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“Balé da bola”: a música de Gil para a copa de 98
“Balé da bola”: a música de Gil para a copa de 98
A música anda junto com o futebol, e isso, é ainda mais evidente durante a Copa do Mundo. Todas as edições de um dos mais importantes eventos esportivos existentes costumam ter uma trilha sonora própria e sempre tem um artista que faz uma canção para torcer pelo seu país. Como a competição ocorre de 4 … Continued

A música anda junto com o futebol, e isso, é ainda mais evidente durante a Copa do Mundo. Todas as edições de um dos mais importantes eventos esportivos existentes costumam ter uma trilha sonora própria e sempre tem um artista que faz uma canção para torcer pelo seu país. Como a competição ocorre de 4 em 4 anos, essas músicas geralmente espelham o cenário da época, o que faz com que elas não perpetuem, mas Balé da Bola, de Gilberto Gil, é uma exceção.
Balé da Bola foi escrita para a Copa do Mundo de 1998, que aconteceu na França. Neste ano, o Brasil chegou a ir para a final e disputou o troféu com a Holanda. O último jogo foi bem tenso, a seleção brasileira começou na frente, mas a Holanda logo empatou e teve que ter prorrogação. A Holanda se tornou campeã e o Brasil foi vice-campeão.

Mesmo sendo a contribuição brasileira para a Copa do Mundo de 98, o Balé da Bola não pode ser considerado uma canção de torcida. A letra faz um panorama geral sobre tradição e sobre a representação emblemática e histórica que coloca os jogadores como verdadeiros heróis para suas nações. Confira a letra de Gilberto Gil:
Balé da Bola
Quando meu olhar beijar Paris
Terei mais amor
Serei mais feliz
Sentirei no ar a emoção, no ar o ardor
Meu coração de torcedor
Esperou tanto tempo por esta ocasião
Que um dia o menestrel sonhou
Quando meu olhar beijar Paris
Terei mais amor
Serei mais feliz
Sentirei no ar a emoção, no ar o ardor
Meu coração de torcedor
Esperou tanto tempo por esta ocasião
Que um dia o menestrel sonhou
Magos da bola na Cidade Luz
Fazem milagres, transmutações
Dores e horrores que a vida produz
São transformados no balé da bola
Suor e sangue no balé da bola
Crime e castigo no balé da bola
Quando a seleção marcar um gol
Serão séculos
E mais séculos
Desde que na velha China, no velho Japão
Jogava-se com um balão
E na antiga Grécia ou na França medieval
Praticava-se o futebol
Quando a seleção marcar um gol
Serão séculos
E mais séculos
Transcorridos desde que os astecas e os tupis
Conforme a voz da lenda diz
Pelejavam com a lua-bola e o balão-sol
Num jogo de viver feliz
E hoje a bola rola mais perfeita
Esfera mágica, elevação
Nos pés dos ídolos deste planeta
Tem seu momento de consagração
A bola símbolo da perfeição
Tem seu momento de consagração
Quem lembrar Pelé ou Platini
Sabe o que se comemora aqui
Tantos que eu vi, tantos que eu não vi não (bis)
Todos têm aqui seu panteão.
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Composição
Balé da Bola foi composta e construída em poucos meses antes da competição que ocorreu na França. Gilberto Gil a escreveu especialmente para a Copa, entretanto, ela não é necessariamente uma canção de torcida, mas sim de reflexão sobre a bola e a representação daquele tipo de evento para diferentes países do mundo.
Quando Gil escreveu a canção, ele já tinha alguns shows na Europa. Dessa forma, a música foi composta também com a intenção de ser apresentada no continente. Durante essa maratona de apresentações, o Balé da Bola sempre abria o show.
A canção contou com um time pesado de artistas, especialmente sambistas, para que ela ficasse pronta em tão pouco tempo. A maioria dos músicos são bem conhecidos no Rio de Janeiro, principalmente no contexto das escolas de samba cariocas.
A gravação da música contou com Mart’nália no coro, Antenor Marques Filho, conhecido como Gordinho, e Carlos da Silva Pinto, o Beloba, no surdo, na caixa, no repique e no tamborim. Beloba também ficou responsável pelo tantã da canção.
No coro estavam Richah, Chico Donadoni, Xico Pupo, Márcio Lott, Dinorah (Affonsina Pires), Patricia da Hora, Analimar e Tânia Machado. Ovídio Brito estava no pandeiro, no repique, na caixa, no tamborim e na cuíca. Mestre Jorjão ficou com o baixo elétrico, na caixa, no repique e no surdo. Marcos Alcides da Silva, conhecido como Marcos Esguleba, estava no repique, no tamborim e na caixa.
Jaguaracy Pereira Machado, o Jaguara da Mangueira, ficou na caixa, no tamborim e no repique. Indo para os instrumentos em menor quantidade, que possuíam apenas um artista no comando, estava Paulinho Balthazar no cavaquinho, Gilson Peranzzetta nos teclados e no acordeão, Téo Lima na bateria, Paulo Roberto Corrêa, o Paulinho da Aba no pandeiro e Ubirany Nascimento no repique de mão. Gilberto Gil, além da voz, também ficou responsável pelo violão.
Lançamento
O lançamento foi feito um pouco antes da Copa do Mundo da França de 1998. O momento foi o responsável por fazer o sucesso da canção, que embalava no Brasil o clima da maior competição esportiva do mundo. Ela também foi divulgada na Europa, Gilberto Gil fez uma turnê no continente europeu durante esse período.
A visão de Gil sobre a Copa
A letra da música deixa bem em evidência o que Gilberto Gil pensa sobre a Copa. Para ele, o futebol e a Copa como expressão máxima desse esporte e do patriotismo, ultrapassa várias gerações e representa a história de uma nação. Dessa forma, os jogadores se tornariam magos, bailarinos e fariam arte naquele local que representaria para eles a honraria máxima.
É tão verdade que a canção ultrapassa o amor pessoal de Gil pela seleção brasileira que ela foi cantada um dia após a derrota do Brasil na final. Mesmo que a sua banda achasse ruim abrir o show com Balé da Bola, o artista baiano afirmou que não havia problema porque aquela era uma canção para todas as seleções e seria até mais interessante que a França ganhasse, pois, a música falava sobre balé e por estar em seu próprio país.


