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Tudo sobre a vida e obra de Dona Ivone Lara no seu aniversário
Tudo sobre a vida e obra de Dona Ivone Lara no seu aniversário
Hoje seria aniversário de uma das mais importantes artistas da música popular brasileira de todos os tempos: Ivone Lara da Costa, a Dona Ivone Lara. Em homenagem a Grande Dama do Samba, preparamos uma matéria especial sobre sua vida, obra e legado. Ao final, você confere também uma playlist com 25 sucessos desta grande sambista, … Continued

Hoje seria aniversário de uma das mais importantes artistas da música popular brasileira de todos os tempos: Ivone Lara da Costa, a Dona Ivone Lara. Em homenagem a Grande Dama do Samba, preparamos uma matéria especial sobre sua vida, obra e legado.
Ao final, você confere também uma playlist com 25 sucessos desta grande sambista, cantora e compositora. É só salvar e dar o play.
Confira:

A importância de Dona Ivone Lara
Dona Ivone Lara fez história como a primeira mulher a integrar a ala de compositores de uma escola de samba e a assinar um samba-enredo, abrindo caminho para muitas outras mulheres que vieram depois. Por isso, ficou conhecida como a Rainha do Samba e como a Grande Dama do Samba.
A infância e o primeiro samba
Nascida há exatos 102 anos, em 13 de abril de 1921, nascia Yvonne Lara da Costa, no Rio de Janeiro, filha de uma cantora do Rancho Flor do Abacate, e com um mecânico de bicicletas, violonista e componente do Bloco dos Africanos.
Ela perdeu os pais muito cedo, ele quando Ivone tinha apenas três anos, e ela ainda na adolescência. Por isso, estudou em um internato até os 16 anos.
Aos 12 anos, Ivone Lara foi presenteada pelos primos – e futuros parceiros – Hélio e Fuleiro, com um pássaro Tiê-sangue. O nome do pássaro e a expressão “Oialá-oxa”, herdada da avó moçambicana, serviram de inspiração para ela compor o seu primeiro samba de partido-alto: Tiê-Tiê, parceria com os já chamados Mestre Fuleiro e Tio Hélio.
Admirada por suas professoras de música no colégio – a pianista Lucília Villa-Lobos, esposa do maestro Heitor Villa-Lobos, e a cantora soprano Zaíra Oliveira, primeira esposa de Donga – Ivone Lara foi indicada para o coro Orfeão dos Apiacás, da Rádio Tupi, regido por Villa-Lobos.
Só para contextualizar, Zaíra Oliveira foi considerada uma das maiores cantoras negras do mundo e, em 1921, ganhou um concurso do Instituto Nacional de Música, que tinha como prêmio uma viagem para aprofundar seus estudos de canto lírico na Europa. Mas, não foi aceita, depois que descobriram que ela era negra e disseram – pasmem! – que ela não representava o povo brasileiro.
Saindo do internato, Ivone foi morar na casa de seu tio Dionísio, que tocava violão de sete cordas e fazia parte de grupo de músicos de choro, que reunia ninguém menos que Pixinguinha e Donga. Com o tio, Ivone Lara aprendeu a tocar cavaquinho.
As carreiras de enfermeira e assistente social
Ivone Lara formou-se enfermeira e, logo depois, tornou-se uma das primeiras mulheres formadas em assistência social no Brasil e uma das primeiras mulheres negras com curso superior no país.
Se especializou em Terapia Ocupacional, dedicando-se a trabalhos em hospitais psiquiátricos e chegando a trabalhar no Serviço Nacional de Doenças Mentais, com a doutora Nise da Silveira, médica alagoana, reconhecida mundialmente por sua contribuição à psiquiatria, que revolucionou o tratamento mental no Brasil.
Ivone Lara desempenhou um papel fundamental na reforma psiquiátrica no Brasil, tendo atuado durante mais de três décadas com pacientes de doenças mentais, em uma época em que muitos deles eram abandonados pela família.

Ela deslocava-se para municípios do Rio de Janeiro e de estados vizinhos, localizando parentes dos internos para apresentar uma visão diferente da maioria dos diagnósticos médicos, que desacreditavam a condição mental dessas pessoas. Tudo isso fazia parte de uma rotina terapêutica e de uma visão completamente nova que humanizava o tratamento da saúde mental.
Além disso, Dona Ivone Lara trouxe a terapia musical para seus pacientes no Instituto de Psiquiatria do Engenho de Dentro. Usando seus contatos, conseguia patrocínio para os instrumentos e a criação de uma oficina de música, que passou a apoiar festas e eventos de socialização entre os pacientes, seus familiares e os funcionários do hospital. Essa oficina mais tarde deu origem ao bloco de carnaval Loucura Suburbana, que existe até hoje.
O contato com o samba e as barreiras do machismo
Em 1945, com 24 anos, Ivone Lara se mudou para o bairro de Madureira e começou a frequentar a Escola de Samba Prazer da Serrinha. Nesta mesma época, ela já começou a compor sambas para a escola.
Acontece que – para serem aceitos – os diversos sambas e partidos-altos compostos por Ivone eram mostrados aos outros sambistas pelo seu primo Fuleiro, como se fossem dele, pois o machismo predominante da época não permitia a aceitação de uma mulher sambista.
Em 1947, Ivone Lara casou- se com Oscar Costa, filho de Alfredo Costa, presidente da Prazer da Serrinha, com quem teve dois filhos: Alfredo e Odir. Ivone e Oscar foram casados durante 28 anos.
Nesta época, ela aprimorou seus dotes de sambista e conheceu os amigos Aniceto, Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira, que mais tarde seriam seus parceiros em algumas composições.
Ainda em 1947, Ivone compôs um samba com o qual a escola desfilaria na avenida: Nasci Para Sofrer. Ainda que ninguém soubesse que a composição era dela, a artista tinha um amor imenso pelo samba e vibrava em escutar suas músicas na avenida.
Depois disso, ela passou a frequentar a Império Serrano e a compor sambas-enredo para essa outra Escola de Samba – alguns inclusive tornaram-se vencedores. Mas eles ainda eram assinados por seu primo, Fuleiro.
Dona Ivone Lara, a primeira mulher na Ala de Compositores de uma Escola de Samba e o primeiro disco
Em 1965, aos 44 anos, enfrentando todas as restrições feitas às mulheres até aquela época e todo o preconceito e discriminação, Ivone Lara quebrou todas as barreiras e conquistou seu espaço, atingindo o reconhecimento de sua obra como compositora – depois de muitos anos – e passando a integrar, oficialmente, a Ala de Compositores do Império Serrano.
Ela compôs – em parceria com Silas de Oliveira e Bacalhau – o clássico samba-enredo Os Cinco Bailes Tradicionais da História do Rio ou Os Cincos Bailes da Corte, que ficou em segundo lugar no carnaval daquele ano.
Em 1968, a artista passou a ser madrinha da Ala dos Compositores da escola Império Serrano, e a desfilar na Ala das Baianas.
Em 1970, com quase 50 anos, participou pela primeira vez – como cantora – da gravação de um disco: Sargentelli e o Sambão, interpretando as canções Agradeço a Deus e Sem Cavaco Não, parcerias dela com Mano Décio da Viola.
Veja também:
Quando tornou-se DONA e a parceria com Délcio Carvalho
Antes disso, ainda em 1970, Ivone Lara participou – ao lado de outras duas revelações do samba da época: Clementina de Jesus e Roberto Ribeiro – do show de Sargentelli: Sambão. Foi a partir daí que ela começou a usar o nome Dona Ivone Lara, antes ela assinava somente por Ivone Lara da Costa.
No começo, ela não gostou da sugestão de usar o “Dona”, pois achou que a estavam chamando de velha. Mas logo entendeu que era de “Dona” mesmo: dona, detentora, possuidora de um dos maiores talentos e originalidades da música popular brasileira. Nossa Dama do Samba!
Em 1972, Dona Ivone Lara perdeu seu grande amigo e parceiro Silas de Oliveira, que sofreu um infarto fulminante, aos 55 anos. Ela então começou a compor em parceria com o então jovem Délcio Carvalho.
Entre 1974 e 1977, gravou canções para vários discos de samba. E, em 1976, Elizeth Cardoso, gravou – com sucesso – a canção Minha Verdade, composição de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho.
Mais sobre a família de Dona Ivone Lara
Em 1976, o filho mais velho de Ivone, Odir, sofreu um grave acidente de carro, e – por causa disso – seu marido, Oscar, teve um infarto fulminante e pouco tempo depois acabou morrendo. No começo, o marido não aceitava bem o fato de Ivone Lara frequentar as rodas de samba e o Carnaval, mas nunca a proibiu de seguir a carreira artística. No fim da vida, ele até a apoiou bastante.
Odir demorou para se recuperar do acidente, mas viveu até o ano de 2008, quando veio a falecer por complicações decorrentes da diabetes.
A saída do hospital e a vivência definitiva no samba
Em 1977, depois de mais de 30 anos, Dona Ivone se aposentou do hospital, passando a se dedicar, exclusivamente, à carreira artística. Nessa época, suas músicas passaram a ser gravadas por diversos artistas da música popular brasileira, como:
- Clara Nunes;
- Maria Bethânia;
- Gal Costa;
- Caetano Veloso;
- Gilberto Gil;
- Paulinho da Viola;
- Martinho da Vila;
- Zeca Pagodinho;
- e Beth Carvalho.
Depois, novos nomes continuaram a gravar Dona Ivone Lara, como:
- Marisa Monte;
- Mart’nália;
- Paula Toller;
- Mariene de Castro;
- Paula Lima;
- Roberta Sá;
- Diogo Nogueira;
- Arlindo Cruz;
- Criolo;
- Zélia Duncan;
- Vanessa da Mata;
- e Adriana Calcanhoto.
Dona de centenas de composições e melodias refinadas, ela cantava e compunha como ninguém sobre as alegrias e as mazelas do povo negro. Dona Ivone Lara dizia:
“Me sinto feliz da vida quando a inspiração chega. Vem a melodia e começo a cantarolar. Quando ela vem, ela fica, não esqueço de jeito nenhum.”
Em 1977, a artista participou do filme A Força de Xangô, de Iberê Cavalcanti, interpretando Zulmira de Iansã.

Discos solo e grandes clássicos de Dona Ivone Lara
Em 1978, Dona Ivone Lara lançou seu primeiro disco solo: Samba Minha Verdade, Samba Minha Raiz. Das 12 canções do disco, nove são composições dela, sozinha ou com o parceiro Délcio Carvalho, como:
- Como Ele É Assim;
- Andei Para Curimá (essa e a anterior de autoria somente dela);
- Samba Minha Raiz, Aprendi a Sofrer;
- e Espelho da Vida (essa e a música anterior são parcerias com Délcio Carvalho).
Também em 1978, Maria Bethânia gravou – em seu disco Álibi, com a participação de Gal Costa – o clássico Sonho Meu, música composta por Dona Ivone Lara em parceria com Délcio Carvalho, que tornou-se um sucesso absoluto.
Em 79, Dona Ivone lançou seu segundo disco, Sorriso de Criança, que trouxe os grandes sucessos:
- Sonho Meu;
- Liberdade;
- Acreditar (essa e as duas anteriores são parcerias com Délcio Carvalho);
- e Tiê (parceria com Mestre Fuleiro e Tio Hélio).
Dois anos depois, a artista lançou o antológico disco Sorriso Negro, que – além do sucesso da faixa-título (de Jorge Portela/Adilson Barbado/Jair Carvalho), que contou com a participação de Jorge Ben Jor – trouxe os outros clássicos, como:
- Alguém me Avisou;
- De Braços Com a Felicidade;
- Sereia Guiomar (parceria com Délcio Carvalho, com a participação de Maria Bethânia);
- e Tendência (parceria com Jorge Aragão).
Em 1982, a artista lançou o disco Alegria da Minha Gente (Serra dos Meus Sonhos Dourados), em que apresentou mais sucessos:
- Nasci Pra Sonhar E Cantar (Ivone Lara e Délcio Carvalho);
- Coração, Por Que Choras?;
- Meu Destino é Sofrer;
- Preá Comeu;
- e Lamento do Negro (essa de Caboré/Onofre/Heitor dos Prazeres Filho).
A partir daí, foram diversos discos lançados, parcerias consagradas, prêmios e turnês internacionais e outras canções de sucessos como:
- Mas Quem Disse Que Eu Te Esqueço (parceria com Hermínio Bello de Carvalho);
- Enredo do Meu Samba (com Jorge Aragão);
- e Alvorecer (com Délcio Carvalho).
Sua carreira produtiva e disruptiva durou até os últimos dias de sua vida, quando Dona Ivone Lara faleceu, aos 97 anos, em consequência de um quadro de insuficiência cardiorrespiratória.
Mas o legado que ela deixa para a música brasileira é incomparável. Um verdadeiro patrimônio da nossa cultura.
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25 sucessos de Dona Ivone Lara
Agora, curta essa playlist especial que preparamos com os 25 maiores sucessos de Dona Ivone Lara:


