Alaíde Costa completa 87 anos!

Novabrasil
10:30 08.12.2022
Jornalismo

Alaíde Costa completa 87 anos!

Com um timbre inconfundível e singular, voz suave e segura, afinação perfeita e um repertório de extremo bom gosto, Alaíde Costa é considerada uma das intérpretes mais talentosas da música popular brasileira de todos os tempos.  A cantora e compositora carioca completa 87 anos hoje e nós da Novabrasil estamos celebrando a sua vida e … Continued

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- 08.12.2022 - 10:30
Alaíde Costa completa 87 anos!
Alaíde Costa completa 87 anos!

Com um timbre inconfundível e singular, voz suave e segura, afinação perfeita e um repertório de extremo bom gosto, Alaíde Costa é considerada uma das intérpretes mais talentosas da música popular brasileira de todos os tempos. 

A cantora e compositora carioca completa 87 anos hoje e nós da Novabrasil estamos celebrando a sua vida e sua imensa contribuição para a nossa música e história.

Alaíde Costa é considerada uma das intérpretes mais talentosas da música popular brasileira de todos os tempos | Foto: Ênio César/Divulgação

Aos 13 anos, Alaíde Costa foi eleita como a melhor cantora jovem no Sequência G3, da Rádio Tupi, apresentado por Paulo Gracindo

Alaíde teve seu talento observado pelo irmão mais novo, que a inscreveu em um concurso de calouros de um circo. Em seguida, ela passou a se apresentar em programas infantis de rádio, sendo eleita – aos 13 anos –  como a melhor cantora jovem no Sequência G3, da Rádio Tupi, apresentado por Paulo Gracindo

Também se destacou no programa A Raia Miúda, na Rádio Nacional. Aos 16 anos, Alaíde trabalhava como babá de três crianças quando sua empregadora insistiu que ela participasse do programa Calouros em Desfile, apresentado por Ary Barroso, na Rádio Tupi. Ela foi, interpretou Noturno em Tempo de Samba, de Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, e recebeu nota máxima. Para a artista, este episódio foi definitivo para que seguisse a carreira de cantora. 

Alaíde iniciou formalmente sua vida profissional na música em 1955

Alaíde iniciou formalmente sua vida profissional em 1955, atuando como crooner da casa noturna carioca Dancing Avenida. Um ano depois, gravou seu primeiro disco de 78 rpm, apresentando a sua composição Tens que Pagar, em parceria com Airton Amorim.

No ano seguinte, gravou seu segundo compacto, pela Odeon, com o bolero Tarde Demais (de Raul Sampaio e Hélio Costa), profissionalizando-se também no rádio e nos estúdios de gravação. 

Alaíde Costa é considerada uma pioneira na luta pela emancipação da mulher negra na profissão de cantora popular no Brasil | Foto: Fotos: Arquivo pessoal/Gazeta do Povo.

A voz de Alaíde Costa chamou a atenção de João Gilberto

Durante uma das gravações feitas nos estúdios da Odeon, a voz de Alaíde Costa chamou a atenção de João Gilberto, que pediu ao produtor Aloysio de Oliveira que a convidasse para ir a uma reunião de jovens artistas na zona sul do Rio, por achar que o estilo da cantora tinha a ver com a música que eles estavam fazendo.

João e Alaíde não chegaram a se encontrar na gravadora nem na casa do pianista Bené Nunes, onde ela teve contato, pela primeira vez, com os compositores que estavam criando as músicas da Bossa Nova – movimento que nesta época ainda nem tinha esse nome. 

Alaíde Costa e João Gilberto (1956) | Foto: Divulgação.

Gosto de Você (1959): O primeiro LP de Alaíde Costa

Em 1959, ao lado de Sylvia Telles, Billy Blanco, Ronaldo Bôscoli, Carlos Lyra e Roberto Menescal, Alaíde participou do 1º Festival de Samba Session, no Rio de Janeiro, chamando muita atenção por seu talento. Ela empolgou a multidão com Chora Tua Tristeza (de Oscar Castro-Neves e Luvercy Fiorini), que – meses depois – se tornaria a primeira canção da Bossa Nova a estourar fora dos limites do movimento.

No mesmo ano, a artista lançou o seu primeiro LP, Gosto de Você, e em 1960 apresentou o segundo, Alaíde Canta Suavemente. O repertório dos discos traz uma predominância de artistas bossa-novistas, como:

  • Tom Jobim;
  • João Donato;
  • Vinícius de Moraes;
  • Menescal;
  • Lyra;
  • e Bôscoli.

A partir do álbum seguinte, sem deixar de cantar bossa nova, Alaíde diversifica seu repertório, mantendo sempre sua marca, em que prevalecem canções românticas, de ritmo cadenciado.

Em 1963, a artista apresentou a primeira música exclusivamente de sua autoria – Afinal

Em 1963, a artista apresentou a primeira música exclusivamente de sua autoria – Afinal – faixa que batiza o álbum lançado naquele ano. Além das canções próprias e das parcerias com Tom, Vinicius e Johnny Alf, Alaíde ainda tem músicas criadas com Geraldo Vandré e Hermínio Bello de Carvalho

Em 1972, no antológico disco Clube da Esquina – de Milton Nascimento e Lô BorgesAlaíde canta com Milton a música Me Deixa em Paz (de Monsueto Menezes e Airton Amorim).

Alaíde Costa compõe desde os 17 anos e, nas parcerias, assina as melodias, criadas ao piano

Ao longo de mais de 60 anos de carreira, Alaíde Costa lançou mais de 20 discos. Outros de seus grandes sucessos são Onde Está Você  (de Oscar Castro-Neves e Luvercy Fiorini) e Sonho de um Carnaval (de Chico Buarque). 

Em 2014, lançou Canções de Alaíde, totalmente dedicado aos trabalhos autorais. A artista compõe desde os 17 anos e, nas parcerias, assina as melodias, criadas ao piano.

Multifacetada, atuou também como atriz, recebendo em 2020 o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Gramado por sua atuação no filme Todos os Mortos, dos diretores Caetano Gotardo e Marco Dutra. Nos anos 60, participou do espetáculo teatral Os Monstros, de Denoy de Oliveira com direção de Ruth Escobar, ao lado de Raul Cortez.

Veja também:

Alaíde Costa também é considerada uma pioneira na luta pela emancipação da mulher negra na profissão de cantora popular no Brasil

Por sua história e sua postura diante do racismo que enfrentou durante toda a sua vida e carreira, Alaíde Costa também é considerada uma pioneira na luta pela emancipação da mulher negra na profissão de cantora popular no Brasil.

No livro Chega de Saudade, Ruy Castro ressalta que, mesmo após ter adquirido relevância no cenário musical,

“…Alaíde era perseguida pelo estigma que iria acompanhá-la por toda sua carreira: um mito entre os músicos e respeitada por todos os cantores, mas não tinha chances nas gravadoras”

Em entrevista à revista J.P, em 2020, a cantora afirmou:

“Até hoje batalho a minha carreira, ainda existe preconceito. O tipo de música que escolhi cantar trouxe dificuldades. Muitas vezes, ouvi: ‘Você tem que cantar uma coisinha mais alegre, samba’. Mas não me sinto à vontade”, afirma. “Na época, não tinha consciência, só percebi anos mais tarde. Mas águas passadas não movem moinhos.” 

Em outra entrevista, concedida ao The New York Times, para um artigo publicado em 2020 sobre Johnny Alf, a cantora aponta que havia um racismo velado por parte de integrantes da bossa nova.

O texto sustenta que a música de Johnny Alf já apresentava elementos que marcariam o gênero musical sete anos antes do lançamento do álbum Chega de Saudade, considerado o marco inicial bossa-novista, mas o artista não obteve reconhecimento público como pioneiro do movimento musical que ganharia o mundo. 

No artigo, Alaíde, cantora favorita de Alf, declara que nem ela nem ele percebiam a discriminação racial.

“Quando o movimento começou, eu já era profissional. Era convidada para os encontros porque podia ajudar o movimento de alguma maneira” (…) “Mas quando a bossa nova explodiu, senti que não era mais necessária”.

O Que Meus Calos Dizem Sobre Mim

Em 2020, durante o isolamento social por conta da pandemia, Alaíde Costa fez a sua primeira apresentação com transmissão ao vivo pela internet, dedicada à obra de Johnny Alf. A live emocionou o rapper Emicida e o produtor musical Marcus Preto e eles decidiram produzir um novo álbum da cantora – O Que Meus Calos Dizem Sobre Mim – com oito músicas inéditas, compostas especialmente para ela, por diversos nomes da MPB, como:

  • o próprio Emicida;
  • Céu;
  • Tim Bernardes;
  • Guilherme Arantes;
  • Erasmo Carlos;
  • João Bosco;
  • Ivan Lins;
  • Joyce Moreno;
  • e Nando Reis (este último, em parceria com a própria Alaíde).

Confira a entrevista completa que Alaíde Costa deu à Fabiane Pereira, no Papo de Música especial Presença Preta, aqui na Novabrasil:

Viva, a gigante Alaíde Costa, patrimônio vivo do nosso país! 

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