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Guinga, um dos grandes compositores da nossa música, celebra 76 anos com novo trabalho
Guinga, um dos grandes compositores da nossa música, celebra 76 anos com novo trabalho
EP “Catonho” percorre paisagens afetivas do Rio de Janeiro e presta tributo à mãe do artista

Hoje, dia 10 de junho, é aniversário de um dos violonistas e compositores mais importantes e reverenciados da música brasileira: Guinga. O artista está completando 76 anos de vida e presenteia o público com o lançamento de seu novo trabalho: o EP “Catonho”. OUÇA AQUI. O projeto marca a parceria do violonista com a Vogas Produções, que criou um selo para lançar o aclamado álbum ZABOIO (2021), amplamente elogiado pela crítica no Brasil e no exterior.
Mantendo a estética intimista e a profundidade lírica de seu antecessor, “Catonho” é um mergulho nas memórias afetivas do compositor carioca. O EP apresenta duas canções inéditas, nas quais Guinga assina música e letra, reafirmando sua faceta de cronista do subúrbio e da alma brasileira.
A faixa-título é um autorretrato épico e geográfico. Em “Catonho”, Guinga percorre os subúrbios do Rio de Janeiro, da Ladeira Grapiúna à Praça Seca, de Bangu ao Catonho, transformando ruas, bairros e memórias em poesia. A letra evoca imagens como o “moto perpétuo” e o “Paganini da Piedade”, revelando um artista que é, ao mesmo tempo, o menino que corre por essas ruas e o homem que carrega o peso e a beleza do tempo. A composição pulsa identidade suburbana entre coretos esquecidos e a resistência das escolas de samba Império, Portela e Mocidade.
Para Guinga, a faixa nasce diretamente de sua própria trajetória e relação com a cidade. “Catonho é uma descrição de lugares por onde andei na minha vida e ando até hoje. É sobre existência. Catonho sou eu”, afirma o compositor.
Dedicada à sua mãe, Dona Inalda, “Rua do Pecado” é uma elegia de profunda delicadeza e força emocional. A canção narra o desembarque simbólico de sua progenitora no “céu de Imbassaí”, transformando a saudade em uma paisagem mítica. Guinga descreve a voz materna como uma “ave rara”, unindo o sagrado de uma Ave Maria ao balanço popular do “olerê, olará”. A composição é um apelo afetuoso e uma celebração da mulher que enfrentou as “mil e uma noites” de agonia, deixando um rastro de luz na história do filho artista.
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Segundo Guinga, a canção também carrega um movimento íntimo de reconciliação afetiva. “Rua do Pecado é um tributo à minha mãe, eu que a via sempre triste e chorando. Essa canção é um acerto de contas com a minha mãe.”



