Novabrasil
Presidente Lula, Mauricio de Sousa e Walter Salles lamentam a morte de Ziraldo; veja repercussão
Presidente Lula, Mauricio de Sousa e Walter Salles lamentam a morte de Ziraldo; veja repercussão
Família e amigos se despedem de “pai” do menino maluquinho; corpo foi velado no MAM, no Rio de Janeiro
Artistas, escritores e políticos lamentaram a morte do cartunista Ziraldo, na tarde deste sábado (6), em sua casa no Rio de Janeiro, aos 91, de falência múltipla dos órgãos.
O corpo do desenhista e escritor Ziraldo foi velado no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro na manhã deste domingo (7). O sepultamento foi marcado para 16h30 no Cemitério São João Batista, na Zona Sul da cidade.
O desenhista Mauricio de Sousa escreveu em suas redes sociais que perdeu mais que um grande amigo, “perdi um irmão”. “Das letras, dos traços e da vida! Mas ele estará sempre em meu coração. E nos corações de milhões de brasileiros maluquinhos de todas as idades, que seguirão apaixonados por sua obra. Viva, Ziraldo!.”
O cineasta Walter Salles afirmou que o Brasil perde um “mestre genial, lúdico, que influenciou o imaginário de gerações e gerações”.
“‘Flicts’, Jeremias o Bom, O Menino Maluquinho e tantos outros personagens nos ensinaram a sonhar e nos educaram, e o Pasquim nos ajudou a resistir, a pensar o mundo. E ainda temos suas charges demolidoras, seus cartazes de cinema, seu traço único e inesquecível. Ziraldo parte, mas seu legado imenso fica –junto com uma família de criadores maravilhosos, seus filhos Daniela, Fabrizia e Antônio, seus netos e milhões de admiradores no Brasil e no mundo”, disse o cineasta.
O presidente Lula (PT) se solidarizou com a família e os amigos de Ziraldo e destacou as “inúmeras e diversas contribuições” do cartunista para a cultura brasileira e “na defesa da imaginação, de um Brasil mais justo, com democracia e liberdade de expressão”.
A atriz Leticia Sabatella agradeceu Ziraldo pelos livros e quadrinhos e por ter “brincado com personagens, cores, humor, política”.
Como Ziraldo e Mauricio de Sousa juntaram a Mônica com o Menino Maluquinho
O desenhista Mauricio de Sousa disse que a morte de Ziraldo é como “perder um irmão”. Amigos de longa data, os dois se conheceram no início dos anos 1960, quando Sousa, ainda em início de carreira e “sonhando em ter um gibi”, foi pedir uma ajuda para o cartunista.

“Peguei um trem de Bauru para São Paulo e depois fui para o Rio de Janeiro, com alguns trabalhos embaixo do braço para a nossa tão importante conversa”, relembra o desenhista em texto encaminhado à reportagem.
Sousa conta que chegou a fazer para Ziraldo algumas tiras da “Turma do Pererê”. A ideia era tentar publicar o trabalho nos jornais dos Diários Associados, influente conglomerado de mídia do século passado.
As tirinhas, porém, acabaram se perdendo e nunca mais foram encontradas.
“A parceria não aconteceu naquele dia. Uma porta fechou e outra abriu. Mal sabia eu que, naquele dia, iria ganhar algo eterno: o meu grande irmão de produção de materiais para crianças”, afirma o criador da Turma da Mônica.
Os dois fizeram algumas parcerias anos depois. E, em 2018, lançaram um livro juntos, em que os principais personagens de ambos se encontram –“Mônica e o Menino Maluquinho na Montanha Mágica”.
O “crossover” voltou a acontecer em 2019 com a publicação de “5, 4, 3, 2, 1 Mônica e Menino Maluquinho Perdidos no Espaço”. “Hoje, meu irmão partiu para uma outra viagem. Vai deixar saudade, personagens e histórias memoráveis. Viva, Ziraldo!”
Leia na íntegra o texto encaminhado por Mauricio de Sousa
Veja também:
“Conheci o Ziraldo no início dos anos 1960, quando estava sonhando em ter um gibi, assim como ele.
Peguei um trem de Bauru para São Paulo e depois fui para o Rio de Janeiro, com alguns trabalhos embaixo do braço para a nossa tão importante conversa.
Na época, fiz algumas tiras do Pererê, para ele. Mas o Ziraldo as perdeu e nunca mais as vimos.
A parceria não aconteceu naquele dia. Uma porta fechou e outra abriu. Mal sabia eu que, naquele dia, iria ganhar algo eterno: o meu grande irmão de produção de materiais para crianças. E, anos depois, nossos personagens se encontraram mais de uma vez.
Hoje, meu irmão partiu para uma outra viagem. Vai deixar saudade, personagens e histórias memoráveis. Viva, Ziraldo!”
História de vida:
Ziraldo, nasceu em 24 de outubro de 1932 em Caratinga, na região leste de Minas Gerais, e tinha sete irmãos. Lá, ele viveu durante a infância. O nome dele era uma homenagem à mãe (Zizinha) e ao pai (Geraldo).
Seu primeiro desenho foi publicado quando tinha apenas seis anos de idade, no jornal “A Folha de Minas”.
Ele também era formado em direito, mas foi nas artes que ele se encontrou profissionalmente. Com Vilma Gontijo, teve três filhos: Daniela, Fabrizia e Antônio. Saiba mais sobre a história dele aqui
Obras:
Ao longo de tantos anos de carreira, Ziraldo construiu um vasto conjunto de obras. Veja quais são elas:
- O Menino do Rio Doce
- Prêmio Galo de Ouro – troféu desenhado por Ziraldo para o Festival Internacional da Canção – 1966
- A supermãe
- Flicts
- O Aspite
- Turma do Pererê
- O Menino Maluquinho
- O Bichinho da Maçã
- Tia Nota Dez
- A Fábula das Três Cores
- O Joelho Juvenal
- O Menino da Lua
- Menina das Estrelas
- O Planeta Lilás
- Uma Professora Muito Maluquinha
- Vito Grandam
- O Menino e seu Amigo
- Jeremias, o Bom
- Queremos Paz (em parceria com crianças de todo Brasil por meio do Portal Educacional)
- O Menino Quadradinho
- Almanaque Maluquinho – Esportes Radicais
- Os dez amigos
- Rolim
- O Olho do Consumidor
- Menina Nina
- Lili no Mundo da Lua
- Noções de Coisas
- Pra Boi Dormir (Ilustrador)
Com informações da Folhapress

