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Demência: diferentes tipos, diagnóstico e como prevenir
Demência: diferentes tipos, diagnóstico e como prevenir
Nesta semana, Milton Nascimento foi diagnosticado com quadro de demência
O estado de saúde do cantor e compositor Milton Nascimento, que enfrenta um quadro de demência, reacendeu a discussão sobre uma condição que é silenciosa, progressiva e cada vez mais frequente no envelhecimento populacional.
Muitas pessoas associam a palavra demência apenas à doença de Alzheimer. No entanto, especialistas alertam que existem outras formas, igualmente graves, que merecem atenção: a demência por corpos de Lewy e a demência vascular.
Tipos de demência
🔹 Doença de Alzheimer – é a forma mais comum, responsável por até 80% dos casos. Cursa com perda de memória progressiva, dificuldades de linguagem e de raciocínio.
🔹 Demência por corpos de Lewy – causada pelo acúmulo da proteína alfa-sinucleína no cérebro. Além da perda cognitiva, provoca sintomas característicos:
• flutuação da atenção e da memória ao longo do dia;
• alucinações visuais vívidas;
• sinais semelhantes ao Parkinson, como rigidez e lentidão;
• distúrbios do sono REM, quando a pessoa encena os sonhos com movimentos bruscos.
É a segunda forma mais comum de demência degenerativa, mas ainda pouco conhecida do público.
🔹 Demência vascular – ocorre quando há lesões nos vasos sanguíneos do cérebro, geralmente provocadas por fatores de risco cardiovascular. Pode se instalar após um AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou em decorrência de múltiplas pequenas lesões silenciosas ao longo do tempo. É uma das mais importantes porque pode ser prevenida.
Demência vascular: um alerta para o coração
A demência vascular chama a atenção por sua relação direta com a saúde cardiovascular. Pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo e arritmias como a fibrilação atrial estão entre os principais fatores de risco.
Segundo a Academia Brasileira de Neurologia (ABN), cuidar desses fatores não previne apenas o infarto e o AVC, mas também reduz de forma significativa o risco de demência.
“Coração e cérebro estão diretamente ligados. O que protege um, protege o outro”, reforçam os especialistas da ABN.
Diagnóstico: como é feito
O diagnóstico da demência é clínico, baseado na história do paciente e em testes cognitivos. Exames de sangue ajudam a excluir causas reversíveis, e a ressonância magnética pode mostrar lesões cerebrais ou sinais de atrofia.
Em casos selecionados, biomarcadores e exames avançados são usados para diferenciar Alzheimer, demência por corpos de Lewy e demência vascular.
É possível prevenir?
Estudos brasileiros mostram que até 60% dos casos de demência poderiam ser evitados com medidas preventivas ao longo da vida.
Veja também:
Um trabalho publicado em 2025 no The Lancet Regional Health – Americas analisou dados de quase 10 mil participantes do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) e aplicou os 14 fatores de risco modificáveis listados pela Comissão Lancet de Demência (2024).
Principais achados do estudo
• Prevenção potencial: 59,5% dos casos de demência poderiam ser evitados se todos os fatores fossem controlados.
• Fatores de maior impacto no Brasil:
• Baixa escolaridade: 9,5% dos casos atribuíveis.
• Perda visual não tratada: 9,2%.
• Depressão na meia-idade: 6,3%.
• O risco prevenível foi semelhante entre regiões e raças, mas mais alto em mulheres (61,1%) do que em homens (58,2%).
Os 14 fatores de risco modificáveis para demência
De acordo com a Comissão Lancet (2024) e o estudo brasileiro, estes são os fatores que, se controlados, poderiam reduzir o risco de demência:
1. Baixa escolaridade
2. Hipertensão arterial
3. Perda auditiva não tratada
4. Tabagismo
5. Obesidade na meia-idade
6. Depressão
7. Sedentarismo
8. Diabetes mellitus
9. Pouco convívio social
10. Consumo excessivo de álcool
11. Traumatismo craniano
12. Poluição do ar
Impacto social e familiar
A demência não afeta apenas quem recebe o diagnóstico. Ela transforma a rotina de famílias inteiras, que muitas vezes precisam se adaptar para oferecer cuidado constante.
No Brasil, esse impacto é ainda maior porque muitos cuidadores são familiares, geralmente mulheres, que acumulam funções e sofrem sobrecarga emocional e física.
O que fica de mensagem
O caso de Milton Nascimento ajuda a iluminar um tema que ainda é cercado de dúvidas e estigmas. A demência não tem cura, mas o diagnóstico precoce e o controle dos fatores de risco podem retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida do paciente e da família.
Investir em prevenção cardiovascular, em educação e em saúde mental é também investir na saúde do cérebro.
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Bruna Henares
Cardiologista pelo Instituto do Coração- InCor ( HC- FMUSP), Cardiologista do Centro de Acompanhamento da Saúde e Check up do Hospital Sírio Libanês, Médica Pesquisadora na Unidade de Lípides do Instituto do Coração- InCor ( HC- FMUSP), MBA Executivo em Gestão de Saúde da FGV ( Fundação Getúlio Vargas) e Doutoranda pela USP.



