O movimento tropicalista foi um movimento cultural de vanguarda que aconteceu no Brasil nos anos de 1967 e 1968. Esse movimento abordava a área das artes como um todo, mas, principalmente, a música. Leia este artigo para saber mais sobre o movimento tropicalista e a MPB!

Considerado um movimento revolucionário e libertário, o movimento tropicalista tinha como foco se afastar do intelectualismo da Bossa Nova, ou seja, queria promover uma maior aproximação entre a música brasileira, os aspectos da cultura popular, o rock, o pop, o samba e a psicodelia.

De forma resumida, a estética do movimento tropicalista era baseada em algo mais aberto, sincrético e inovador, o que trouxe mudanças para a música popular brasileira e para a cultura no geral.

Entre os principais artistas que ganharam destaque no movimento tropicalista estão: Caetano Veloso e Gilberto Gil (líderes do movimento), além de Nara Leão, Tom Zé, Gal Costa, Os Mutantes (Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias), Capinam, Jorge Ben, Maria Bethânia e Torquato Neto.

Gilberto Gil, Caetano Veloso, Rita Lee e outros grandes artistas na capa do disco ‘Tropicália ou Panis Et Circensis’ em 1968
Gilberto Gil, Caetano Veloso, Rita Lee e outros grandes artistas na capa do disco ‘Tropicália ou Panis Et Circensis’ em 1968. | Foto: Divulgação.

Como o tropicalismo e a MPB se relacionam?

Após o declínio da Bossa Nova, surgiu um novo movimento, a MPB (música popular brasileira). A partir disso, um conjunto de artistas, denominados “Tropicalistas”, juntou-se com a intenção de trazer libertação e alterações no cenário cultural do Brasil. Dessa maneira, no final dos anos 60, surgiu o tropicalismo, um movimento cultural importante e revolucionário para a música brasileira.

O movimento tropicalista foi liderado por grandes compositores da Música Popular Brasileira, como Caetano Veloso e Gilberto Gil. E foi responsável por trazer inovações estéticas e comportamentais, além de se opor à música bem comportada e protestava contra a repressão da época.

Jorge Ben, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee, Gal Costa, Sérgio Dias e Arnaldo Baptista (1968)
Jorge Ben, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee, Gal Costa, Sérgio Dias e Arnaldo Baptista (1968). | Foto: Divulgação/Valor Econômico.

O tropicalismo apareceu como uma resposta ao movimento conhecido como a Marcha Contra a Guitarra Elétrica, uma passeata dentro da MPB, que era contra a utilização de guitarras elétricas nas músicas brasileiras.

A Marcha Contra a Guitarra Elétrica tinha o slogan “Defender o que é nosso!”, o que demonstra que os adeptos estavam contra a invasão de elementos da música internacional.

Em julho de 1967, com a liderança de Elis Regina, a marcha aconteceu. Pouco tempo depois, em outubro, aconteceu o III Festival Popular de Música Brasileira da TV Record, no qual o tropicalismo se mostrou com mais clareza.

Caetano Veloso fez apresentações durante o festival, cantando a música “Alegria, Alegria” na companhia da banda Beat Boys. Gilberto Gil também apareceu tocando “Domingo no Parque”, ao lado dos Mutantes. As duas apresentações foram vaiadas pelo público, que rejeitava a utilização das guitarras.

Para se defenderem, os músicos argumentaram que qualquer expressão artística de outro país poderia ser utilizada na música brasileira, pois isso, na verdade, não significa uma perda de identidade. Dessa forma, o movimento tropicalista se relacionava com o movimento antropofágico, que surgiu por artistas modernistas brasileiros nas décadas de 20 e 30.

A intenção principal do movimento tropicalista era promover uma revolução comportamental e estética nos elementos culturais brasileiros. Tudo isso era feito a partir da utilização de pontos da linguagem pop, incluindo tendências comportamentais e artísticas da época, com a ideia de expressar algo novo.

No quesito estético, os adeptos do movimento tropicalista ficaram marcados pelo excesso, uma vez que usavam muitos acessórios, roupas coloridas e cabelos compridos, com o objetivo de gerar um choque.

Na música, as letras do movimento tropicalista contavam com inspirações da poesia concreta. Muitos compositores desenvolveram canções com muitos jogos de linguagem, que nem sempre eram fáceis de serem entendidos. Ademais, também era característica do movimento tropicalista o uso do deboche e da paródia.

O conjunto de todos os elementos do movimento tropicalista resultou em uma forma de protesto contra a repressão do regime militar, já que defendiam a liberdade de expressão. Uma das canções de protesto mais famosas do movimento tropicalista é “Tropicália”, composta por Caetano Veloso.

Tendo em vista que o movimento tropicalista era baseado em ideias revolucionárias e a favor da liberdade artística e de expressão, os artistas envolvidos passaram a ser fortemente perseguidos pela ditadura.

Por essa razão, o movimento tropicalista não durou muito tempo. Um acontecimento marcante de repressão sofrido pelos líderes do movimento tropicalista foi um show no ano de 1968. Nesse show, Caetano e Gil incomodaram os militares com uma obra do artista Hélio Oitica, que possuía uma bandeira com a imagem de um traficante assassinado pela polícia e o texto “Seja Marginal, Seja Herói”.

Além disso, os militares acusaram o compositor Caetano Veloso de ter cantado versos ofensivos às Forças Armadas durante o hino nacional. Por tudo isso, os militares resolveram suspender o show e prender os artistas, que foram acusados de desrespeitar a bandeira e o hino. Após a prisão, Caetano Veloso e Gilberto Gil exilaram-se. Com isso, o movimento tropicalista perdeu força e acabou.

Caetano e Gil alguns dias antes do exílio em Londres (Julho1969)
Caetano e Gil alguns dias antes do exílio em Londres (Julho1969). | Foto: Agência O Globo.

No ano de 1969, surgiu o pós-tropicalismo. Esse movimento ficou conhecido por envolver canções de caráter “sombrio”, pois as letras expressavam a auto-marginalização, a solidão, a tristeza, a escuridão, a morte, a frustração e a derrota.

A maior representante do pós-tropicalismo foi Gal Costa, que já havia feito parte do movimento tropicalista e, após a prisão e o exílio de Caetano e Gil, permaneceu como a única porta-voz do movimento, adotando uma postura agressiva e posteriormente hippie.

Agora que você já sabe como a MPB e o movimento tropicalista se relacionam, deve estar curioso para descobrir qual é a importância do tropicalismo para esse gênero musical. Então, continue a leitura deste artigo!

Qual a importância do tropicalismo para MPB?

Na época do surgimento da MPB e do tropicalismo, o Brasil estava em regime militar. Por causa disso, a música brasileira tinha um teor nacionalista, voltada para canções que retratassem as maravilhas da nação. A Tropicália foi totalmente contra essa ideia.

Sendo assim, os adeptos do movimento tentaram deixar a linguagem da MPB mais leve e mais jovem. Então, utilizavam guitarras elétricas nos arranjos musicais. Porém, ao mesmo tempo em que desejavam dar mais leveza, utilizavam palavras e sons de origem erudita e sons inovadores.

Toda essa originalidade proposta pelo movimento tropicalista fez com que a música brasileira se tornasse mais moderna, assim como a cultura nacional.

Saindo do movimento da Bossa Nova, o movimento tropicalista foi importante para renovar completamente a música brasileira. Algumas músicas desse movimento são consideradas poesias e refletem muito bem a situação do país naquela época.

Os artistas tropicalistas tinham muita liberdade para fazer suas composições, pois tinham inúmeras possibilidades, tanto estéticas quanto técnicas, para falar sobre as tradições e as novidades do Brasil.

Ao terminar de ler este artigo, você conferiu como o movimento tropicalista foi importante para a música brasileira se tornar mais moderna e inovadora. Gostou do nosso conteúdo? Então, continue no site da Novabrasil e explore os demais artigos!