Você sabia que o Emicida reinventou a MPB?

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10:00 15.10.2025
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Música

Você sabia que o Emicida reinventou a MPB?

Do rap às raízes africanas, o artista paulistano transformou o hip-hop em ponte para a música popular brasileira e em manifesto sobre identidade, afeto e negritude

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- 15.10.2025 - 10:00
Você sabia que o Emicida reinventou a MPB?
Foto: Divulgação.

Você sabia que um dos maiores representantes da Música Popular Brasileira hoje é um rapper? Pois é. Emicida — Leandro Roque de Oliveira — transcendeu o rap e o transformou em uma nova forma de MPB: moderna, consciente e cheia de ancestralidade. Sua arte mostra que a música popular não é um gênero fechado, mas uma linguagem viva que pulsa nas ruas, nas periferias e nas vozes negras do país.

Nascido na Zona Norte de São Paulo, Emicida começou rimando improvisos em batalhas de rap. O talento o levou do metrô ao palco do Theatro Municipal, onde gravou o histórico álbum AmarElo (2019), uma obra que costura hip-hop, samba, soul e MPB com mensagens de afeto e resistência. A canção-título, feita em parceria com Majur e Pabllo Vittar, é um hino de empatia e autocuidado em tempos de intolerância e ódio.

Mas o impacto de Emicida vai além da música. Ele é um pensador contemporâneo que entende o rap como parte da tradição negra brasileira — a mesma que gerou o samba, o maracatu e o candomblé. Em AmarElo – É tudo pra ontem, documentário lançado pela Netflix, ele afirma: “O que a gente chama de cultura é o que sobrou da nossa sobrevivência”. Essa frase resume sua filosofia: fazer arte é existir apesar do racismo estrutural.

Emicida. Foto: Divulgação.

Emicida leva a MPB de volta às suas origens — o povo, o cotidiano, a luta. E, ao mesmo tempo, projeta o futuro de uma música mais inclusiva e plural. Sua poesia urbana fala de autoestima, ancestralidade e amor preto, mostrando que o Brasil negro não apenas resiste, mas cria, sonha e inspira.

Quando Emicida canta “permita que eu fale, não as minhas cicatrizes”, ele devolve humanidade a milhões de jovens negros que nunca se viram representados. Sua voz é um espelho, um manifesto e uma ponte entre gerações. É a MPB do século XXI: periférica, consciente e livre.

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