentos quando necessário.

No fim, a orientação é direta: reconhecer que dores diferentes pedem soluções diferentes é o primeiro passo para deixar de lado o “remedinho para dor” e buscar um tratamento que resolva a causa — e não apenas o sintoma.

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