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EUA: Kamala Harris ganha apoio dos democratas após saída de Joe Biden
EUA: Kamala Harris ganha apoio dos democratas após saída de Joe Biden
Pesquisas recentes mostram a vice-presidente como potencial candidata para vencer Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas
A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, irá participar, daqui a pouco, às 12h30 (no horário de Brasília), do primeiro evento público após Joe Biden retirar sua candidatura à presidência. Ela deve aparecer junto às equipes do campeonato da Associação Atlética Universitária Nacional (NCAA).
Com a saída de Biden da corrida presidencial, Kamala Harris é o principal nome capaz de vencer o ex-presidente Donald Trump, de acordo com as últimas pesquisas eleitorais. O partido recebeu, neste domingo, o maior valor de doações em quatro anos.
Mas para isso, ela precisa do apoio interno do partido, passar pelas primárias democratas, conquistar a maioria dos delegados e ser nomeada formalmente na Convenção Nacional, marcada para o dia 19 de agosto.
A cientista política Denilde Holzhacker avalia que a Kamala “tem possibilidade de mobilizar os jovens, comunidade negra, mulheres. Ela tem uma forte possibilidade de trazer eleitores que estavam à margem da campanha de Joe Biden”.
Outros fatores também pesam nas eleições norte-americanas. O governo Biden apresentou bons resultados na economia, voltou ao Acordo de Paris e estimulou empresas e cidadãos com auxílio para enfrentar a crise da COVID-19.
Mas, como antecessores democratas, o governo Biden apostou na manutenção da política externa intervencionista com presença em diversas partes do mundo e com forte financiamento de de armas em conflitos na Europa, Oriente Médio, África e Ásia.
Segundo o professor de geopolítica da Facamp, James Onnig, as guerras são um fator influente nas eleições e que pode ser determinante na candidatura de Kamala:
“Na visão estadunidense, e da classe média norte-americana, os EUA têm que se proteger externamente. Nesse sentido, o apoio que estava se dando à Zelensky era um apoio anti Rússia, havia sim uma anuência, um apoio”, pontua.
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Acontece que, com todo o dinheiro enviado para Zelensky, o governo Joe Biden “não conseguiu reverter a guerra e, automaticamente, o cidadão e a cidadã norte-americanos, entendem que isso tem que cessar e nesse ponto Trump ganha muito apoio. O Partido democrata é muito mais intervencionista, enquanto o Partido Republicano é mais protecionista nesse atual estágio da política externa dos Estados Unidos”, acrescentou.
Mesmo assim, fatores internos também podem ditar os rumos da corrida presidencial norte-americana.
“Kamala Harris tende a ser menos belicista e ter uma política diferente com relação à imigração. As diferenças existem, são sutis, mas Kamala Harris agrega discussões mais humanitárias na sua chapa e pode trazer mudanças no debate presidencial”.
Kamala Harris era Procuradora Federal, e segundo Onnig, “punitivista, com uma linha muito estrita de cumprimento da lei e proteção das forças de segurança em detrimentos de outros grupos“, e, mesmo, assim representa a Justiça norte-americana, o que atrai “uma parcela do eleitorado bastante interessada na manutenção das instituições”.
“Nós sabemos muito bem que existe uma facção da ultradireita muito radicalizada junto com Donald Trump, que é anti instituição, que se diz anti stablishment”, pontuou Onnig.



