As 10 maiores músicas de Maysa

Lívia Nolla
10:30 06.05.2025
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Arte e cultura

As 10 maiores músicas de Maysa

Conheça os 10 maiores sucessos de Maysa, a musa do samba-canção que eternizou a dor de cotovelo na música brasileira com interpretações emocionantes e inesquecíveis.

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- 06.05.2025 - 10:30
As 10 maiores músicas de Maysa
Maysa foi uma das maiores vozes de seu tempo | Foto: Jorge Butsuem/Reprodução

Se não tivesse nos deixado em janeiro de 1977, Maysa Figueira Monjardim Matarazzo estaria completando 89 anos hoje. Hoje vamos relembrar as 10 maiores músicas de Maysa.

Sobre Maysa

Nascida no Rio de Janeiro, dia 6 de junho de 1936, em uma família tradicional e abastada da sociedade, vinda do Espírito Santo, desde jovem Maysa demonstrou aptidão para as artes, especialmente a música. Aos 12 anos, já compunha canções (sua primeira composição foi a canção “Adeus“) e tocava violão, embora a família não incentivasse sua carreira artística, desejando que seguisse padrões sociais mais convencionais.

Aos 18 anos, casou-se com o empresário André Matarazzo Filho, membro de uma das famílias mais influentes de São Paulo. 

Em 1956, Maysa lançou seu primeiro álbum, “Convite para Ouvir Maysa”, que trouxe sucessos como “Adeus” e “Ouça”. Seu estilo vocal, ao mesmo tempo melancólico e sofisticado, a destacou na cena musical brasileira, em um período dominado por intérpretes mais contidas. Maysa emocionava profundamente, abrindo espaço para o chamado “samba-canção” ou, como ficou conhecido popularmente, “música de fossa” ou “de dor de cotovelo”.

Seu maior sucesso, “Meu Mundo Caiu”, lançado em 1958, virou um verdadeiro hino nacional das desilusões amorosas e consolidou sua imagem como uma cantora intensa, de personalidade forte e vida pessoal marcada por paixões tumultuadas. Maysa rapidamente tornou-se uma das maiores estrelas do Brasil, com apresentações em programas de rádio e televisão, além de shows em cassinos e teatros.

No fim dos anos 50, rompeu com as convenções da elite paulistana, separou-se do marido – que não apoiava a sua carreira – e partiu em turnês internacionais, apresentando-se em diversos países pelo mundo.

À Frente do seu tempo, Maysa teve uma vida intensa e uma carreira que marcou a história da música brasileira | Foto: Divulgação/Editado.

Ao longo da carreira, Maysa também se aproximou da bossa nova, embora sua alma estivesse sempre ligada à melancolia do samba-canção. Sua versão de “O Barquinho”, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, é considerada uma das mais delicadas e emocionantes do gênero.

Além de cantora, Maysa foi compositora de muitas de suas músicas, demonstrando sua versatilidade e domínio artístico. Sua vida pessoal foi marcada por romances, polêmicas e uma busca incessante por liberdade, o que lhe conferiu o posto de mulher moderna e à frente do seu tempo, mas também a fez sofrer por conta da depressão e do abuso do álcool.

Maysa faleceu tragicamente em um acidente de carro, em 22 de janeiro de 1977, aos 40 anos, deixando um legado incontestável na música brasileira. Sua voz, marcada pelo timbre rouco e pela interpretação visceral, continua a emocionar e influenciar artistas de várias gerações. 

Maysa foi uma artista à frente de seu tempo, que desafiou convenções sociais e estéticas, e deixou uma marca profunda na música popular brasileira. Sua capacidade de interpretar com intensidade e dor moldou uma geração de artistas e abriu espaço para novas formas de expressão feminina na música. Mesmo décadas após sua partida, seu legado permanece vivo e influente.

Sua trajetória virou tema de livros, filmes e até uma minissérie de televisão, reafirmando seu papel como uma das figuras mais importantes da história da música popular brasileira.

As 10 maiores músicas de Maysa

A seguir, listamos as canções que marcaram a trajetória de Maysa e que até hoje são lembradas como símbolos de sua potência artística:

  • 1. “Ouça” (Maysa)

Composta por Maysa, “Ouça” é um clássico absoluto do samba-canção. Lançada em 1957 – no segundo LP da carreira da artista, chamado “Maysa” – tornou-se uma das músicas mais associadas à artista, destacando-se pela interpretação cheia de sentimento e sofrimento amoroso.

Maysa compôs “Ouça” para falar da dor que sentia com a situação em que seu casamento se encontrava, porque o marido não queria mais que ela atuasse como cantora, pois isto não era bem visto pela sociedade machista e conservadora daquela época.

  • 2. “Meu Mundo Caiu” (Maysa)

Um dos maiores sucessos da sua carreira, lançado em 1958, no álbum “Convite Para Ouvir Maysa Nº. 2”, virou hino das desilusões amorosas. A letra é confessional, e a interpretação visceral de Maysa a eternizou como a rainha da música de fossa.

Segundo Maysa, é fato afirmar que após sua separação, explodiu seu impulso criativo. É desta época que nasceram seus maiores clássicos e as composições de maior sucesso de sua carreira, inclusive “Meu Mundo Caiu”.

Durante este período, o tom de suas letras começou a mudar, suas músicas começaram a adquirir um viés cada vez mais dramático, rodeadas sempre pelos mesmos temas que atormentavam Maysa. A cantora se desnudava cada vez mais ao público em cada letra, sua personalidade era transposta nos versos e a mostravam cada vez mais aflita e angustiada.

  • 3. “Alguém Me Disse” (Jair Amorim e Evaldo Gouveia)

Embora não seja de sua autoria, Maysa transformou essa música em um dos grandes sucessos de sua carreira, graças à sua capacidade única de transmitir emoção e vulnerabilidade.

Composição de Jair Amorim e Evaldo Gouveia, lançada no álbum “Voltei”, de 1960.

Veja também:

  • 4. “O Barquinho” (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli)

Um dos maiores clássicos da bossa nova, “O Barquinho foi gravada por João Gilberto no mesmo ano, mas ganhou uma versão emocionante na voz de Maysa, em 1961, com um tom mais intimista, evidenciando sua versatilidade como intérprete.

  • 5. “Hino ao Amor” (Edith Piaf e Marguerite Monnot / Vers. Odair Marsano)

Versão brasileira de “Hymne à l’amour”, da francesa Edith Piaf, a canção foi um tributo de Maysa à sua musa inspiradora. Sua interpretação é carregada de dramaticidade, uma de suas marcas registradas.

Foi gravada no 5º álbum da cantora, “Maysa é Maysa… É Maysa… É Maysa”, de 1959, com versão em português de Odair Marsano.

  • 6. “Tarde Triste” (Maysa)

Composta pela própria Maysa,Tarde Triste” foi lançada no seu primeiro álbum “Convite para Ouvir Maysa”, de 1956, quando a cantora ainda estava casada e seu marido não a permitia colocar sua foto nas capas de seus álbuns. 

No lugar apareciam orquídeas orvalhadas sobre um cartão com o “Convite Para Ouvir Maysa”. No ano seguinte, já divorciada, Maysa aparece na capa de seu segundo álbum, ao lado das flores.

É uma das canções mais emblemáticas de sua carreira. A música expressa com intensidade a solidão e a melancolia que sempre marcaram sua trajetória artística. A interpretação, carregada de emoção, transforma a canção em um verdadeiro retrato da alma da cantora.

  • 7. “Demais” (Tom Jobim / Aloysio de Oliveira)

Na sua interpretação para “Demais”, Maysa conferiu ainda mais dramaticidade à canção, com sua voz carregada de emoção, ressaltando a melancolia que atravessa toda a sua obra.

A música de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira havia sido lançada em 1959, por Sylvia Telles, e foi regravada por Maysa em 1964.

  • 8. “Ne Me Quitte Pas” (Jacques Brel)

A versão em francês, com a interpretação melancólica e intensa de Maysa – do clássico do belga Jacques Brel – tornou-se uma das versões mais marcantes desta canção no Brasil, demonstrando sua conexão com a música européia.

Foi gravada pela cantora no álbum “Maysa Sings Songs Before Dawns”, lançado nos EUA, em 1961, e “Maysa Matarazzo”, lançado na Argentina, no mesmo ano. No Brasil, entrou para o álbum “Maysa”, de 1966. 

Esta versão foi usada pelo cineasta espanhol Pedro Almodóvar, no filme “Lei do Desejo”, de 1987. Também foi usada em 2001, para a minissérie brasileira “Presença de Anita” e em 2009, na minissérie “Maysa: Quando Fala o Coração”.

  • 9. “Resposta” (Maysa)

Mais uma composição própria, “Resposta” é um dos registros mais pessoais de sua carreira, onde a artista dialoga com a temática do amor e da despedida, elementos tão recorrentes em seu repertório.

Lançada também no seu primeiro álbum.

  • 10. “Bom, Dia Tristeza” (Adoniran Barbosa e Vinicius de Moraes)

Um clássico que Maysa gravou com toda sua sensibilidade. A interpretação revela a intimidade de Maysa com a tristeza, tema recorrente em sua obra e na sua própria trajetória pessoal.

A composição de Adoniran BarbosaeVinicius de Moraes foi lançada por Aracy de Almeida em 1957, e regravada por Maysa em 1958, no seu terceiro álbum, de 1958. 

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Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

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