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Simonal vestia azul
Simonal vestia azul
Na data de hoje, há exatos 21 anos, o Brasil se despedia de uma das maiores vozes da nossa música: Wilson Simonal. Sua exímia qualidade vocal e rítmica, seu carisma e presença de palco lhe garantiram um estrondoso sucesso durante as décadas de 60 e 70 e o colocaram entre os maiores nomes da nossa … Continued
Na data de hoje, há exatos 21 anos, o Brasil se despedia de uma das maiores vozes da nossa música: Wilson Simonal.
Sua exímia qualidade vocal e rítmica, seu carisma e presença de palco lhe garantiram um estrondoso sucesso durante as décadas de 60 e 70 e o colocaram entre os maiores nomes da nossa MPB.
O cantor e compositor era um artista completo – um showman – que regia uma plateia de 30 mil pessoas como se fossem parte de seu coro e transformava em hit tudo o que gravava. Foi eleito a quarta maior voz brasileira de todos os tempos, segundo lista da Revista Rolling Stone Brasil de 2012.
A forma magistral como misturou a bossa nova e o samba com a nascente música soul americana, o jazz, a música de protesto e o rock iê-iê-iê que já se fazia por aqui na época, criando um som que era diferente de tudo isso e sem perder a qualidade (que ele próprio definia como algo que se comunicasse melhor com as massas, com bom gosto e popularidade) constituiu-se em um movimento que foi chamado futuramente de Pilantragem.
Entre os maiores sucessos em sua voz estão: Meu Limão, Meu Limoeiro, Sá Marina, País Tropical, Carango, Nem Vem Que Não Tem, Vesti Azul, Mamãe Passou Açúcar em Mim e Tributo a Martin Luther King (que tornou-se um grande hino de combate ao preconceito racial).
Apesar do estrondoso sucesso inicial, Simonal terminou a vida no ostracismo e tentando provar que não tinha nenhuma ligação como informante do DOPS, quando – no auge de sua carreira e em tempos duros de regime militar – envolveu-se com agentes da polícia para tentar dar um susto em seu contador, pelo qual desconfiava que estava sendo roubado. A mídia e a classe artística da época passaram a boicotar Simonal, que não conseguiu – em vida – provar que não tinha envolvimento com os órgãos repressores, que prendiam e torturavam os seus colegas artistas – mas que sim – tinha cometido um erro e pagado pelos crimes a que foi condenado ao ter participação no sequestro e tortura sofridos por seu contador.
Simonal nos deixou – infelizmente – no dia 25 de julho de 2000, aos 62 anos, por complicações provenientes do alcoolismo que passou a enfrentar por cair no esquecimento e ter sua brilhante carreira destruída.
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Mas seu legado continua vivíssimo, tanto em suas canções maravilhosas, como em seus dois talentosos filhos – Simoninha e Max de Castro – que tanto lutaram para provar a inocência do pai e, em 2003, conseguiram que Simonal fosse moralmente reabilitado pela Ordem dos Advogados do Brasil, em julgamento simbólico.
Sua vida virou filme, musical, livro e especial comandando pelos seus filhos – o maravilhoso Baile do Simonal!


