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Artistas que mudaram o gênero musical ao qual pertenciam
Artistas que mudaram o gênero musical ao qual pertenciam
Conheça a trajetória de nomes da MPB que navegaram por novos horizontes e mudaram sua forma de fazer música; confira especial
Muitos músicos resolvem mudaram o estilo e resinificaram suas carreiras musicais. Vamos te mostrar as diversas escolhas de artistas em navegar por caminhos mais incertos, mas certamente desafiadores.
Os motivos para mudar de carreira são diversos. Durante a década de 60 e 70, as gravadoras direcionaram seus artistas para rumos mais mercadológicos. Porém, muitos dos artistas citados não estavam satisfeitos com o sucesso e resolveram experimentar caminhos mais incertos.
Erasmo Carlos
Ícone incontestável do movimento chamado “Jovem Guarda”, Erasmo Carlos tinha um status confortável como compositor e encantava os mais jovens com suas músicas carismáticas que refletiam, principalmente, temas românticos.
No entanto, nos anos 70, Erasmo resolveu mudar e tornar o seu som mais maduro. Em 71 durante a ditadura militar, o tremendão como assim era chamado, lançou pela gravadora Philips o disco “Carlos, Erasmo”.
As composições tinham desde críticas ao modelo político da época como “É Preciso dar um jeito meu amigo”, que ganhou notoriedade por fazer parte do filme “Ainda Estou Aqui”, até canções mais intimistas como “Gente Aberta”.
O disco também marca o distanciamento do artista com a estética da Jovem Guarda e se aproxima de arranjos mais sofisticados com linhas de baixo mais complexas e metais que dão uma assinatura sonora muito característica.
Ronnie Von
Apesar de ter surgido no período da Jovem Guarda, Ronnie Von sempre rejeitou o rótulo. Ao contrário, o príncipe categoricamente queria fazer parte do movimento chamado “Tropicália”.
Ronnie era conhecido por ser um cantor popular. Suas interpretações de músicas dos Beatles como “Meu Bem” eram sucesso no programa “Pequeno Mundo de Ronnie Von”, que apresentou ao mundo bandas como Os Mutantes.
Cansado da fama de ser um cantor de sucessos temporários, Ronnie junto com Arnaldo Saccomani produziu três discos psicodélicos e assustou a todos com a ousadia.
Por conta disso, tornou-se um dos precursores de arranjos e técnicas de estúdios que transformam a música em uma verdadeira experiência lisérgica.
Odair José
O goiano Odair José iniciou sua carreira nos anos 70 e foi um sucesso comercial no meio brega. O cantor foi um sucesso comercial e agradava muito as gravadoras do país pela simplicidade de seu som e a verdade com que falava de temas cotidianos.
No entanto, foi em 1977, ano do punk rock, que Odair José surpreendeu a todos com o ambicioso e polêmico “Filho de José e Maria”.
O disco é repleto de temas polêmicos, espinhosos e religiosos, tudo envolta de um arranjo envolvente que lembra desde a psicodelia até a disco music. O disco se tornou um fenômeno cult e é reverenciado pela crítica, apesar de não ter sido bem recebido na época na qual foi lançado.
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Alceu Valença
Alceu Valença é uma sumidade na música brasileira. O músico sabe misturar perfeitamente as influências nordestinas com uma sonoridade cativante e uma melodia de embalar o povo.
Mas nem sempre foi assim. Alceu Valença iniciou sua carreira flertando com a crítica e o experimentalismo. Antes de tornar a sua sonoridade bastante pop, o cantor era conhecido por suas performances espontâneas e energéticas e com muitas músicas que mexiam com o imaginário, como é o caso do disco de estreia “Molhado de Suor” e o celebrado “Espelhos Cristalinos”.
No seu álbum ao vivo chamado “Vivo”, Alceu demonstra toda sua energia e experimentalismo que não havia sido visto antes.
Foi nos anos 80 que Alceu transformou toda sua energia experimental em algo pop, extremamente cativante e que fixou de vez no repertório de todos os brasileiros.
Tetê Espíndola
Tetê Espíndola tem uma carreira versátil e já trabalhou com diversos nomes. No começo da sua carreira em “Tetê e o Lírio Selvagem”, a intérprete trabalhou com seus irmãos e Almir Sater.
O começo da carreira de Tetê é marcado por forte influência da música de viola caipira, sertanejo raiz e músicas do folclore popular.
Em 1980, mesmo ano do lançamento de Piraretã, o cantor, compositor e pianista Arrigo Barnabé convida Tetê Espíndola para gravar o experimental Clara Crocodilo.
A cantora dividiu os palcos entre a viola caipira e a música seriada de Arrigo Barnabé.
Jorge Ben Jor
Para finalizar a lista com chave de ouro não poderíamos esquecer de Jorge Ben Jor.
O musicista chamou a atenção de todos no começo dos anos 60 com seu samba gingado, sua malemolência e composições super ritmadas. O cantor andava com musicistas de diversos movimentos, desde a tropicália até os sambistas mais consagrados.
11 anos após o lançamento do seu primeiro disco, Jorge Ben resolveu se desafiar e produzir o álbum “A Tábua De Esmeralda” um disco conceitual que aborda temas místicos, esotéricos e celebra a diversidade da música brasileira em suas mais diversas riquezas, seja no experimentalismo contemporâneo ou no jeito único de fazer samba.