109 anos de Jamelão – 12 canções da MPB para a Estação Primeira de Mangueira na MPB

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12:00 12.05.2022
Jornalismo

109 anos de Jamelão – 12 canções da MPB para a Estação Primeira de Mangueira na MPB

Se estivesse vivo, o cantor, compositor e sambista Jamelão estaria completando 109 anos neste 12 de maio. José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão, nasceu no Rio de Janeiro, em 1913. Passou a maior parte da sua juventude no bairro Engenho Novo e ainda bem jovem, aos 15 anos, começou a frequentar a Estação Primeira … Continued

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- 12.05.2022 - 12:00
109 anos de Jamelão – 12 canções da MPB para a Estação Primeira de Mangueira na MPB
109 anos de Jamelão – 12 canções da MPB para a Estação Primeira de Mangueira na MPB

Se estivesse vivo, o cantor, compositor e sambista Jamelão estaria completando 109 anos neste 12 de maio.

José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão, nasceu no Rio de Janeiro, em 1913. Passou a maior parte da sua juventude no bairro Engenho Novo e ainda bem jovem, aos 15 anos, começou a frequentar a Estação Primeira de Mangueira, primeiro tocando tamborim.

Anos mais tarde, passou a ser uma das figuras mais emblemáticas da escola, tornando-se o principal intérprete oficial da Mangueira entre os anos de 1949 e 2006. Uma verdadeira autarquia do samba carioca, Jamelão, com sua voz potente, é considerado o maior intérprete de Samba-Enredo de todos os tempos.

Em sua carreira, também cantou no rádio e em boates e foi o maior intérprete da obra de Lupicínio Rodrigues, nos chamados samba-canção ou músicas de “dor de cotovelo”.

Teve mais de 25 discos gravados e, entre os principais sucessos na sua voz, estão as canções: Fechei a Porta (de Sebastião Motta e Ferreira dos Santos), Matriz ou Filial (de Lúcio Cardim), Exaltação à Mangueira (de Enéas Brites e Aluisio da Costa), Eu Agora Sou Feliz (de Jamelão com Mestre Gato), Ela Disse-me Assim e Esses Moços (Pobres Moços), ambas de Lupicínio Rodrigues.

O sambista nos deixou em 2008, aos 95 anos, por falência múltipla dos órgãos. Sua morte causou grande comoção no meio do samba, deixando uma lacuna enorme não só na escola, como também para toda comunidade do samba.

Neste ano de 2022, Jamelão foi um dos homenageados no enredo da Mangueira – Angenor, José e Laurindo – ao lado de Cartola (apelido de Angenor de Oliveira, um dos fundadores da escola, compositor do primeiro samba da escola, quem escolheu as cores verde e rosa, poeta que cantou as alegrias e dores do morro) e Delegado (apelido de Hélio Laurindo da siLVA, reconhecido como o maior mestre-sala do carnaval carioca, que nunca tirou uma nota menos que 10 nos desfiles da Mangueira). O emocionante desfile aconteceu na madrugada do último sábado, dia 23 de abril.

E hoje, nós da Novabrasil, para homenagear Jamelão e sua escola do coração neste 12 de maio, preparamos uma playlist com 12 grandes clássicos da MPB que exaltam a Estação Primeira de Mangueira.

Aproveite! E viva, Jamelão!

1 – Mangueira – Assis Valente e Zequinha Reis (1935)

Lançada pelo Bando da Lua, em 1935, apenas sete anos após a fundação da escola, a canção Mangueira, de Assis Valente e Zequinha Reis, foi regravada depois por grandes nomes como Elis Regina, Elizeth Cardoso, Aracy de Almeida e Demônios da Garoa.

Não há, nem pode haver

Como Mangueira não há

O samba vem de lá

A alegria também

Morena faceira, só Mangueira tem

 

2 – Lá em Mangueira – Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres (1943)

 

Grande clássico da música popular brasileira, o samba Lá em Mangueira, composto por Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres, e lançado em 1943, pelo Trio de Ouro – formado por Herivelto, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas – mais tarde ganhou versões de nomes como Zeca Pagodinho, Martinho da Vila e Os Originais do Samba.

 

Lá em Mangueira

Aprendi a sapatear

Lá em Mangueira

É que o samba tem seu lugar

 

3 – Mundo de Zinco – Wilson Batista e Antônio Nássara (1952)

 

Antônio Nássara ajudou a organizar, em 1932, o primeiro concurso de escolas de samba do Rio de Janeiro. Vinte anos depois ele compôs, ao lado de Wilson Batista, um samba para Mangueira, sua escola do coração: Mundo de Zinco. Contando a história do morro, a canção exalta a glória do samba, os malandros e as cabrochas. Lançada em 1952 por Jorge Goulart, depois foi gravada por Pixinguinha, Elizeth Cardoso e Elis Regina e Jair Rodrigues.

 

Aquele mundo de zinco que é mangueira

Desperta com o apito do trem

Uma cabrocha, uma esteira

Um barracão de madeira

Qualquer malandro em mangueira tem

 

4 – Exaltação à Mangueira (1956) – Enéas Brites e Aloísio da Costa

 

Praticamente um hino da Estação Primeira de Mangueira, o samba Exaltação à Mangueira, composto em 1956 por Enéas Brites e Aloísio da Costa, dois moradores do morro que trabalhavam com cerâmica e, durante um intervalo para o almoço, criaram o grande clássico que depois foi puxado na avenida por Jamelão.

 

Elis Regina, Chico Buarque, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Alcione e Beth Carvalho são alguns dos nomes que regravaram a canção.

 

Mangueira teu cenário é uma beleza

Que a natureza criou

O morro com seus barracões de zinco

Quando amanhece que explendor 

Todo mundo te conhece ao longe

Pelo som dos seus tamborins

E o rufar do seu tambor

 

5 – Fiz Por Você o que Pude – Cartola (1967)

 

O poeta, compositor e fundador da Estação Primeira de Mangueira, chegou a admitir em entrevista que o seu estilo de samba, mais lento e melancólico, pouco combinava com a alegria da avenida. O que não o impediu de compor – para homenagear a escola que ajudou a construir – a deliciosa canção Fiz Por Você o que Pude, gravada em 1967, por Elizeth Cardoso e, depois, regravada em 2020, por Paulinho da Viola.

 

Todo o tempo que eu viver

Só me fascina você Mangueira

Guerreei na juventude

Fiz por você o que pude Mangueira

 

6 – Sempre Mangueira – Nelson Cavaquinho e Geraldo Queiroz (1968)

 

 

Boêmio incurável, Nelson Cavaquinho pertencia à cavalaria da polícia militar, mas deixava o serviço de lado para se divertir com os amigos que fez no Morro da Mangueira, enquanto dava as suas rondas.

 

Depois, tornou-se um dos mais importantes da música popular brasileira e um dos  filhos mais celebrados pela escola de samba. Por isso, Nelson retribuiu o carinho em 1968, com Sempre Mangueira, parceria com Geraldo Queiroz, gravada por Clara Nunes em 1972 e depois regravada por nomes como Beth Carvalho e Alcione.

 

Mangueira é celeiro

De bambas como eu

Portela também teve

O Paulo que morreu

Mas o sambista vive eternamente

No coração da gente

 

Veja também:

7 – Sei Lá Mangueira – Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho (1968)

 

Paulinho da Viola, portelense de coração, também criou a melodia para uma das canções mais emblemáticas em saudação à Mangueira: Sei Lá Mangueira, em parceria com Hermínio Bello de Carvalho, que escreveu a letra, logo após a sua primeira visita ao morro, encantado com o que havia conhecido. Lançada por Elizeth Cardoso, em 1968, a música foi inscrita no IV Festival de Música Brasileira da Record, quando foi defendida por Elza Soares. Depois, Jair Rodrigues, Alcione e Zizi Possi chegaram a gravá-la.

 

Vista assim do alto

Mais parece um céu no chão, sei lá

Em Mangueira a poesia feito um mar, se alastrou

E a beleza do lugar, pra se entender

Tem que se achar

Que a vida não é só isso que se vê

É um pouco mais

 

8 – Folhas Secas – Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito (1973)

 

Outra canção de Nelson Cavaquinho para a sua escola do coração foi feita em parceria com Guilherme de Brito e é um dos maiores clássicos da nossa MPB: Folhas Secas.

Lançada em 1973 por Beth Carvalho, a Madrinha do Samba, e no mesmo ano, por Elis Regina, ganhou regravações históricas nas vozes de Gal Costa e Emílio Santiago.

 

Quando eu piso em folhas secas

Caídas de uma mangueira

Penso na minha escola

E nos poetas da minha estação primeira

 

9 – Os Meninos da Mangueira – Sérgio Cabral e Rildo Hora  (1976)

 

Da mesma forma que o enredo da escola neste ano de 2022, a canção do historiador e compositor Sérgio Cabral em parceria com o instrumentista Rildo Hora, Os Meninos da Mangueira, une música brasileira e história, nos versos que homenageiam grandes figuras da escola, como Cartola, Dona Zica e Delegado.

A música foi lançada, em 1976, pelo cantor Ataulfo Júnior, filho de Ataulfo Alves, e – por conta de seu imenso sucesso – recebeu 12 regravações no mesmo ano, entre elas, de Jair Rodrigues. Depois, foi regravada por Sandra de Sá, em 1993.

 

Carlos Cachaça, o menestrel

Mestre Cartola, o bacharel

Seu delegado, um dançarino

Faz coisas que aprendeu

Com Marcelino 

E a velha-guarda

Se une aos meninos lá na passarela

Abram alas que vem ela

A Mangueira toda bela

 

10 – Estação Derradeira – Chico Buarque (1987)

 

Um dos maiores poetas da história da música popular brasileira, Chico Buarque nunca escondeu duas de suas maiores paixões: o futebol e o carnaval. Torcedor do Fluminense e da Mangueira, o compositor foi tema da escola em 1998, com um desfile que rendeu à Estação Primeira de Mangueira o título de campeã.

 

Antes, em 1987, Chico havia transformado esse amor em música: a clássica Estação Derradeira, em que o poeta expõe as mazelas do morro, sem deixar de observar as belezas que já o encantavam desde a sua infância.

 

Foi regravada por Alcione e Maria Bethânia.

 

Quero ver a Mangueira

Derradeira estação

Quero ouvir sua batucada, ai, ai

 

11 – Piano na Mangueira – Tom Jobim e Chico Buarque (1993)

 

Outra homenagem de Chico à Mangueira foi feita em parceria com outro grande nome da MPB: o maestro Tom Jobim.

 

Piano na Mangueira, lançada por Chico em 1993, foi regravada mais tarde pelo próprio Tom, e também por nomes como Gal Costa, Leila Pinheiro, Hamilton de Holanda, Jamelão e muitos outros. A letra destaca as figuras folclóricas do morro, como o malandro e a cabrocha que “pendura a saia no amanhecer da quarta-feira”.

 

Mangueira

Estou aqui na plataforma

Da estação primeira

O morro veio me chamar

De terno branco

E chapéu de palha

Vou me apresentar

12 – Atrás da Verde e Rosa Só Não Vai Quem Já Morreu – David Correa, Paulinho, Carlos Sena e Bira do Ponto (1993)

 

Maria Bethânia e Caetano Veloso gravaram, em 1995 e 1999 respectivamente, o samba-enredo que os homenageou (junto com os outros dois Doces Bárbaros, Gal Costa e Gilberto Gil) no desfile da Mangueira de 1994: Atrás da Verde e Rosa Só Não Vai Quem Já Morreu.

O título e o refrão da canção são inspirados no grande clássico carnavalesco composto por Caetano Veloso em 1969, Atrás do Trio Elétrico (“Atrás do Trio Elétrico Só não Vai quem já morreu…”). Considerado um dos sambas-enredo mais famosos da história, a canção também foi regravada por Alcione e Emílio Santiago.

Me leva que eu vou Sonho meu

Atrás da Verde-e-Rosa

Só não vai quem já morreu

 

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