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Retrospectiva meio ambiente: veja os princiais acontecimentos de 2024
Retrospectiva meio ambiente: veja os princiais acontecimentos de 2024
O ano de 2024 ficou marcado por diversas tragédias ambientais e negligências
Com recordes de incêndios e temperaturas, enchentes que devastaram cidades e famílias, animais que perderam suas casas, 2024 foi um ano de muitos desafios climáticos ao redor do mundo.
Um novo relatório da Climate Central e da World Weather Attribution revela que 2024 atingiu novos patamares perigosos para o clima. De acordo com o documento, as mudanças climáticas intensificaram 26 dos 29 eventos climáticos estudados pelas instituições. Essas catástrofes mataram pelo menos 3 mil e 700 pessoas, além de prejuízos bilionários.
Relembre algumas tragédias climáticas que aconteceram no mundo neste ano:
Enchentes no Rio Grande do Sul
No final de abril, uma das maiores tragédias climáticas do país devastou o Rio Grande do Sul. Em pouco mais de uma semana, mais de 400 municípios gaúchos tiveram bairros inteiros engolidos por uma chuva que não parava de cair. Ao menos 182 pessoas perderam as suas vidas e quase 42 mil casas foram destruídas Na ocasião, a repórter Vivian Leal acompanhou a tragédia de perto: “A água tomou conta de tudo. Ainda tem gente saindo de lá, porque muitos se recusam a sair. A cidade Eldorado do Sul, por exemplo, que fica aqui na grande Porto Alegre, está praticamente devastada. O município foi 100% inundado pelas águas.”, relatou Vivian.
Ao todo, 478 municípios foram afetados. Sete meses após a tragédia, centenas de pessoas ainda vivem em abrigos, sem casa própria.
Na avaliação de Marcelo Dutra, professor e ecólogo, a região carece de iniciativas para evitar situações devastadoras como esta: “As cidades precisam ser adaptadas, mas só isso não basta. A gente precisa aumentar o ritmo de descarbonização, melhorar as práticas de uso e ocupação dos espaços, recursos de consumo. Não é possível que a gente continue governando as cidades sem nenhuma responsabilidade sócio ambiental”, avalia.
Mudanças climáticas
Este é o ano mais quente da história da humanidade, segundo observatório europeu Copernicus. Além disso, 2024 será o primeiro ano a ultrapassar o limiar de aquecimento de um grau e meio relativo ao período pré-industrial, o limite estabelecido pelo Acordo de Paris.
O mundo sentiu na pele as consequências. Em 7 de junho, por exemplo, o Egito registrou um recorde nacional de 51°C. No México, a temperatura chegou aos 52 °C, a maior já registrada no país. Várias outras nações como Espanha, Itália, Japão, China, Austrália, Brasil também tiveram temperaturas recordes neste período.
Tufões fizeram grande estragos em regiões como China, Japão e Filipinas, deixando mortos e rastros de destruição.
Além do Brasil, outros países também sofreram com fortes enchentes. A última grande tragédia aconteceu em Valencia, na Espanha. Este foi o maior desastre que a região da viveu. A catástrofe deixou mais de 220 mortos, milhares de desabrigados e a cidade completamente destruída.
Em 2015, os líderes mundiais fecharam um acordo, em Paris, em que prometiam a redução em até 50% das emissões de gases poluentes até 2030, e zerá-lo em 2050. A meta não foi cumprida e os países mais ricos continuam insistindo no uso dos combustíveis fósseis.
Os dados mais recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU mostram que as emissões de gases do efeito estufa precisam ser reduzidas em 43% até 2030, ação necessária para evitar maiores impactos e eventos extremos como secas, ondas de calor e enchentes, por exemplo, que já estão aumentando em frequência e intensidade.
Segundo o relatório “The 2023 Global Report”, da Lancet Countdown, as mortes por calor extremo aumentarão em cinco vezes até 2050.
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Incendios florestais
Os biomas brasileiros bateram recordes de incêndios em 2024. Nos 11 primeiros meses do ano, o número de focos aumentou 43,7% na Amazônia, 64,2% no Cerrado e 139% no Pantanal, em comparação ao mesmo período de 2023, sgundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Berto Mesquita, membro do grupo estratégico da coalizão Brasil, comentou que as perdas com as queimadas são enormes: “O desmatamento dessas áreas acaba comprometendo a capacidade de produção de água e por consequência de 01:49 abastecimento de produção de energia do país. perder Floresta perder vegetação nativa seja na Amazônia seja no cerrado é sempre um problema que a gente às vezes imagina como um problema. Apenas ambiental mas acaba se tornando também um problema climático um problema econômico e um um problema social“, explicou Berto.
Na Amazônia, com quase 135 mil focos de incêndio até novembro, número de queimadas é o maior em quase duas décadas. Para o ambientalista Carlos Nobre, a situação é urgente: “A gente já chegou em um ponto de não retorno e se for o caso né não sei também Talvez um reflorestamento seria possível pra gente recuper ar essa área perdida. A poluição é tão grande que mesmo caminhando milhares e milhares de quilômetros pelo oceano ela transporta a poluição até lá o Sul do do Oceano Atlântico”, avaliou Carlos Nobre.
Cop29 e a exectativa para 2025
Os resultados da COP 29, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, ficaram aquém das expectativas dos países em desenvolvimento. Após horas de negociações, foi firmado um acordo de financiamento climático de 300 bilhões de dólares anuais até 2035, valor inferior aos 500 bilhões solicitados por algumas nações
Houve reclamações de que o valor não era o suficiente e que era uma mistura de subsídios e empréstimos. Países ficaram incomodados com a forma como as nações ricas esperaram até o último minuto para revelar suas cartas.
Agora, as expectativas ficam para o próximo ano, na COP30, com muitos desafios, como:
– alinhar os compromissos de países desenvolvidos e em desenvolvimento em relação ao financiamento climático.
-garantir que as metas de redução de emissões sejam compatíveis com a ciência climática
– lidar com os impactos socioeconômicos das mudanças climáticas em populações vulneráveis


