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Retratos Brasileiros: Não deixa o samba morrer
Retratos Brasileiros: Não deixa o samba morrer
Em comemoração ao Dia do Samba (2 de dezembro), o qual falamos mais nessa matéria com direito a playlist especial, o Retratos Brasileiros desse final de semana será sobre esse gênero musical tipicamente brasileiro. Confira abaixo fotos históricas do samba. Uma das maiores manifestações culturais populares do Brasil, o samba é um gênero musical de … Continued

Em comemoração ao Dia do Samba (2 de dezembro), o qual falamos mais nessa matéria com direito a playlist especial, o Retratos Brasileiros desse final de semana será sobre esse gênero musical tipicamente brasileiro. Confira abaixo fotos históricas do samba.
Uma das maiores manifestações culturais populares do Brasil, o samba é um gênero musical de raízes africanas
Uma das maiores manifestações culturais populares do nosso país, patrimônio da nossa história, o samba é um gênero musical de raízes africanas, do qual deriva também um tipo de dança.
Símbolo da identidade nacional brasileira, o samba se originou entre as comunidades afro-brasileiras urbanas do Rio de Janeiro no início do século XX, tendo suas raízes na expressão cultural da África Ocidental e nas tradições folclóricas brasileiras, especialmente aquelas ligadas ao samba rural primitivo dos períodos colonial e imperial.
O Brasil é conhecido internacionalmente pelo samba, que é também ritmo oficial do Carnaval, uma das nossas principais festividades. Tudo o que chamamos de música popular brasileira está colocado em uma grande árvore, cuja raiz é o samba.
O primeiro samba a ser gravado no Brasil
Um marco dentro da história moderna e urbana do samba ocorreu em 1917, no Rio de Janeiro, com a gravação em disco de Pelo Telefone, composição de Donga, considerado o primeiro samba a ser gravado no Brasil, segundo os registros da Biblioteca Nacional.
1- Cartola em sua casa no Morro da Mangueira (1969)

Iniciando a série de fotos históricas do samba, temos Cartola.
Em 1969, a fotógrafa Maureen Bisilliat, inglesa naturalizada brasileira, foi convidada pela revista Quatro Rodas para realizar um ensaio sobre a Estação Primeira de Mangueira. No ensaio, Maureen retratou o Cartola no Morro da Mangueira, em 1969.
Junto com um grupo de amigos sambistas do morro, Cartola criou o Bloco dos Arengueiros, cujo núcleo em 1928 fundou a Estação Primeira de Mangueira. Um dos seus sete fundadores, Cartola também assumiu a função de diretor de harmonia da escola, em que permaneceu até fins da década de 1930.
Cartola foi um dos fundadores da Mangueira
Cartola compôs Chega de Demanda, o primeiro samba escolhido para o desfile e que só seria gravado pelo compositor em 1974, para o disco História das Escolas de Samba: Mangueira.
Os sambas de Cartola começaram a sair do morro e se popularizaram na década de 1930, em vozes ilustres como Araci de Almeida, Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis e Sílvio Caldas.
2- Clementina de Jesus, a grande Rainha do Samba que inspirou Beth Carvalho (data desconhecida)

Seguindo com as fotos históricas do samba. Em 2014, foi homenageada com a Exposição Permanências no Imperator — Centro Cultural João Nogueira. Uma das fotos da exposição era a registrada acima, de Beth junto a Clementina de Jesus, sua maior imspiração para se tornar sambista. Em comentário sobre a foto, Beth disse:
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Decidi ser sambista quando vi Clementina de Jesus no espetáculo Rosa de Ouro, dirigido por Hermínio Belo de Carvalho. Fui assistir 13 vezes. Clementina foi a minha decisão. Quando a Clementina apareceu no palco do “Rosa de Ouro”, eu falei “eu sou isso aí!”. Sabe o que é entender a Clementina?! Não é qualquer um que entende, não! Tanto que eu dedico meu primeiro disco de samba à Clementina e à Elizeth Cardoso.
Clementina de Jesus nasceu em 1901, em um tradicional reduto de jongueiros no sul do Rio de Janeiro, e também era conhecida como Tina ou Quelé. Deixou um grande legado no resgate dos cantos negros tradicionais e na popularização do samba, além de ser vista como um importante elo entre a cultura do Brasil e da África.
A partir da década de 1920 passou a frequentar os círculos carnavalescos: foi diretora da escola de samba Unidos do Riachuelo, participou de atividades da escola Mangueira (foi morar no bairro da Mangueira depois de casar) e acompanhou de perto o surgimento e desenvolvimento da escola Portela, participando ativamente das rodas de samba.
Clementina de Jesus era grande demais para um Brasil tomado pelo racismo estrutural e pela intolerância religiosa
Trabalhou como doméstica e lavadeira por mais de 20 anos, até ser vista cantando na Taberna da Glória pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho – em 1963, já com 62 anos – que a levou para participar do projeto de grande sucesso O Menestrel, apresentando-se com o violonista Turíbio Santos.
Em 1964, Clementina se apresentou no show Rosa de Ouro, ao lado de Aracy Cortes, Elton Medeiros, Paulinho da Viola e Nelson Sargento, com a direção de Hermínio e Kleber Santos, show que consagrou o seu nome e virou dois LPs (1965 e 1967), incluindo, entre outros, o jongo Benguelê, de Pixinguinha e Gastão Viana.
Mas, apesar da imensidão de sua voz e de seu legado para a música negra brasileira, Clementina de Jesus era grande demais para um Brasil tomado pelo racismo estrutural e pela intolerância religiosa. Ela faleceu praticamente no esquecimento, não sem antes influenciar uma gama de artistas brasileiros – que hoje celebram a importância gigantesca de sua presença na nossa cultura e para o nosso povo.
3- Homenagem a Clementina de Jesus, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (1983). A primeira vez que o Theatro foi aberto para o samba.

Outro registro das fotos históricas do samba. Em agosto de 1983, Clementina recebeu do então Secretário de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro, uma grande homenagem, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Foi a primeira vez que o teatro foi aberto para o samba.
O evento contou com a presença de João Nogueira, Beth Carvalho, Paulinho da Viola, Elizete Cardoso, Orquestra Sinfônica Brasileira, Ala das Baianas de várias escolas de samba, Gilberto Gil, Dona Zica, Dona Neuma, mestres-salas e portas-bandeiras, acompanhados pela bateria da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira.


