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Mudanças do clima não são a causa das queimadas no país
Mudanças do clima não são a causa das queimadas no país
A Polícia Federal abriu 32 inquéritos para apurar os incêndios em cadeia no Brasil; em São Paulo, a Defesa Civil afirmou que 99,9% deles foram causados por ações humanas
A Polícia Civil de São Paulo informou a prisão de mais um suspeito de atear fogo no interior do estado. É a sexta desde o início das investigações. Autoridades também já aplicaram multas no valor de R$ 15 mil. De acordo com a Defesa Civil, 99,9% dos incêndios foram causados por ações humanas, ou seja, têm origem criminosa.
Para a professora de ESG e Mudanças Climáticas da FGV, Marta Camila Carneiro, ainda há no país uma cultura de uso do fogo. Segundo ela, a prática vai na contramão das exigências frente às mudanças do clima e as tragédias que já ocorrem em todo o planeta:
“Num país como o Brasil, que tem potencial de ser a Arábia Saudita no mercado de carbono, e ainda continuamos fazendo queimadas para limpar o solo“, afirmou em entrevista ao Jornal Novabrasil.
Nos últimos dias, vários vídeos circularam nas redes sociais mostrando pessoas ateando fogo, algumas em plantações de cana-de-açúcar.
Ao Jornalismo Novabrasil, o engenheiro agrônomo e produtor rural José Luiz Coelho explicou que houve mudanças na produção da cana-de-açúcar nos últimos 40 anos:
“Hoje, 88% da colheita no Brasil é mecânica, 95% em São Paulo, com cana crua, e são três operadores a cada ciclo de 8 horas, durante dia e noite” afirmou. O país é liderança entre 108 países no cultivo da planta, que veio desde às caravelas no período da colonização.
No Nordeste, segundo José Luiz, cerca de 90% da colheita ainda acontece com uso do fogo. Mas, porque lá as plantações estão em áreas muito íngremes ou com pedras, o que dificulta a operação das máquinas. A região corresponde também a somente 10% da produção nacional da planta.
De volta ao último dia 24 de agosto, o estado de São Paulo teve 1.886 focos de incêndio. O número superou o total registrado em toda a região Amazônica.
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A professora Marta Camilo explica que “a mecanização é um processo que também traz um desgaste no solo”, ao causar a compactação, salinização e redução da percolação da água, quando elas deixam de chagar aos lençóis freáticos.
“Esse ano estamos tendo um período seco imenso. Em Vinhendo, o racionamento de água acontece há três meses. É mais do que irresponsabilidade, é criminoso o que está acontecendo“, apontou.
Durante reunião extraordinária com o presidente Lula na sede do Ibama, no dia 25 de agosto, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva afirmou que já são 31 investigações no âmbito da Polícia Federal para apurar os incêndios orquestrados no país.
A professora afirma que cobrar uma mudança cultural que vise a preservação ambiental frente à degradação “ não é uma questão de extremismo, é uma questão de sobrevivência“.
O aumento da temperatura global é uma realidade. Marta Camila relembrou: “o que as pessoas não estão percebendo é que estamos sofrendo os efeitos das mudanças climáticas inclusive na economia, negócios e na saúde da população“.
O uso do fogo na agropecuária acontece e “é uma visão míope” e “pouco inteligente” para as mudanças que o planeta e as populações estão enfrentando, concluiu Marta.



