Guinga, um dos grandes compositores da nossa música, celebra 76 anos com novo trabalho

Fabiane Pereira
12:17 10.06.2026
Música

Guinga, um dos grandes compositores da nossa música, celebra 76 anos com novo trabalho

EP “Catonho” percorre paisagens afetivas do Rio de Janeiro e presta tributo à mãe do artista

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- 10.06.2026 - 12:17
Guinga, um dos grandes compositores da nossa música, celebra 76 anos com novo trabalho
Foto: Novabrasil.

Hoje, dia 10 de junho, é aniversário de um dos violonistas e compositores mais importantes e reverenciados da música brasileira: Guinga. O artista está completando 76 anos de vida e presenteia o público com o lançamento de seu novo trabalho: o EP “Catonho”. OUÇA AQUI. O projeto marca a parceria do violonista com a Vogas Produções, que criou um selo para lançar o aclamado álbum ZABOIO (2021), amplamente elogiado pela crítica no Brasil e no exterior.

Mantendo a estética intimista e a profundidade lírica de seu antecessor, “Catonho” é um mergulho nas memórias afetivas do compositor carioca. O EP apresenta duas canções inéditas, nas quais Guinga assina música e letra, reafirmando sua faceta de cronista do subúrbio e da alma brasileira.

A faixa-título é um autorretrato épico e geográfico. Em “Catonho”, Guinga percorre os subúrbios do Rio de Janeiro, da Ladeira Grapiúna à Praça Seca, de Bangu ao Catonho, transformando ruas, bairros e memórias em poesia. A letra evoca imagens como o “moto perpétuo” e o “Paganini da Piedade”, revelando um artista que é, ao mesmo tempo, o menino que corre por essas ruas e o homem que carrega o peso e a beleza do tempo. A composição pulsa identidade suburbana entre coretos esquecidos e a resistência das escolas de samba Império, Portela e Mocidade.

Para Guinga, a faixa nasce diretamente de sua própria trajetória e relação com a cidade. “Catonho é uma descrição de lugares por onde andei na minha vida e ando até hoje. É sobre existência. Catonho sou eu”, afirma o compositor.

Dedicada à sua mãe, Dona Inalda, “Rua do Pecado” é uma elegia de profunda delicadeza e força emocional. A canção narra o desembarque simbólico de sua progenitora no “céu de Imbassaí”, transformando a saudade em uma paisagem mítica. Guinga descreve a voz materna como uma “ave rara”, unindo o sagrado de uma Ave Maria ao balanço popular do “olerê, olará”. A composição é um apelo afetuoso e uma celebração da mulher que enfrentou as “mil e uma noites” de agonia, deixando um rastro de luz na história do filho artista.

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Segundo Guinga, a canção também carrega um movimento íntimo de reconciliação afetiva. “Rua do Pecado é um tributo à minha mãe, eu que a via sempre triste e chorando. Essa canção é um acerto de contas com a minha mãe.”

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