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“Madonna in Rio. “Eu fui”

Fabiane Pereira
13:09 06.05.2024
Autor

Fabiane Pereira

Jornalista e radialista
Jornalismo

“Madonna in Rio. “Eu fui”

Madonna fez uma viagem ao tempo e contou a história da sua vida como se fosse um diário

Fabiane Pereira - 06.05.2024 - 13:09
“Madonna in Rio. “Eu fui”
Madonna durante show no Rio. Foto: Reprodução

Eu vi a maior cantora de todos os tempos numa distância de menos de 10 metros durante o show que transformou a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, na maior pista de dança do mundo. Sim, esse texto é em primeira pessoa porque gostaria de contar (e me gabar, claro!) a todos a experiência catártica que vivi no último sábado ao assistir, in loco, o show de encerramento da Celebration Tour da Madonna.

Fui convidada para a área VIP do show pela Deezer – plataforma de streaming e única marca diretamente ligada a música que patrocinava o evento. Cheguei ao local às 19h30 e esperei por mais de três horas a rainha absoluta do pop mundial dar as caras no imenso palco montado nas areias da praia mais famosa do Brasil, em frente ao Copacabana Palace, hotel ícone do Rio.

Madonna entrou no palco às 22h45 – pontualmente com uma hora de atraso – cantando Nothing really matters, faixa do álbum “Ray of light” lançado em 1998. Bem antes desse momento, quando aterrissou no Rio, na segunda passada, Madonna já tinha o público em suas mãos. Mas quando surgiu no palco com uma coroa de estrelas e uma capa preta, ela abriu a maior e mais inclusiva pista de dança já vista no mundo.

Durante o show, Madonna faz uma viagem ao tempo e conta a história da sua vida como se fosse um diário. No primeiro ato – são sete blocos de música -, ela se transporta para o início de sua carreira quando chega em Nova York com apenas trinta e cinco dólares no bolso. Ao saudar o público em bom português, “Alô Rio de Janeiro, bem vindos ao metrô de Nova York”, a multidão já estava completamente entregue. Daí em diante é hit atrás de hit.

Madonna leva 1,6 milhão de pessoas a Copacabana — Foto: Fernando Maia/Riotur

O segundo ato do show foi o que mais me emocionou. Nele ela canta Live to Tell, momento em que presta uma homenagem aos muitos amigos que morreram de AIDS nos anos 80 e 90. Nos telões, além dos americanos vitimizados pela doença, aparecem também Cazuza, Renato Russo, Lauro Corona, Caio Fernando Abreu e Betinho. A plateia chorou e aplaudiu.

Na sequência, um hit atemporal, a música Like a Prayer cujo clipe foi responsável pela primeira excomunhão de Madonna (foram três até o momento). O número é o primeiro mais evidentemente teatral e traz o filho, David Banda, como se fosse o Prince reencarnado, fazendo solo de guitarra. Dois outros filhos de Madonna participam do show: Marcy James toca lindamente piano durante Bad girl e a pequena Estere, de 11 anos, arrasa como DJ e bailarina no momento Vogue.

Durante a apresentação, Madonna recebeu três grandes artistas brasileiros no palco: Anitta, na música Vogue; Pabllo Vittar, Pretinho da Serrinha e jovens ritmistas de escolas de samba do Rio performaram em Music (momento apoteótico do show). Aqui,

Madonna e Pabllo ressignificam a bandeira e a camisa da seleção brasileira tornando-as, de novo, inclusiva e progressista. Ao longo dos oitenta shows da “The Celebration Tour“, turnê que celebrou os 40 anos de carreira da cantora, Madonna convidou diversos artistas para subirem ao palco durante a apresentação destas duas faixas.

Madonna e Pabblo Vitar — Foto: Reprodução

Madonna é uma mulher. Uma mulher de 65 anos cujo nome já evoca o sagrado e o profano. Uma mulher que celebra 40 anos de uma carreira vitoriosa em todas as métricas. Madonna é uma artista que encarnou o significado da palavra arte e fez de sua obra uma leitura fiel das últimas quatro décadas de história. Se o mundo criminaliza pessoas latinas, Madonna as resgata. Se o mundo isola pessoas LGBTQIAP+, Madonna as promove. Se o mundo tem medo e rejeita pessoas doentes de AIDS, Madonna educa o mundo e acolhe essas pessoas. Se não é de bom tom que nós mulheres falemos sobre nossos desejos e sexualidade, Madonna fala por todas nós. Não há artista vivo como Madonna.

Antes de terminar, faço das palavras do cineasta Rodrigo França as minhas: “no palco, lindamente, mais artistas negros do que muitos shows pops do país. Na área VIP um Brasil que continua sendo colônia da colônia. A diversidade continua de boca, mesmos nos setores ditos mais progressistas. E a responsabilidade não é da Madonna”.

Que aprendamos com Madonna a sermos verdadeiramente progressistas, inclusivos e diversos. O mundo se tornará melhor quando tivermos MAIS MADONNAS e menos damares.

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