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Entenda as principais diferenças entre samba paulista e samba carioca
Entenda as principais diferenças entre samba paulista e samba carioca
Quando se fala em gêneros musicais, principalmente os mais antigos, as pessoas costumam ter uma ideia generalizada. Entretanto, até mesmo dentro de cada gênero existem várias vertentes que possuem características tão relevantes e especiais quanto as que definem o geral. O samba, neste sentido, não seria diferente. Muita gente acha que o samba paulista e … Continued
Quando se fala em gêneros musicais, principalmente os mais antigos, as pessoas costumam ter uma ideia generalizada. Entretanto, até mesmo dentro de cada gênero existem várias vertentes que possuem características tão relevantes e especiais quanto as que definem o geral. O samba, neste sentido, não seria diferente. Muita gente acha que o samba paulista e o samba carioca são a mesma coisa, mas temos diferenças.
Por pertencerem ao mesmo gênero, o samba carioca e o samba paulista possuem sim várias semelhanças. Suas diferenças, entretanto, são igualmente marcantes, visto que elas refletem diretamente a história de seus estados e a construção de identidade desses locais.
Assim, é preciso desbravar um pouco dos acontecimentos passados para começar a entender as diferenças entre samba carioca e samba paulista.
O que é o samba?
O samba é um gênero musical de raízes africanas que deu seus primeiros passos antes mesmo do século XX, tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro, quando os afro-brasileiros se encontravam em seus momentos de lazer para fazer batuques e rodas de samba.
O ritmo é conhecido principalmente por suas raízes cariocas e baianas, mas a história de São Paulo também tem uma forte influência do samba.
A ligação do Rio de Janeiro com os batuques é antiga e popular, e a Rádio Nacional é uma das principais causas disso. A emissora inaugurada em 1936 foi responsável por divulgar sambistas cariocas por todo o Brasil, grandes nomes como Donga, Orlando Silva e Carmen Miranda são dessa época.
Essa não foi a primeira manifestação do samba carioca, mas foi um ponto crucial para a popularização dele pelo Brasil.
Já em São Paulo, as primeiras manifestações do samba aconteceram no interior do estado. Segundo o sambista Geraldo Filme, a origem do ritmo no solo paulista foi em 1908, em rodas de samba na cidade de Pirapora do Bom Jesus. Entretanto, o pesquisador musical Tadeu Augusto Matheus afirma que existem registros mais antigos, de festas com batucadas em senzalas na cidade de Piracicaba, que datam de 1722.

Samba paulista
Segundo o historiador Tadeu Augusto, os primeiros registros do samba paulista datam ainda do ano de 1722, quando aconteciam os batuques dentro das senzalas em Piracicaba, no interior do estado. Mas é a história de outra cidade que mais se encontra com o ritmo, Pirapora do Bom Jesus.
Em 1725, quando foi espalhada a crença de que uma imagem de madeira do Senhor Bom Jesus, encontrada às margens do Rio Tietê, em Pirapora do Bom Jesus, havia realizado o milagre de devolver a fala a um mudo, várias pessoas ficaram curiosas para conhecer o lugar do milagre.
Com a história espalhada pelos quatro cantos de São Paulo, fazendeiros passaram a frequentar as festas do Bom Jesus no local, levando consigo as pessoas que mantinham como escravas, elas, por sua vez, se mantinham distantes dos senhores de terras e organizavam seus batuques.
Então, mesmo após a abolição da escravatura em 1888, as pessoas que eram mantidas como escravas e seus descendentes continuaram indo para Pirapora na época da romaria. Vinha gente de toda parte, São Paulo, Sorocaba, Tatuí, Piracicaba e por aí vai. Então, com isso, foi-se construindo um ritmo com bastante mistura de regiões.
E foi a partir daí que o samba se espalhou por São Paulo, com uma forte influência regionalista que, inclusive, é a principal característica que o diferencia das outras vertentes presentes no país.
Instrumentos
Muitos dos instrumentos que eram tipicamente usados no samba paulista acabaram sendo deixados de lado e, atualmente, os instrumentos do samba paulista são praticamente os mesmos do samba carioca. Ainda assim, vale a pena relembrar a serventia de cada um.
Bumbo
O bumbo é um instrumento de percussão cilíndrico que possui um som bem grave e seco. Ele é considerado de grande porte e pode estar acoplado a outros tambores para a formação de uma bateria, ele é o que fica no centro. Quando sozinho, o bumbo é ligado ao seu instrumentista por duas alças vestidas de forma semelhante a uma mochila escolar.
Caixa de bambu
A caixa de bambu tinha formato semelhante a uma caixa e era feita com pedaços de bambu, por isso o nome. O seu som era semelhante ao do reco-reco, ou seja, uma espécie de chocalho, mas sem a necessidade de haver pedaços de objetos que formassem som ao serem chacoalhados, o som era feito somente com a raspagem.
Reco-reco de bambu
O reco-reco, que hoje pode ser feito com vários tipos de madeira, mas que na época era feito com bambu, consiste em um instrumento cilíndrico de raspagem (que se parece com uma berinjela) com algumas protuberâncias em seu corpo. O seu som sai quando o instrumentista passa a baqueta ao longo de sua extensão.
Frigideira
A frigideira musical tem esse nome pois ela realmente se parece bastante com uma frigideira. Ela é feita de metal, tem formato circular e um cabo para segurar o instrumento. Para fazer o som, o instrumentista bate nela com uma baqueta que tem a ponta circular que é feita com um material apropriado para este instrumento.
Caixa de engraxate
A caixa de engraxate era usada como um instrumento do samba paulista desde que o gênero começou a surgir. Existem poucos estudos sobre este instrumento, entretanto, os indícios é de que ele era usado como chocalho ou como uma espécie de tambor.
Samba carioca
No Rio de Janeiro, as rodas de samba tiveram início na famosa Pedra do Sal, uma grande pedra com degraus que dão acesso ao Morro da Conceição, na capital.
Era aí que, há centenas de anos, as pessoas escravizadas descarregavam o sal vindo do porto. Então, com o tempo, comunidades negras foram se formando na região pelos bairros da Saúde e Gamboa e, posteriormente, na Cidade Nova e Estácio. Na época, essa região passou a ser chamada de “Pequena Àfrica”, por concentrar uma população muito grande de africanos de diferentes origens.
Foi neste contexto que a cultura trazida por eles começou a se popularizar no Rio. Com a abolição da escravatura, em 1888, as pessoas negras, que eram até então escravizadas, passaram a poder vender seu trabalho.
Mas, na época, os artistas eram proibidos de mostrar sua música em público, devido à repressão policial. Por isso, esses artistas se refugiavam nas casas das famosas “Tias baianas”, as mulheres que trabalhavam vendendo comida ou costura. Era nesses lugares que após as celebrações de rituais religiosos de sua cultura – o Candomblé, na época – eles se juntavam em rodas de samba, com seus batuques característicos.
Instrumentos
Os instrumentos do samba carioca podem ser divididos em duas vertentes: os instrumentos de percussão (que são em maior número) e os instrumentos de corda.
Pandeiro
O pandeiro é um instrumento em formato majoritariamente circular (havendo apenas alguns exemplares que brincam com as formas) e consiste basicamente em uma pele esticada sobre uma haste com pequenos círculos de metal que fazem o som assim que se bate na pele.
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Este instrumento de percussão está não somente no samba como também em outras manifestações artísticas brasileiras, como na capoeira, por exemplo.
Surdo
O surdo, também conhecido como timbalão de chão, é um instrumento de percussão que possui um barulho mais grave. Ele pode ou não estar acoplado a outros instrumentos de percussão, formando uma bateria completa. Geralmente, ele é feito de madeira e tem formato cilíndrico.
O surdo é um instrumento de médio porte. O cilindro que o forma costuma ter quase um metro de altura e a pele que o reveste e cria o som pode estar em apenas uma extremidade ou nas duas.
Tamborim
O tamborim é um instrumento que se assemelha bastante com o pandeiro, visualmente falando. Ele consiste na colocação de uma membrana sobre uma haste circular de metal. A diferença entre os dois é que não há círculos de metal na haste que faz o som.
O que provoca o som no tamborim é o uso da baqueta. Esse utensílio é formado por três hastes relativamente flexíveis presas em um cabo para segurá-las e servir de apoio ao instrumentista.
Ganzá
O ganzá, também conhecido como canzá, é um instrumento de percussão que tem formato cilíndrico e o seu funcionamento é semelhante ao de um chocalho.
O ganzá costuma ser longo, mas fino. A sua sustentação geralmente é formada por um tubo de metal ou de plástico. O cilindro do ganzá é preenchido por areia, grãos e cereais que, quando agitados, formam o som. O cumprimento deste instrumento varia de 15 a 30 centímetros.
Agogô
O agogô é um dos instrumentos de percussão mais antigos utilizado no samba carioca. Ele consiste basicamente em um grupo de até 4 sinos acoplados (chamados campânulas) que fazem o som na medida em que o instrumentista os aciona com uma baqueta.
Existem algumas divergências a respeito do número mínimo de sinos que devem estar presentes para formar o agogô, algumas pessoas dizem que apenas 1 sino não é agogô, ou seja, é preciso no mínimo 2, mas outras defendem que 1 sino com haste e baqueta já é sim agogô.
Cavaquinho
Passando agora para os instrumentos de corda usados no samba carioca, chegou a hora do cavaquinho. O cavaquinho tem formato semelhante ao violão, a diferença primordial na aparência é na questão do tamanho, uma vez que ele é visivelmente menor.
O cavaquinho possui o seu corpo em formato de oito completamente oco por dentro. Este instrumento de corda possui quatro cordas e o seu som é um pouco mais suave que o do violão, sendo bem característico.
Violão
O violão, conhecido em muitos lugares como guitarra clássica, é um dos instrumentos mais tradicionais do mundo, sendo utilizado para praticamente todos os gêneros musicais, no samba não seria diferente.
Ele também tem formato de 8 e é oco por dentro, igual ao cavaquinho, mas seu corpo é menor. A diferença entre os dois instrumentos não fica somente no tamanho: enquanto o cavaquinho tem 4 cordas, o violão tem 6. Essas cordas, na maioria das vezes, são de nylon.
Cuíca
A cuíca é um dos instrumentos mais importantes do samba carioca, mas ela não se encaixa nem como instrumento de corda, nem como instrumento de percussão. O seu formato é cilíndrico, o seu corpo é de madeira, e há uma membrana de couro presa internamente com uma haste de madeira ligada a ela.
Para fazer o som, o instrumentista deve passar um pano molhado nesta haste. O som da cuíca foi por muitas vezes considerado desconexo, entretanto, é ele que marca o samba carioca.
Quais as diferenças?
É importante esclarecer que, apesar de muitos pensarem que sim, o samba paulista não é derivado do carioca e nem ao contrário. Cada um teve sua própria história.
A principal e maior diferença entre o samba paulista e o carioca são justamente as origens de cada um. A forma como o ritmo se integrou em cada um dos estados foi determinante para definir o futuro das ramificações.
Nos dois lugares, o samba tem uma imensa importância histórica. Entretanto, cada um do seu jeito.
Enquanto o samba de São Paulo até hoje é influenciado pela regionalidade de sua origem, o samba carioca vive o impulso que lhe foi dado lá no início, na popularização do rádio no Brasil.
Além disso, o som, apesar de ser mais perceptível para quem acompanha o ritmo com mais afinco, também apresenta suas diferenças de uma região para a outra.
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