O alagoano Djavan – de 73 anos e com mais de 50 anos de carreira – e o carioca mais mineiro que existe, Milton Nascimento – de 79 anos e com mais de 60 anos de carreira – são dois dos maiores e mais importantes nomes da música popular brasileira de todos os tempos e fizeram história com suas brilhantes trajetórias musicais, transformando para sempre a cultura do nosso país.

Amigos de longa data, os dois gigantes da nossa música nunca tinham gravado uma canção juntos. Mas isso mudou no último dia 21 de julho, quando eles lançaram em todas as plataformas digitais o single Beleza Destruída, que fará parte do novo disco de Djavan, D, a ser lançado no dia 11 de agosto, com 12 músicas inéditas e autorais.

Beleza Destruída é uma composição do alagoano, que faz um alerta óbvio e extremamente necessário sobre a relação do homem com a natureza e sobre como as ações dos seres humanos estão destruindo algo de que somos parte integrante.

“O mundo é lindo, mas não é infindo

Temos que cuidar

Pra não ver acabar

Tantos lagos, assim como os rios podem fenecer

Dar lugar, mas a que?

A mata queimando, joga a esperança na mais cruel solidão

Solidão

Chuva demais pra uns

E de menos pros demais

Causando mais sofrer, mais sofrer

Voar, correr, saltar, fugir

Viver pra ver o sol sair

Voar, correr, saltar, fugir

Viver pra ver o sol sair

Ver indígenas e bichos implorando para existir

Faz tão mal, faz tão mal

Mas o homem cego por dinheiro só saber dizer

Dizimar, dizimar

Ver tanta beleza destruída

Encolhendo a própria vida, sim

É o fim

Pra quem hoje o fruto do não conta

Logo vai ter conta pra pagar

Pra viver

Voar, correr, saltar, fugir

Viver pra ver o sol sair”

A gravação foi feita com produção musical e arranjo do próprio Djavan, acompanhado de seu característico violão, e traz Milton dividindo os vocais divinais com o amigo, que disse ter composto Beleza Oculta pensando em Bituca (apelido carinhoso de Milton Nascimento).

Paixão pela natureza e música

O encontro sela duas paixões de Milton e Djavan: pela natureza e pela música. Junto com o single, os artistas lançaram um videoclipe, em que se relacionam ao cantar a canção em um belíssimo jogo de luz e cores.

Depois de décadas de amizade e admiração mútua, Djavan contou que os artistas demoraram tanto para gravarem uma música juntos porque os dois são muito tímidos: “Mas agora a gente tomou juízo”. Sorte a nossa! Djavan contou também que Milton Nascimento é, entre os artistas brasileiros, o mais importante em sua formação, uma influência fortíssima em sua carreira.

A escritora e filósofa Djamila Ribeiro escreveu um potente texto sobre o single:

“Beleza Destruída nos instiga a ver a beleza do mundo e a lutar por ele. Tão acostumados que estamos a comportamentos automáticos, deixamos de apreciar a beleza de um lindo nascer do sol, o som delicioso do mar quando se choca com as pedras, a sincronia de uma queda d’agua. Ficamos anestesiados pela dureza da vida, das desigualdades de ver um Brasil que se distancia cada vez mais do seu povo”.

Em outro trecho, Djamila reflete sobre a importância dos dois artistas para a nossa música: “Djavan e Milton Nascimento conseguiram, ao longo da história, produzir obras primas que nos lembravam de amores profundos e puros, das despedidas da vida, trajetórias doídas, da paixão que acabou. Com eles, choramos a perda, acalentamos a dor, desejamos amar de novo. Mas ambos possuem em suas trajetórias canções que, ao mesmo tempo nos emocionavam profundamente, traziam em si a busca por um novo mundo.”.

Você pode conferir o texto de Djamila Ribeiro na íntegra na página oficial do Djavan.