Carlinhos Brown fala sobre a importância de Gal Costa

Novabrasil
09:30 11.11.2022
Jornalismo

Carlinhos Brown fala sobre a importância de Gal Costa

Por aqui, na Novabrasil, ainda estamos de luto. Na quarta-feira (09), perdemos uma das maiores vozes da música brasileira, a eterna musa Gal Costa, aos 77 anos. Gal deixou um verdadeiro legado que continuará a reverberá por gerações. Para falar sobre sua tamanha importância, conversamos, com exclusividade, com seu conterrâneo Carlinhos Brown. Carlinhos Brown: Gal … Continued

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- 11.11.2022 - 09:30
Carlinhos Brown fala sobre a importância de Gal Costa
Carlinhos Brown fala sobre a importância de Gal Costa

Por aqui, na Novabrasil, ainda estamos de luto. Na quarta-feira (09), perdemos uma das maiores vozes da música brasileira, a eterna musa Gal Costa, aos 77 anos. Gal deixou um verdadeiro legado que continuará a reverberá por gerações. Para falar sobre sua tamanha importância, conversamos, com exclusividade, com seu conterrâneo Carlinhos Brown.

Carlinhos Brown: Gal Costa é, pra mim e para sempre, a orientadora e curadora da música do Brasil

Em conversa com a jornalista Fabiane Pereira, diretamente de Salvador – Bahia, o cantor, compositor e Multi-instrumentista Carlinhos Brown falou, com muito carinho, sobre Gal, a quem chamou de “a orientadora e curadora da música do Brasil”.

Seus ouvidos e seus olhares atentos sempre apontaram para o novo. E o novo para ela é também reverenciar os grandes clássicos que são os nossos grandes ídolos e professores, onde ela emprestou seu talento e sua voz para fazer do tempo uma vivência de todos.

Veja o depoimento completo:

Gal Costa: De Salvador para o coração de todo um Brasil

Gracinha

Baiana de Salvador, Gal Costa aprendeu a tocar violão ainda criança e, em 1959, quando ouviu pela primeira vez o cantor João Gilberto cantando Chega de Saudade no rádio, teve ainda mais certeza do que queria fazer da vida: cantar. João foi uma das maiores influências de Gal, que depois conheceu e se aproximou do ídolo, que a chamou de “a maior cantora do Brasil” na primeira vez que a ouvir cantar.

Maria da Graça Costa Penna Burgos começou a carreira em 1964, ainda usando o nome artístico Gracinha, ao lado de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Tom Zé, no show Nós, Por exemplo, que inaugurou o Teatro Vila Velha, de Salvador.

Domingo, seu primeiro EP

Em 1967, Gal lançou o seu primeiro LP: Domingo, ao lado de seu amigo e parceiro de toda uma vida – Caetano Veloso – que também estreava em seu primeiro disco. Deste álbum, destaca-se a canção Coração Vagabundo, de CaetanoGal Costa foi uma das maiores intérpretes de Caetano Veloso da história.

Nesta mesma época, Gal iniciou – junto com outros grandes nomes da música popular brasileira como Caetano, Gil, Torquato Neto, Rogério Duprat, Capinan, Tom Zé, e Os Mutantes – o Movimento Tropicalista: movimento de contracultura, que transcende tudo o que já havia em termos de produção artística no Brasil.

Gal, a Musa da Tropicália

A partir desse momento, Gal passa a sentir a necessidade de desbravar novos territórios que não somente o canto suave da bossa nova. Queria expressar a sua arte e o que sentia de uma forma mais agressiva, mais experimental, mais revolucionária, com influências do que vinha escutando de fora do país, como a voz rasgada de Janis Joplin, que foi uma grande inspiração para Gal Costa.

Veja também:

Ainda em 1968, ela participa do IV Festival de MPB da Record, defendendo – em tempos de repressão sofrida pela ditadura militar no Brasil – a canção  grito de liberdade Divino Maravilhoso, de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Esta apresentação representou um marco na transição de postura e na estética artística de Gal.

Falando em ditadura militar, quando o movimento Tropicalista sofreu forte censura e perseguição e seus líderes Caetano e Gil foram presos e, depois, obrigados a se exilar em Londres, de 1969 a 1972,  Gal tornou-se, – quase que forçadamente – um símbolo de resistência artística no Brasil, sendo responsável por manter acesa a chama do Tropicalismo no país e tornando-se a sua maior representante, passando a ser conhecida como Musa da Tropicália e da “geração do Desbunde”.

Fa-Tal, Gal (sempre) a todo Vapor

Em 1969, a cantora lançou seu primeiro álbum solo, e – a partir daí – passou a lançar – um em seguida do outro – álbuns inesquecíveis, transgressores e revolucionários, como o antológico LP duplo Fa-tal: Gal a todo o Vapor; o disco Índia; o encontro inesquecível com os Doces Bárbaros (em parceria com os amigos Gil, Caetano e Bethânia, em 76); Gal Tropical; Estratosférica, e tantos outros…

Gal Costa gravou a maioria dos grandes compositores da nossa música como Caetano, Gil, Jorge Ben Jor, Erasmo e Roberto, Jards Macalé, Waly Salomão, Luiz Melodia (que era um de seus compositores favoritos e a quem Gal ajudou a lançar), Chico Buarque, Dorival Caymmi, Milton Nascimento, Moraes Moreira Djavan.

Grandes clássicos na sua voz são:

  • Vapor Barato;
  • Balancê;
  • Chuva de Prata;
  • Aquarela do Brasil;
  • Vaca Profana;
  • Festa do Interior;
  • Barato Total;
  • Sua Estupidez;
  • Folhetim;
  • Quando Você Olha Pra Ela;
  • e tantos, tantos, tantos outros.

Viva Gal Costa!

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