Acabou Chorare, Bebel!

Isabella Oliveira
09:30 12.05.2022
Música

Acabou Chorare, Bebel!

Você consegue imaginar nascer em uma família assim?  Seu pai é também o Pai da Bossa Nova, um dos mais importantes movimentos da música popular brasileira de todos os tempos. Sua mãe, uma das mais talentosas cantoras que a MPB já conheceu. Seu tio, um dos maiores compositores e poetas do Brasil e do mundo, … Continued

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- 12.05.2022 - 09:30
Acabou Chorare, Bebel!
Acabou Chorare, Bebel!

Você consegue imaginar nascer em uma família assim? 

Seu pai é também o Pai da Bossa Nova, um dos mais importantes movimentos da música popular brasileira de todos os tempos. Sua mãe, uma das mais talentosas cantoras que a MPB já conheceu. Seu tio, um dos maiores compositores e poetas do Brasil e do mundo, responsável por compor muitos dos maiores clássicos da nossa história.

Sim, isso é possível! Filha de João Gilberto e Miúcha, sobrinha de Chico Buarque, a aniversariante de hoje – Bebel Gilberto – deu continuidade ao talento e ao legado da família e tornou-se também uma das grandes vozes de destaque da música popular brasileira e da música mundial também.

Bebel nasceu em Manhattan, Nova York, nos Estados Unidos, em 12 de abril de 1966, quando seu pai e sua mãe moravam no país por conta da carreira internacional de João Gilberto. 

A cantora e compositora teve sua estreia na música bem cedo: aos 9 anos já havia se apresentado no Carnegie Hall, em Nova York, com sua mãe e o saxofonista norte-americano de Jazz, Stan Getz, e já tinha participado – no Brasil – dos musicais Pirlimpimpim e Saltimbancos, de seu tio Chico Buarque, junto com sua mãe.

Bebel Gilberto foi também grande amiga de outro dos maiores compositores e poetas  da nossa história: Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza, com que compôs um dos maiores sucessos de sua carreira (junto com outro integrante do Barão Vermelho na época, o Dé): Preciso Dizer Que Te Amo. A canção entrou para o seu EP de estreia, Bebel Gilberto, em 1986.

Também com Dé e Cazuza, Bebel compôs a canção Mais Feliz (também presente em seu primeiro EP) e, somente com Cazuza, Mulher Sem Razão. Ambas tornaram-se grandes sucessos na voz de Adriana Calcanhotto, a primeira em 1990 e a segunda em 2008. Ney Matogrosso também gravou a esta última com sucesso.

Em 2000, 14 anos depois de seu primeiro disco, Bebel Gilberto lançou Tanto Tempo, álbum que alcançou a marca de um milhão de cópias vendidas em cidades europeias como Londres e Paris. Com o disco, Bebel inventou a “bossa eletrônica”, que passou a tocar em clubes e boates de todo o mundo e posicionou a cantora como uma das artistas brasileiras mais vendidas do Brasil nos EUA desde os anos 60.

Tanto Tempo trouxe grandes clássico da MPB como Samba da Bênção (de Baden Powell e Vinicius de Moraes), Samba e Amor (de Chico Buarque), So nice (Summer Samba) (de Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Norman Gimbel) e Bananeira (João Donato e Gilberto Gil), além de composições próprias. 

Com seu próximo álbum, Bebel Gilberto, de 2004 – que conta com uma versão para a língua inglesa de Baby, de Caetano Veloso – a cantora foi indicada ao Grammy Awards de Melhor Disco de World Music Contemporânea, e refinou seu som para criar um estilo lounge acústico que apresentou seus pontos fortes como uma compositora brasileira.

Veja também:

Com o lançamento do disco Momento, em 2007, já fez uma fusão entre Brasil e Estados Unidos, sendo indicada mais uma vez ao Grammy Awards, na mesma categoria. Em 2009, concorreu mais uma vez, dessa vez com o álbum All In One, e – em 2020 – voltou a ser indicada ao prêmio, desta vez na categoria Melhor Álbum de Música Global, com o disco Agora.

Em 2015, sua música Tudo, composta em parceria com Adriana Calcanhotto, foi indicada ao Grammy Latino na categoria Melhor Música Brasileira. 

Foto : Instagram | @BebelGilberto

Uma última curiosidade sobre a aniversariante do dia: foi inspirada nela, que um dos maiores clássicos da música popular brasileira foi composto. A história é a seguinte:

Acabou Chorare é uma música de Moraes Moreira, com letra de Luiz Galvão, um de seus maiores parceiros. É explicitamente influenciada por João Gilberto e pela estética da bossa nova.

A letra surgiu de uma abelha que pousou na mão de Galvão. Ele foi contar para João Gilberto – seu grande amigo e um dos padrinhos musicais dos Novos Baianos – que estava fazendo uma letra sobre a relação que criou com a abelha, pensando em como ela podia voar tão alto e chegar à cobertura do 4º andar do apartamento em que os Novos Baianos moravam em Botafogo. 

João achou fenomenal! E disse que havia conversado há pouco sobre abelhas com o poeta Capinan, que comentou sobre a abelha beijar a flor e fazer o mel. João completou dizendo: “E ainda faz zun-zun”. Galvão gostou muito da frase e perguntou para João Gilberto se podia utilizá-la.

O nome da música também veio de uma conversa de Galvão com João. O pai da bossa nova contou ao poeta que, quando moravam no México, sua filha Bebel, ainda uma criança, se machucou e ele ficou muito aflito. Ela, percebendo a aflição do pai, tentou esconder a dor e com a fala de quem estava ainda se alfabetizando e confundindo o português e o espanhol, acalmou-o dizendo: “Não, não! Acabou Chorare, papai!”.

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