Novabrasil
91 anos do Voto Feminino no Brasil: 6 mulheres importantes na conquista
91 anos do Voto Feminino no Brasil: 6 mulheres importantes na conquista
O dia de hoje, 24 de fevereiro, é uma data muito importante na nossa história: há exatos 91 anos, as mulheres passam a ter o direito de votar. Relembre as histórias de seis mulheres que fizeram parte dessa conquista e também de mulheres que foram pioneiras quando o assunto é música popular brasileira. 6 mulheres … Continued
O dia de hoje, 24 de fevereiro, é uma data muito importante na nossa história: há exatos 91 anos, as mulheres passam a ter o direito de votar. Relembre as histórias de seis mulheres que fizeram parte dessa conquista e também de mulheres que foram pioneiras quando o assunto é música popular brasileira.
6 mulheres importantes para conquista do Voto Feminino no Brasil
A conquista do Voto Feminino no Brasil foi obtida por meio do movimento sufragista, ligado ao feminismo, que exigia que as mulheres deveriam ter acesso à cidadania e participar da escolha dos representantes e do debate político.
Várias mulheres participaram desse longo processo e dessa conquista do voto feminino no Brasil, como:
1- Josefina Álvares Azevedo
Em 1989, a jornalista Josefina Álvares Azevedo, aproveitando o surgimento da República e de uma nova Constituição, se empenhou em uma campanha pelo sufrágio feminino e escreveu uma série reivindicando o direito da mulher ao voto.
Nela, ela dizia:
“Brilhará, com a fulgente aurora da República Brasileira, a luz deslumbradora da nossa emancipação?”.
Mas, infelizmente – e por conta do machismo predominante na época, que acreditava que as mulheres deviam apenas cuidar dos filhos e dos afazeres domésticos e que sua emancipação apresentava um “perigo para a desagregação da família e da figura da mulher” – ainda não havia chegado a hora.

2- Leolinda Daltro
Em 1910, a professora Leolinda Daltro fundou, junto com outras feministas, o Partido Republicano Feminino, cujo objetivo era a luta pelo sufrágio feminino, promovendo a cooperação entre as mulheres na defesa de causas que fomentassem o progresso do país, lançando – no debate público – o pleito das mulheres pela ampla cidadania.

3- Bertha Lutz
Em 1922, a ativista, bióloga, educadora e diplomata Bertha Lutz – segunda mulher a ser aprovada em um concurso público no país – fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que teve papel fundamental na conquista do sufrágio feminino e na luta pelos direitos políticos da mulher.
Foi a organização feminista com maior inserção nas esferas de poder da época e suas militantes escreveram na imprensa, organizaram congressos, articularam com políticos, lançaram candidaturas, distribuíram panfletos em aviões e representaram o Brasil no exterior.

4- Celina Guimarães
A professora Celina Guimarães foi a primeira eleitora brasileira. Celina requereu sua inclusão no rol de eleitores do município de Mossoró (RN), onde nasceu, em 1927, após a entrada em vigor da Lei Estadual nº 660, de 25 de outubro daquele ano, que tornava o Rio Grande do Norte o primeiro estado a estabelecer a não distinção de sexo para o exercício do voto.
A inscrição eleitoral de Celina repercutiu mundialmente, por se tratar não só da primeira eleitora do Brasil como também da América Latina.

5- Mietta Santiago
Em 1928, a estudante de direito mineira Mietta Santiago, que havia estudado na Europa, retornou ao Brasil e descobriu que o veto ao voto das mulheres contrariava o artigo 70 da Constituição Brasileira de 24 de fevereiro 1891, então em vigor.
Com garantia de sentença judicial (fato inédito no país), proferida em Mandado de Segurança, conquistou o direito de votar. O que de fato fez, votando em si mesma para uma vaga de deputada federal.

6- Alzira Soriano
No mesmo ano, a primeira mulher tomou posse de um cargo político eletivo no Brasil: Alzira Soriano venceu a eleição para a prefeitura de Lages, em Santa Catarina, com 60% dos votos.
Sua gestão ficou conhecida pelo desenvolvimento de obras de infraestrutura, como a construção de estradas e escolas e melhorias no sistema de iluminação pública. O mandato de Alzira, no entanto, não foi longo. Ela foi afastada da prefeitura após a Revolução de 1930, pois não concordava com o movimento que levou Vargas à presidência.

O voto feminino no Brasil foi reconhecido por Getúlio Vargas em 1932 e incorporado à Constituição de 1934, mas era facultativo. Em 1965, tornou-se obrigatório, sendo equiparado ao dos homens.
Mulheres pioneiras na MPB
Falando em mulheres que foram pioneiras e quebraram barreiras, preconceitos e opressões, abrindo as portas para as conquistas de muitas que vieram depois, trouxemos três exemplos dessas mulheres para a nossa música popular brasileira:
1 – Chiquinha Gonzaga

Pioneira, Chiquinha Gonzaga foi uma mulher à frente de seu tempo. Quebrou muitas barreiras e rompeu padrões, tanto na música – abrindo portas (ou alas!) para muitas mulheres, em uma profissão que não era exercida por elas na época; quanto na sociedade.
Lutando pelas liberdades no país, participou da campanha abolicionista e da proclamação da república do Brasil e enfrentou uma cultura opressora, ao romper casamentos e perder a guarda dos filhos por dedicar-se à carreira.
A profissionalização da mulher como musicista era um fato inédito na sociedade da época, ainda mais praquele tipo de música de dança para consumo nos salões. A atividade exigia muito mais que talento, mas também determinação e coragem – qualidades que não faltavam a Chiquinha Gonzaga.
A artista enfrentou todos os preconceitos de uma sociedade patriarcal e escravista para se firmar como pianista, compositora, regente e, por fim, líder de classe em defesa dos direitos autorais, fundando, em 1917, a primeira sociedade protetora e arrecadadora de direitos autorais do país.
2 – Dona Ivone Lara

Pioneira, a cantora, compositora e instrumentista fez história como a primeira mulher a integrar a ala de compositores de uma escola de samba e a assinar um samba-enredo, abrindo caminho para muitas de nós que vieram depois. Por isso, ficou conhecida como Rainha do Samba ou a Grande Dama do Samba.
Com 24 anos, Ivone Lara passa a frequentar a Escola de Samba Prazer da Serrinha, onde conhece seus grandes parceiros musicais e logo começa a compor sambas para a escola.
Acontece que suas composições eram mostradas pros outros sambistas pelo primo Mestre Fuleiro, como se fossem dele, porque o preconceito vigente na época não aceitava que uma mulher fosse sambista.
Ela só foi reconhecida como compositora de seus sambas e passou a integrar, oficialmente, a Ala de Compositores da uma escola de samba muitos anos depois, aos 44 anos, já na Império Serrano, quebrando todas as barreiras impostas pelo machismo, o preconceito e discriminação.
3 – Rita Lee

Rita Lee foi a primeira mulher a falar abertamente sobre a sexualidade e o prazer feminino, sem tabus, de uma forma livre, do ponto de vista da mulher, mostrando que as mulheres também são livres e podem sentir o quanto de prazer elas quiserem.
Até aquele momento, tocar nesse assunto era totalmente incomum, principalmente em letras de música (a maioria das canções ainda eram compostas por homens), e os movimentos feministas estavam começando a reivindicar a liberdade sexual para as mulheres.
A canção que é um marco neste sentido é Mania de Você – de Rita e seu parceiro na música e na vida, Roberto de Carvalho – que entrou para o disco Rita Lee, de 1979. Depois disso a Rita falou sobre esse tema em muitas e muitas das suas canções como Banho de Espuma, Lança Perfume, Eu e Meu Gato, Caso Sério e tantas outras.
Rita Lee também trouxe para as suas letras – pela primeira vez – outros temas que eram considerados tabus femininos, como a menstruação, a TPM, a menopausa, a opressão e a equidade de gênero.
Rita abriu espaço para muitas compositoras que vieram depois falarem abertamente sobre o prazer feminino e a liberdade em suas canções.
Que as mulheres conquistem cada vez mais os espaços que são seus por direito!

