Entrevista com a banda Daparte

Novabrasil
08:08 07.04.2021
Música

Entrevista com a banda Daparte

O cenário musical de Belo Horizonte sempre foi um grande berço da música brasileira. Isso muito por lançar ao mundo grandes bandas como Jota Quest, Pato Fu, 14 Bis, Skank além dos históricos Milton Nascimento e o Clube da Esquina. Vindo deste cenário surge os meninos da banda Daparte. Formada em 2015, Daparte é composta … Continued

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- 07.04.2021 - 08:08
Entrevista com a banda Daparte
Entrevista com a banda Daparte

O cenário musical de Belo Horizonte sempre foi um grande berço da música brasileira. Isso muito por lançar ao mundo grandes bandas como Jota Quest, Pato Fu, 14 Bis, Skank além dos históricos Milton Nascimento e o Clube da Esquina. Vindo deste cenário surge os meninos da banda Daparte.

Formada em 2015, Daparte é composta por Juliano Alvarenga (guitarra e voz), João Ferreira (guitarra e voz), Túlio Cebola (baixo e voz), Bê Cipriano (teclado e voz) e Daniel Crase (bateria). A banda tem forte influência do rock e MPB dos anos 70 e 90 fazendo uma mistura com sons do movimento “indie” alternativo mais atual.

Vale ressaltar que Juliano Alvarenga, é filho de Samuel Rosa, do Skank.

Daparte visitou a NOVABRASIL para falar um pouco sobre o novo single que lançaram esse mês, chamado “3 da manhã”.

Música é o início do segundo álbum que a banda irá lançar ainda no primeiro semestre de 2020.

Confira a entrevista na íntegra:

NOVABRASIL – Para vocês, o que é o DAPARTE?

João – Sobre a gente, nós nos juntamos para tocar faz uns 4 ou 5 anos, nós temos muito uma vontade de trazer para hoje uma referência de músicas que são antigas e também de músicas mais recentes, nosso trabalho é muito uma junção de influências que faz um “POP Rock Moderno” e acho que nosso “rolê” é esse, de viajar para tocar, conhecer pessoas, de fazer tudo com vontade, mas também com calma e com muito carinho pelo nosso trabalho.

NOVABRASIL – De onde surgiu o nome DAPARTE?

Juliano – DAPARTE surgiu do nosso baixista, o Cebola, ele leu um livro do Marcio Borges, do clube da esquina, nós somos muito fãs do disco obviamente, e eles tinham uma brincadeira onde o pessoal do grupo começou a chamar um ao outro de daparte, isso por conta de uma fã que ligou para a casa de um deles e perguntou: “A música tal, da obra, era da parte de Marcio Lô Borges? ” E como ela citou o nome dos dois como fosse um só, eles começaram a brincar com essa coisa de “da parte”. E a banda tem isso, a gente sente que a banda é muito ligada, muito unida, e que a música tem uma parte de todo mundo.

A gente até brinca as vezes falando “Eu sou uma parte da DAPARTE”

João – Só o Juliano que brinca disso haha

Juliano – É…

NOVABRASIL – Ouvindo o single “Guarda-Chuva” pude notar algumas semelhanças com pop, groove, rock e claro MPP e anteriormente vocês disseram que fazem um pop rock mais moderno, quais são suas influências?

João – Acho que o rock é uma marca que morreu, não no sentido literal, mas aquela coisa de pensarmos em um “Led Zeppelin”, um “Pink Floyd” não é uma coisa que se faz tanto hoje.

Daniel Crase – Discordo Plenamente.

Juliano – Tem o Greta Van Fleet.

João – Acho que o que a gente pega dessas referências é mais como a forma de compor e pensar a canção, acho que herdamos muito essa parte, mas ao mesmo tempo queremos pegar estas referências e trazer para uma estética mais moderna e acho que é o que a gente faz no nosso som, com timbres diferentes, com temáticas diferentes se aproximando mais do que a gente, como público mesmo, escuta mais hoje em dia.

NOVABRASIL – Quem geralmente compõe as músicas de vocês? Como funciona esse processo criativo? Tem alguma rotina ou é algo sempre muito orgânico?

Juliano – No primeiro disco nós tínhamos uma abordagem um pouco diferente, como a banda estava começando, cada um chegava com uma música que já tinha e levávamos para o estúdio e começávamos a trabalhar. Acabou que o primeiro disco saiu com composições de todo mundo da banda no geral.

João – E acabou ficando uma estética muito forte.

Juliano – É, e acaba que cada música tem muito a cara de um, a cara de outro e nesse segundo disco que vamos lançar esse ano ainda, praticamente todas as músicas são minhas e do João. Geralmente chego com a melodia e ele faz a letra, mas as vezes ele faz a melodia também. E assim achamos que ficou um estilo melhor, que fique fácil das pessoas entenderem a banda com este estilo meu e do João de compor.

Trouxemos referências de coisas que estão rolando lá fora, “Rex Orange County”, “Sticky Fingers” e “Cage The Elephant” são bandas atuais, que o pessoal gosta.

João – Tem coisas daqui também, tipo, Lagum, que também é BH e é uma referência muito forte. O Vitor Kley, Hotelo…

Juliano – Hotelo que vai tocar com a gente também.

João – Acho que isso tudo aconteceu de uma maneira bem natural, não foi simplesmente a ideia de fazer algo fácil das pessoas entenderem. Acho que quando eu e o Juliano engatamos nessa fase de fazer a composição as coisas tomaram uma identidade forte, acho que o disco tem uma unidade maior.

NOVABRASIL – Vocês citaram bastante cantores internacionais e alguns brasileiros que são de certa forma mais novos no cenário musical. Tem algum cantor da antiga MPB que te inspiram?

João – Com certeza

Juliano – A gente tem um gosto muito aberto, não escutamos uma coisa só.

João – Não sei, para citar, a gente curte muito o Milton Nascimento o Lô Borges, gosto muito do Gilberto Gil, da Marisa Monte gosto bastante também.

Bernardo – Do Djavan.

Daniel Crase – Arnaldo Antunes, o Skank.

João – O Skank é uma referência bem legal.

NOVABRASIL – A NOVABRASIL é uma rádio exclusiva de MPB, para vocês qual a importância de ter um espaço exclusivo para fortalecer a música nacional?

João – Numa sociedade igual a nossa que a cultura é tão espontaneamente criada e traduzida em música, no nosso caso né, o Brasil produz muita música e é muito louco a gente ver que ainda perde espaço para as coisas que vem de fora, influências e tudo mais e a MPB em si é uma música muito brasileira mesmo e temos que manter esse nosso patrimônio, nossa cultura enraizada musicalmente que também é consumida lá fora coisa que como brasileiros e músicos é motivo de orgulho e a importância de ter uma rádio dessa é espetacular.

Juliano – Concordo plenamente com o João, ainda mais hoje que temos uma certa resistência com a música que as pessoas mais consomem que é o sertanejo, o funk o eletrônico, a gente gosta desse lado mais antigo do Brasil onde já teve uma época que o Caetano Veloso e Chico Buarque é o que hoje é a Marilia Mendonça, que no caso é a grande massa de consumo.

João – Sem tirar mérito da Marilia ou desses estilos…

Juliano – Sim, não tirando mérito, é gosto mesmo.

Acho que é muito legal não esquecermos desse lado, é algo que já me agradou muito.

João – É algo que não pode morrer.

NOVABRASIL – Juliano, como ser filho do Samuel Rosa te influenciou a ser músico? Acha que se não tivesse o exemplo dele ainda sim seguiria o caminho da música?

Juliano – É difícil responder né…

Acho que influenciou muito. Tiveram algumas coisas que não sei te dizer se influenciou ou não até porque tem a coisa de você ficar um pouco acuado pensando se irei conseguir fazer algo parecido com o que é o sucesso dele até mesmo pensar em seguir outra coisa por causa disso, mas se tiver que dizer sim ou não eu digo sim.

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Não tem como, você morar em uma casa onde está sempre cheio de artistas, batendo papo, falando de música. Você vive num mundo se perguntando se é tão legal igual essas pessoas estão falando.

Quando eu tinha uns 5 anos, eu já pegava o violão e eu nem gostava tanto de violão. O primeiro instrumento que eu curti mesmo foi a bateria, porque obviamente é mais fácil.

Daniel Crase – Hm…

Juliano – Você só chega e começa a bater e sair aquele barulho. E então eu fui me amarrar de verdade no violão mais tarde, com uns 9 anos.

Mas sim, acho que influencio bastante.

NOVABRASIL – Vocês citaram o Lagum, como vocês veem o cenário musical de BH?

João – GIGANTESCO

Juliano – BH, está num polo legal, está rolando de tudo lá, tem banda alternativa, misturando samba com rock, bandas de pop, de reagge….

João – A gente está produzindo muito em Belo Horizonte, não dá nem para tentar explicar muito, tem muita coisa diferente.

Juliano – Está rolando um movimento, uma cena…

João – Tem bastante gente saindo de lá, tem o Lagum, o Djonga, nós mesmo né. Tem bastante coisa.

Daniel Crase – Somos grandes entusiastas da nossa cena local.

NOVABRASIL – Falando um pouco sobre o cenário musical independente, o quanto é difícil uma banda sair do papel, fazer o primeiro single, primeiro álbum, seus primeiros shows?

João – MUITO!

Todos riem

Juliano – Assim, vendo a história da DAPARTE, onde ainda estamos fazendo um caminho para fazer um certo sucesso, ficar conhecido no Brasil inteiro, e as pessoas consumirem nosso som, irem aos nossos shows, assim como é o sonho de todos aqui, atingir as pessoas com as nossas músicas, pensando nesse lado, nesse cenário de música atual, onde o mercado está gigante e o Spotify e a Internet deram essa abertura para as pessoas entrarem e mostrar o seu som.

João – Ficou mais democrático.

Juliano – Sim, mas ainda é muito difícil. Acho que se você fizer o som, do jeito que você acredita e comunicar com as pessoas que gosta de você e pensam de forma semelhante acho que faz chegar a um certo público.

João – E vale a pena também.

Juliano – Sim, é o mais interessante, acho que o mais legal que ser “grande” é você ter uma legião de pessoas que se identificam com você e estão contigo o tempo todo, elas chegam no show e olham para ti, dão risada, cantam as músicas, aquele refrão que você fez no seu quarto, na sua casa e elas vão estar ali com você naquele momento, sentindo o que você sentiu e acho que isso é o mais legal na verdade.

O conselho que tenho para dar para as pessoas que querem começar agora, ter banda para tocar aí no Brasil, faça o que você gosta, toque as músicas que você acredite.

NOVABRASIL – Assistindo alguns clipes da banda no YouTube pude perceber que tem todo um conceito artístico em volta. Como se dá a criação dessa direção de arte? Vocês participam?

João – A gente faz sendo leigo, assim, a gente sai dando um monte de ideia.

Tivemos a sorte de realmente estar inserido em um contexto em Belo Horizonte que tem muita gente muito boa em várias áreas, inclusive no audiovisual e nisso tivemos a sorte de ficar amigo dessas pessoas. Tem o Pedro Milagres que dirigiu um clipe nosso, o Alexandre Sterling, o André Greco e Kel que fazem direção de arte. Uma galera de BH que são bem abertos a todo esse vazamento criativo nosso, que as vezes chega indomado e eles conseguem lapidar de uma certa forma.

A forma que participamos é dando ideias pensar no que queremos mostrar/contar com determinado clipe e então juntamos com essa galera que é muito boa e tiramos do papel.

Daniel Crase – Tanto que a gente não anda sem um profissional do audiovisual com a gente.

João – Que nem a Mari que está aqui com a gente.

Daniel Crase – Hoje em dia inclusive ter conteúdo audiovisual é tão importante quanto gravar uma música no estúdio.

João – Inclusive o clipe da música “3 da manh㔠que irá sair no dia 13 de março quem dirigiu foi a Mari.

Juliano – É um webclipe que foi muito legal de fazer, é cheio de imagem da gente viajando, em todos lugares que a gente já foi e isso faz o fã se identificar com o clipe, de ver a rotina da banda e a Mariana Ávila captou isso perfeitamente.

NOVABRASIL – E do que se trata a música “3 manhãs”?

João – Tristezas, “bads”, acho que isso, é uma música sobre término de relacionamento.

Daniel Crase – Que traz esperança.

Juliano – É, ela traz esperança no final, acho que ela tem uma melodia feliz, não é uma melodia triste.

João – É, pode ser… É uma música agridoce, mais agri do que doce.

Todos riem.

NOVABRASIL – Aproveitando o lançamento do single e clipe, quais são as pretensões da banda no futuro?

João – Virar a maior banda do mundo e ganhar mil milhões de reais.

Daniel Crase – Trilhões!!

João – Brincadeira, mas acho que continuar fazendo o que a gente gosta e se orgulhar do que a gente já fez

Por: Gustavo Silva

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