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Ney Matogrosso relata rotina na pandemia
Ney Matogrosso relata rotina na pandemia
Aderindo ao isolamento social, como forma combate ao novo coronavírus, Ney Matogroso está em quarenta ao lado da mãe em seu santuário particular. Veja também: Lulu Santos troca letra de música por conta da pandemia Fagner e Zeca Baleiro se preparam para lançar música inédita e álbum Nando Reis reorganiza agenda de … Continued

Aderindo ao isolamento social, como forma combate ao novo coronavírus, Ney Matogroso está em quarenta ao lado da mãe em seu santuário particular.
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Em entrevista ao portal Terra, Ney Matogrosso diz não estar abalado, assim como não esteve em nenhuma fase atravessada pelos seus 78 anos. Ou melhor, houve sim um momento, lá pelo início dos anos 1980, em que a culpa bateu e que ele não se sentia feliz. No entanto, depois da terapia o cantor logo se reencontrou. Afirma ele.
De fato, Ney passou por maus bocados durante muitos anos. Ele relembra como foi o início da década de 80 com a chegada da Aids no Brasil e que certa vez foi ao cemitério três vezes, em uma semana, enterrar amigos com a doença. Além disso, em sua juventude atravessou uma guerra mundial, viveu numa ditadura de 21 anos e teve que enfrentar todo tipo de gente.
Por isso, dessa vez, quando soube que o mundo iria começar a virar de pernas para o ar mais uma vez por conta do novo coronavírus, Ney chamou um amigo e foi para onde sempre vai quando não está gravando discos ou com shows na estrada. Mesmo próximo dos 80 anos, o cantor seguiu para a fazenda que tem desde 1990 em Sampaio Correia, distrito de Saquarema, em uma serra que possui o mesmo nome da fazenda e, por sinal, coincidência ou destino, seu próprio nome: Mato Grosso.
É lá, na Fazenda Mato Grosso, que Ney passa seus dias de isolamento social, sem poder voltar para o Rio de Janeiro e quebrando a série de shows marcados de sua turnê Bloco na Rua. Para o cantor, não há sacrifícios porque a Fazenda Mato Grosso trata-se do lugar mais próximo de tudo o que ele tem como ideia de mundo perfeito, desde os dias de infância em Campo Grande vividos entre cães e pássaros em uma mata nos fundos de sua casa. Bem como, um riacho de águas cristalinas, muitos caminhos a se desbravar por entre as árvores, uma jacutinga, espécies de aves que uma vida não catalogaria e uma cachoeira.
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Na fazenda, o cantor fica em uma casa de dois andares, com muita madeira e bem decorada, mas sem luxo. E, a alguns metros dali, descendo pela estradinha de terra, sua mãe, Dona Beíta, 97 anos, vive como quer, cuidando das galinhas e dos porcos.
De acordo com o cantor, os vírus, falando também do Covid-19, irão encontrar muita dificuldade se quiserem achar hospedeiros para chegar até a fazenda porque eles precisariam primeiro se instalar em algum dos produtos que chegam raramente a um armazém próximo. Mas tudo o que chega é lavado e levado por um funcionário que os deixam a uma distância segura até a fazenda, além de ter que resistir às desinfecções cuidadosas de sua mãe.
Ney ainda afirma que não há mudança de rotina. “Aqui não tenho que tomar precaução.” Ele sai para fotografar pássaros, plantas e borboletas com seu celular e, quando a temperatura permite, se banhar na cachoeira que fica a um quilômetro da casa de madeira. Mas não imagine Ney cantando pela floresta. “Eu não canto, não sou de cantar. Nem no banheiro.”
Sobre ficar em quarentena no Rio, o cantor diz: Não iria ficar preso no meu quarto, no Rio. Agora, eu sei também que é difícil para muita gente. Traga pra cá alguém da cidade grande para ver se a pessoa não pira de solidão”. As pessoas estão tendo de conviver com elas mesmas. Então, aproveite essa oportunidade de estar só, de se conhecer, olhar para dentro de si.”
Ele finaliza: “É hora de pensar e repensar como você está se colocando nesse mundo. As pessoas passam a vida olhando para fora. E não pirem, porque é bom ficar só. Vai ser difícil para muitos, mas procurem tirar um bom proveito disso. É bom ficar só.”
Texto: Kaike Bersot


