5 aniversariantes musicais de 17 de agosto

Lívia Nolla
08:00 17.08.2024
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Música

5 aniversariantes musicais de 17 de agosto

Elba Ramalho, Monarco, João Donato, Candeia e Emicida, além de serem grandes nomes da música popular brasileira, todos nasceram no mesmo dia e cada um traz uma contribuição significativa e diversa para a MPB; confira

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- 17.08.2024 - 08:00
5 aniversariantes musicais de 17 de agosto
Elba Ramalho. Foto: Divulgação

Você sabe o que Elba Ramalho, Monarco, João Donato, Candeia e Emicida têm em comum, além de serem todos grandes nomes da nossa música popular brasileira? Todos eles nasceram no dia 17 de agosto, um dia muito especial para a nossa música! 

Cada um deles nasceu em um ano diferente e traz uma contribuição significativa e diversa para a música popular brasileira. 

Por isso, neste 17 de agosto, vamos contar um pouco da história de cada um dos aniversariantes do dia para vocês.

Monarco

Monarco “– Foto: Daryan Dornelles / Divulgação

Hildemar Diniz, o Monarco, nasceu no Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1933. 

Cantor e compositor, Monarco cresceu em um ambiente musical e desde jovem se envolveu com o samba, frequentando rodas de samba e blocos carnavalescos. 

Nos anos 1950, começou a frequentar a Portela, onde foi influenciado por grandes nomes do samba como Paulo da Portela, Manacéa e Casquinha.

Sua carreira musical começou a decolar nos anos 1970, quando suas composições começaram a ganhar reconhecimento e a serem gravadas por outros artistas. 

Ele se destacou com canções como: 

  • Lenço (parceria com Francisco Santana, de 1957, gravada por nomes como Paulinho da Viola e Beth Carvalho);
  • Passado De Glória (de 1970)
  • Tudo Menos Amor (parceria com Walter Rosa, de 1973, gravada por Martinho da Vila e por Leci Brandão)
  • O Quitandeiro (parceria com Paulo da Portela, de 1976)
  • Jardim da Solidão (de 1979, gravada por Clara Nunes)
  • Coração Em Desalinho (parceria com Alcino Correia “Ratinho”, de 1986, gravada por nomes como Zeca Pagodinho, Maria Rita, Mart’nália e Diogo Nogueira)
  • Vai Vadiar  (parceria com Alcino Correia “Ratinho”, de 1998, gravada por nomes como Zeca Pagodinho, Mariana Aydar e Diogo Nogueira).

Monarco também lançou vários álbuns solo, sendo Monarco, de 1976, um dos mais notáveis.

Além de sua carreira solo, Monarco desempenhou um papel fundamental na preservação e promoção do samba de raiz. Ele foi presidente de honra da Velha Guarda da Portela, grupo que reúne antigos compositores e sambistas da escola, e atuou ativamente para manter viva a tradição do samba autêntico.

Ao longo de sua carreira, Monarco recebeu diversos prêmios e homenagens por sua contribuição à música brasileira. Sua obra é marcada pela valorização das raízes do samba e pelo compromisso com a cultura popular.

Monarco faleceu em dezembro de 2021, aos 88 anos, deixando um legado significativo para a música brasileira e uma influência duradoura no samba. Seu trabalho continua a inspirar novas gerações de sambistas e a celebrar a rica tradição do samba carioca.

João Donato

João Donato | Foto: Lucas Seixas (Folhapress)

Nascido no Acre, em 17 de agosto de 1934, o pianista, acordeonista, arranjador, cantor e compositor João Donato foi um dos grandes nomes da MPB e completou mais de 70 anos de uma sólida e inventiva carreira na música.

Em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro com a família e começou a participar ativamente do circuito musical da cidade. Primeiro tocou em festas de sua escola e depois passou a atuar na casa de Dick Farney e no Sinatra-Farney Fan Club, do qual era membro. 

Em 1949, aos 15 anos de idade, iniciou sua carreira profissional como integrante do grupo Altamiro Carrilho e Seu Regional. Dois anos depois, começou a estudar piano.

Em 1953, formou seu próprio grupo, Donato e Seu Conjunto e fez parte do grupo Os Namorados. No ano seguinte, formou o Trio Donato. Em 1956, mudou-se para São Paulo, onde atuou como pianista do conjunto Os Copacabanas e na Orquestra de Luís Cesar. Logo, gravou o seu primeiro álbum, Chá Dançante, produzido por Tom Jobim

João Donato participou ativamente do movimento da Bossa Nova. Em 1958, voltou para o Rio de Janeiro e passou a dedicar-se ao piano. Daí em diante, ganhou cada vez mais reconhecimento nacional e internacional, notabilizando-se como pianista.

Em 1959, viajou para o México com Nanai e Elizeth Cardoso. Em seguida, transferiu-se para os Estados Unidos, onde residiu durante três anos. Nesse país, atuou com Carl Tjader, Johnny Martinez, Tito Puente e Mongo Santa Maria. Donato também excursionou com João Gilberto pela Europa. Em 1962, voltou para o Brasil e, em 1963, retornou aos Estados Unidos, onde viveu por mais dez anos.

Muito criativo, João Donato promoveu fusões musicais do jazz com a música caribenha e foi um dos grandes responsáveis – ao lado de nomes como João Gilberto e Tom Jobim – por difundir a música popular brasileira no exterior.

Como arranjador participou de discos de grandes nomes da MPB como Gal Costa, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Elizeth Cardoso, além de trabalhar com Chet Baker.

Entre suas principais composições, estão os sucessos: 

  • Minha Saudade (parceria com João Gilberto, de 1955); 
  • Amazonas (1965); 
  • Até Quem Sabe (parceria com Lysias Ênio, de 1973); 
  • A Rã (parceria com Caetano veloso, de 1974); 
  • Lugar Comum (parceria com Gilberto Gil, de 1974); 
  • Emoriô e Bananeira (parcerias com Gil, de 1975);
  • Brisa do Mar (parceria com Abel Silva, de 1981); 
  • Simples Carinho (com Abel Silva, de 1982); 
  • Gaiolas Abertas (parceria com Martinho da Vila, de 1982); 
  • A Paz (parceria com Gilberto Gil, de 1987); 
  • Cadê Você (parceria com Chico Buarque, de 1987);
  • Doralinda (parceria com Cazuza, de 1996).

João Donato faleceu 17 de julho de 2023, exatamente um mês antes de completar 89 anos, em decorrência de uma série de problemas de saúde.

Candeia

Candeia | Foto: Reprodução

Um dos maiores nomes da música popular brasileira de todos os tempos, Antônio Candeia Filho, o Candeia, nasceu no Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1935. 

Cantor, compositor e instrumentista, é uma referência no samba carioca, além de um grande defensor e divulgador da cultura afro-brasileira. Figura importante na história da Portela, desde a infância conviveu com outros grandes sambistas e participou da fundação da Escola.

Sem abandonar o samba, no início da década de 1960, ingressou na Polícia Civil, assumindo o cargo de investigador. No entanto, sua carreira como policial terminou de modo trágico, em dezembro de 1965, ao se envolver em um incidente de trânsito, em que acabou surpreendido pelo motorista que estava abordando, que lhe desferiu cinco tiros. Um deles alojou-se na medula espinhal e o deixou sem movimento nas pernas.

Com a paralisia, foi obrigado a se aposentar por invalidez e passou a se locomover em cadeira de rodas. A partir daí, Candeia dedicou-se exclusivamente ao samba, tendo lançado seis discos de sucesso, a partir de 1970.

O artista deixou um legado de grandes sambas para a história da música brasileira, como os clássicos: 

Veja também:

  • A Flor e o Samba (de 1969, gravado por nomes como Elza Soares, Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila e Mart`nália); 
  • Dia De Graça (de 1970, gravada por nomes como Elza Soares, Martinho da Vila e Teresa Cristina); 
  • Filosofia do Samba (de 1971, gravada por Paulinho da Viola e Martinho da Vila);
  • O Mar Serenou (lançada por Clara Nunes, em 1975, e regravada por nomes como Alcione, Beth Carvalho, Jorge Aragão e Luciana Mello); 
  • Preciso Me Encontrar (lançada por Cartola, em 1976, e depois regravada por nomes como Ney Matogrosso e Marisa Monte); 
  • Amor Não é Brinquedo (parceria com Martinho da Vila, de 1978);
  • Pintura Sem Arte (de 1978).

Caindeia nos deixou precocemente, em 1978, aos 43 anos, vítima de uma infecção renal, mas seu legado para a música brasileira é eterno.

Elba Ramalho

Elba Ramalho | Foto: Divulgação

A paraibana Elba Ramalho nasceu em 17 de agosto de 1951 e é uma das grandes vozes da nossa música popular brasileira.

Cantora, compositora, atriz e multi-instrumentista, Elba começou a sua carreira no teatro, em um grupo formado ainda na escola, quando ela tinha 14 anos.

O Coral Falado Manuel Bandeira, fazia encenações híbridas da poética nacional e internacional, misturando música, dança e teatro e, mais tarde, ultrapassou as fronteiras do ambiente escolar e transformou-se em uma Fundação Artístico-Cultural em que Elba atuou como uma das principais diretoras e atrizes.

Também na escola,a paraibanamontou a sua primeira banda, formada apenas por mulheres, em que ela tocava guitarra e bateria. Dona de uma bela e poderosa voz, para começar a cantar, foi um pulo!

Depois de participar da montagem do musical Ópera do Malandro, de Chico Buarque, em 1978, lançou o seu primeiro disco, Ave de Prata, no ano seguinte.

Ao longo dos seus mais de 40 anos de carreira, participou de diversas montagens no teatro e no cinema e vendeu mais de 10 milhões de discos, tornando-se uma das maiores artistas da nossa MPB e grande representante da cultura nordestina em nosso país.

Com seis indicações ao Grammy Latino, Elba Ramalho gravou e conviveu com nomes como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dominguinhos. Na Festa de São João de Campina Grande, considerada a maior do mundo e realizada anualmente na cidade, a presença da cantora é tradicional e seu show é o mais esperado todo ano.

Formou também, ao lado de Geraldo Azevedo, Alceu Valença e Zé Ramalho, um dos maiores encontros da música popular brasileira: o icônico Grande Encontro.

Entre os maiores sucessos em sua voz estão as canções: 

  • Banho de Cheiro (Carlos Fernando)
  • Bate Coração e Forró do Xenhenhem (ambas de Cecéu)
  • Olha Pro Céu (Luiz Gonzaga e José Fernandes)
  • O Meu Amor (Chico Buarque)
  • Ai Que Saudade D’ocê (Vital Farias)
  • De Volta Pro Aconchego e Vem Ficar Comigo (ambas de Dominguinhos e Nando Cordel)
  • Ciranda da Rosa Vermelha (Alceu Valença)
  • Sabiá (Luiz Gonzaga e Zé Dantas)
  • Dia Branco (de Geraldo Azevedo e Renato Rocha)
  • Chão de Giz e Frevo Mulher (ambas de Zé Ramalho).

Emicida

Emicida | Foto: Bruno Trindade

Leandro Roque de Oliveira – o Emicida – nasceu no dia 17 de agosto de 1985. O rapper, cantor, letrista, compositor, apresentador e empresário paulistano é considerado uma das maiores revelações do hip hop do Brasil da década de 2000.

Emicida cresceu na Zona Norte de São Paulo, em uma família humilde. Desde cedo, ele foi influenciado pela música, especialmente pelo rap e hip-hop. Começou a compor suas próprias rimas ainda adolescente e se destacou nas batalhas de rap improvisadas, conhecidas como “batalhas de freestyle”. 

Seu nome artístico, “Emicida“, é uma fusão das palavras “MC” e “homicida”, referindo-se ao seu talento em “matar” seus oponentes nas batalhas de rima.

Sua carreira começou a ganhar destaque em 2009, com o lançamento de sua primeira mixtape, Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, até que Eu Cheguei Longe…. A mixtape foi um sucesso e ajudou a estabelecer Emicida como uma das principais vozes do rap nacional. Suas letras abordam temas sociais e políticos, como desigualdade, racismo e violência, sempre com um toque poético e reflexivo.

Em 2010, lançou a segunda mixtape, Emicídio, consolidando ainda mais sua posição na cena musical. Em 2013, lançou seu primeiro álbum de estúdio, O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui, que recebeu elogios da crítica e do público. Em 2015, lançou Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…, um álbum influenciado por uma viagem que fez à África, que trouxe uma nova perspectiva sobre suas raízes e a diáspora africana.

Emicida é também um empreendedor e ativista. Fundou – junto com o seu irmão, o músico e empresário Evandro Fióti – o selo Laboratório Fantasma, que além de produzir e distribuir música, também atua no segmento de moda e outras iniciativas culturais. Ele usa sua plataforma para promover debates sobre questões sociais e incentivar a juventude a lutar por seus direitos e sonhos.

Ao longo de sua carreira, Emicida recebeu diversos prêmios e honrarias, incluindo o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa, pelo antológico álbum AmarElo.

Sua obra é marcada pela busca constante por inovação e pela defesa da igualdade e justiça social. Além da música, Emicida também se aventura na literatura e no cinema, sempre com o objetivo de ampliar sua mensagem e seu impacto na sociedade.

O rapper continua a ser uma voz influente na cultura brasileira, inspirando novas gerações com suas rimas e sua visão crítica do mundo. Seu trabalho transcende o rap, fazendo dele uma figura central na luta por um Brasil mais justo e igualitário.

Por isso, em 2022, no aniversário do artista, nós preparamos uma matéria completa e super especial, que traz tudo sobre a vida e carreira de Emicida.

Acesse aqui, para que conhecer mais sobre a trajetória e a obra desse gigante da cena contemporânea da nossa música. 

por Lívia Nolla

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Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

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