25 de julho é o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A população negra no Brasil corresponde a maioria, mais precisamente 56%, segundo o IBGE. De acordo com a Associação de Mulheres Afro, na América Latina e no Caribe, 200 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes. Porém, tanto no Brasil quanto fora dele, essa parcela populacional também é a que mais sofre com a pobreza: três em cada quatro são pessoas negras, ainda segundo o IBGE.

Os dados sobre violência e desigualdade, de acordo com o Mapa da Violência, demonstram essa e outras realidades que atingem massivamente a população negra, com destaque à condição da mulher negra.

As mulheres negras estão no topo da cadeia de vulnerabilidade. Quando há uma violência contra a mulher, a vítima é negra em mais da metade dos casos. Os dados reforçam o impacto do machismo e do sexismo em relação às mulheres negras e a aniquilação de seus corpos e suas vidas. De acordo com o mapa da violência, a vitimização entre as mulheres negras no Brasil cresceu 54,2%, enquanto o homicídio das brancas caiu 9,8%.

Os dados mostram que o feminicídio tem cor. As mulheres negras são discriminadas em diversos setores. No mercado de trabalho, estão expostas a condições precárias de emprego, baixa remuneração, diferença desigual de salários, exploração da mão de obra e assédio moral e sexual, em razão da herança cultural racista e escravocrata.

O racismo e o modelo de desenvolvimento social e econômico no Brasil impactam profundamente a vida das mulheres negras. A consequência são mortes de mulheres que poderiam ter sido evitadas: por falta de acesso à assistência de saúde pública e adequada, falta de procedimentos no combate à violência contra a mulher pelo machismo patriarcal, pelas manifestações de discriminação por raça, etnia e/ou nacionalidade, de gênero e/ou orientação sexual, intolerância religiosa, etc.

Primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas

Em 1992, um grupo decidiu que era preciso se organizar de alguma forma para reverter esses dados e que uma solução só poderia surgir da própria união entre mulheres negras.

Assim, elas organizaram o primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas em Santo Domingo, na República Dominicana, onde levaram ao evento, discussões sobre os diversos problemas e alternativas de como resolvê-los. A partir desse encontro, nasceu a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-Caribenhas. A Rede, junto à Organização das Nações Unidas (ONU) lutou para o reconhecimento do dia 25 de julho como o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha.

O 25 de julho não é apenas uma data de celebração, é uma data em que as mulheres negras, indígenas e de comunidades tradicionais refletem e fortalecem as organizações voltadas às mulheres negras e suas diversas lutas. No Brasil, em 2 de junho de 2014, foi instituído por meio da Lei nº 12.987, o dia 25 de julho como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, homenageando uma das principais mulheres, símbolo de resistência e importantíssima liderança na luta contra a escravização.

Tereza de Benguela liderou o Quilombo de Quaritetê, no Mato Grosso, após a morte do seu marido. Tereza instituiu normas para o funcionamento do quilombo e liderou a luta contra os portugueses. Foi assassinada em 1770.

No dia de hoje, em diversos locais do país, acontecem eventos que marcam a data, extremamente importante para celebrar a resistência das mulheres negras e fortalecer a emancipação e autonomia diante das lutas cotidianas contra a opressão de gênero e étnico-racial.

A valorização da identidade negra e da cultura afro-brasileira são fundamentais para dar visibilidade e respeito às mulheres negras, além de considerar os elementos da interseccionalidade como raça, classe e gênero.

No cenário atual, as desigualdades de gênero e raça têm ganhado visibilidade e o combate ao racismo e sexismo tem sido objeto de reivindicação de movimentos sociais comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Neste dia 25 de julho, diversos coletivos e movimentos de mulheres negras lutam juntas por mais direitos, por educação, saúde, assistência social, moradia digna e trabalho decente; pelo fim de todas as formas de violência racista e machista e lgbtfóbica; pelo fim do genocídio da juventude negra e periférica; contra a intolerância religiosa, por respeito e preservação das religiões de matrizes africanas; pelo reconhecimento da titulação de terra das comunidades quilombolas, entre outras coisas.

Em homenagem a este dia, e por sermos uma rádio especializada em música popular brasileira e focada na brasilidade – e pela música popular brasileira ter sido completamente moldada e esculpida pela cultura negra e afro-brasileira – nós preparamos uma playlist especial para que vocês escutem algumas das grandes mulheres negras que fizeram e fazem história na nossa música e na nossa história.

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Fonte: https://www.palmares.gov.br/ e http://blog.mds.gov.br/redesuas/