Três novas artistas do Nordeste do Brasil para você conhecer

Lívia Nolla
10:00 28.05.2024
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Música

Três novas artistas do Nordeste do Brasil para você conhecer

Conheça UANA, Assucena e Heloá, nesta semana especial em que apresentaremos novos artistas de cada uma das 5 regiões do Brasil

Avatar Lívia Nolla
- 28.05.2024 - 10:00
Três novas artistas do Nordeste do Brasil para você conhecer
Conheça UANA, Assucena e Heloá. Foto: Montagem

Região Nordeste

Não tem nada mais bonito no Brasil do que a nossa diversidade. Somos um país plural e isso se reflete na nossa música, arte, cultura, moda e gastronomia. Cada canto do país traz um pouco da nossa beleza e brasilidade.

Por isso, nesta semana especial, nós da Novabrasil apresentaremos novos artistas musicais de cada uma das cinco regiões do Brasil para você conhecer melhor.

Começamos ontem, com a Região Norte, e hoje trouxemos a Região Nordeste, conhecida por sua rica diversidade cultural, sendo a região brasileira que possui o maior número de estados: nove no total, todos litorâneos.

É de lá, que apresentamos para vocês a pernambucana UANA, a baiana Assucena, e a sergipana Heloá.

A artista pernambucana Uana | Foto: Uhgo / Divulgação

UANA

A cantora e compositora recifense, UANA – vencedora do Prêmio Revelação pelo WME/ Billboard 2023 – mescla a cultura popular e o pop internacional em seu trabalho, mesclando – de forma inteligente – uma série de referências de fora, sob uma ótica bem brasileira. 

Com uma leva de bons singles lançados desde 2021, a UANA vem apresentando canções que passeiam pelo R&B, o brega funk e o brega romântico. 

Passione, seu mais recente lançamento, e sexto single lançado pela artista em 2023 (este no mês de dezembro), é uma composição dos conceituados Junio Barreto e Jorge Du Peixe, originalmente lançada em 2011 no álbum Setembro, projeto de Junio Barreto que se tornou um ilustre clássico da música pernambucana contemporânea. 

Antes disso, o single Pena Que Acabou, trouxe como principal base o afrobeat, mas também elementos que conversam com a música pop e o reggaeton.

Há mais de oito anos, UANA vem musicando seus processos, passando por fases sonoras distintas, que ressaltam sua inquietude artística e expansão criativa. Ela começou como atriz, virou a atriz que canta, e depois passou a circular pelo universo da música popular pernambucana, com uma pesquisa ampla em torno de gêneros como o coco, o maracatu e o forró.

Realizou turnê na Europa com seu antigo grupo, o Sagaranna, e desde 2021, trilha carreira solo trazendo singles e participações que desaguam numa construção musical contínua. O single de estreia foi Mapa Astral, seguido por Pirraça e Sonhei com Você.

“Eu fui uma criança, uma adolescente que consumiu muita MTV, então tudo aquilo, Destiny’s Child, Shakira, todas as divas do pop eram muito minha referência, mas eu não sabia muito onde encaixar isso, pois eu estava cantando outras coisas, como forró, coco – que eu também amo e que de alguma maneira hoje em dia ainda conversam com o meu trabalho”. Esse encontro entre os múltiplos universos que formam UANA é o que deixa seu trabalho ainda mais único e cheio de originalidade.

A parceria de UANA com o rapper FBC, rendeu duas músicas: Quando o Dj Toca, do premiado álbum BAILE, e a mais recente, o single Facin, de 2023. 

A artista já está trabalhando em seu disco de estreia, que deve chegar durante o segundo semestre de 2024.

Conheça o trabalho de UANA:

Assucena

A artista baiana Assucena | Foto: Natalia Mitie / Divulgação

Nascida em Vitória da Conquista, na Bahia, a cantora, compositora e atriz Assucena já foi duplamente premiada no Prêmio da Música Brasileira (2018) e indicada duas vezes ao Grammy Latino, respectivamente nos anos de 2019 e 2020, com sua primeira banda, As Baías

O trio – que antes chamava As Baías e a Cozinha Mineira – foi formado na Universidade de São Paulo, quando Assucena cursava História, ao lado de Raquel Virgínia e Rafael Acerbi, e revolucionou a cena musical brasileira, sendo Assucena e Raquel as primeiras artistas trans a serem indicadas e premiadas nessas categorias. 

Depois de seis anos na banda e três discos lançados, Assucena lançou-se em carreira solo em 2022, desenvolvendo suas aspirações musicais e poéticas próprias, passeando influências de ritmos diversos como o samba, o rock e a música pop contemporânea.

Entre suas principais referências estéticas, Assucena destaca a cena de MPB dos anos 70 – calcada nas vozes de Elis Regina e Gal Costa, nas letras de Jards Macalé e Aldir Blanc e na poesia de Waly Salomão, entre outros – mas sem tirar os pés do agora, utilizando de forma criativa gêneros e elementos da música brasileira e pop contemporânea em suas novas composições. 

O samba Parti do Alto anunciou o seu primeiro primeiro álbum autoral, em maio de 2023, apesar de não ter entrado nele. Depois vieram os singles Menino Pele Cor de Jambo, com bastante influências de Jorge Ben Jor, e Nu, em que a luz e a brasilidade sonora se apresentam como elementos fundamentais. 

Em seu primeiro álbum – Lusco-Fusco, lançado em setembro de 2023 – Assucena traz uma reflexão sobre o Brasil contemporâneo e sobre o meu corpo como território político. 

Veja também:

A artista, que mergulha fundo em suas pesquisas sobre a música popular brasileira, também regravou uma releitura da música Ela, de César Costa Filho e Aldir Blanc, gravada por Elis Regina, em 1971.

Assucena também apresentou, desde dezembro de 2021, o show Rio e Também Posso Chorar, uma releitura que homenageia os 50 anos do disco Fatal – Gal a Todo Vapor, de Gal Costa, grande referência da artista baiana.

Como atriz, Assucena foi indicada ao Prêmio Shell, por sua personagem na peça Mata teu Pai, Ópera-balada, com texto de Grace Passô e direção de Inez Viana, em 2022.

Conheça o trabalho de Assucena:

Em 2023, Assucena esteve no programa Vitrine, da Novabrasil, e conversou comigo sobre a sua carreira. Vale a pena conferir:

Heloá

A artista sergipana Heloá | Foto: Raiane Souza / Divulgação

Com 15 anos de carreira e passagens importantes por diversos festivais, centros e espaços culturais do Brasil, a multiartista sergipana Heloá traz uma bagagem de premiações e grandes feitos, nos quais se dedica às pesquisas das matrizes afro-brasileiras e indígenas. 

Com uma sonoridade em meio a quilombos, aldeias e povos tradicionais, fonte de inspiração e de pertencimento, seu trabalho traz sons de tambores, maracás e reverência às forças sagradas de Orixás, caboclos, encantados, o Nordeste e o Brasil profundo em suas manifestações. 

Tem a cultura popular também como grande inspiração, mestres, mestras, que trazem cantos e a cultura oral passada por gerações. Como artista, Heloá está presente em todo o processo criativo da sua carreira, desde as composições, aos figurinos, direção criativa e roteiro audiovisual de seus clipes e filmes. 

A sergipana soma uma discografia com três álbuns, dois EPs e um DVD. Seu EP de estreia, Solta (2013), lhe rendeu premiações em importantes festivais em seu estado e no Nordeste. Em seguida, a artista migrou para São Paulo e lançou seu primeiro álbum, EU (2016).

Já em Opará (2019), seu segundo disco, Heloá contou com participações muito especiais de Mateus Aleluia, Fabiana Cozza, Mestrinho, Indígenas da aldeia Kariri-Xocó e o Grupo Mulheres Livres (grupo de mulheres sul-africanas). 

O segundo EP, Opará na Pista (2020), trouxe uma roupagem eletropop a canções produzidas por DJs e produtores musicais brasileiros.

Para celebrar seus 15 anos de trajetória, Héloa estreou Afluentes (2021), um filme que apresenta imagens de suas memórias ao longo da carreira junto a um show ao vivo, gravado nas margens do rio Vaza Barris, em Sergipe, resultando também no EP Afluentes, que saiu via selo Candyall Music. 

Esse trabalho abriu caminho – em 2022 – para o yIDé, seu mais recente álbum, que tem a produção musical de Carlinhos Brown e Yuri Queiroga e conta com a participação especial de grandes nomes como Mateus Aleluia, Margareth Menezes, Lia de Itamaracá, e Luiz Caldas.

O álbum é um retorno às “tradições” dos povos africanos da diáspora no Brasil, interseccionadas com as tradições dos povos originários, que resistem no país, em que a artista compreende nesse transitar, a forma de (re)construir sua identidade no presente e no futuro.

Em 2022, a artista foi indicada em três categorias no Prêmio Profissionais da Música: Melhor Cantora, Melhor Autora e MPB Nordeste, categoria em que foi vencedora.

Conheça o trabalho de Heloá:

por Lívia Nolla

Siga a Novabrasil nas redes

Google News

Tags relacionadas

atualidades brasilidade Brasilidades cultura héloa Livia Nolla MPB música música popular música popular brasileira nordeste nordestinas região nordeste sergipe uana
< Notícia Anterior

Campanha contra a pólio deste ano é “aposentadoria do Zé Gotinha”

28.05.2024 08:11
Campanha contra a pólio deste ano é “aposentadoria do Zé Gotinha”
Próxima Notícia >

Dez festivais de música brasileira para curtir no 2º semestre de 2024

28.05.2024 11:20
Dez festivais de música brasileira para curtir no 2º semestre de 2024
colunista

Lívia Nolla

Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

Suas redes