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Luta contra a homofobia: desabafo pessoal de uma neurocientista neste 17 de maio
Cérebro Forte, com Carla Tieppo
Doutora em neurociência
Luta contra a homofobia: desabafo pessoal de uma neurocientista neste 17 de maio
Na estreia da coluna também no site, Carla Tieppo fala sobre preconceito e a importância desta data especial: “a sociedade precisa entender que a homo, a bi e a transexualidade não são escolhas, são manifestações naturais"
O dia 17 de maio é especial, mas não é motivo de comemorações. O Dia Mundial da Luta contra a LGBTfobia marca a data em que a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da lista de doenças. Ou seja, o termo “homossexualismo”, uma tentativa de associar a condição a um problema de saúde, começava a ser substituído por homossexualidade. E não há nada na neurociência e na medicina que revele qualquer distúrbio nessa condição.
Quero aproveitar essa data para fazer um depoimento pessoal neste espaço. Esse é um dia para deixar claro a importância da sociedade se voltar a estas situações de preconceito. É fundamental reconhecer o impacto que essas pessoas podem receber.
É muito importante para uma criança, adolescente ou até mesmo para um adulto se perceber parte da sociedade, perceber que constitui a relação social. Essas situações de preconceito, muitas vezes, atingem crianças quando não estão bem desenvolvidas.
Eu sou homossexual, tenho uma vida plena dentro desta minha vivência homossexual. Mas quando eu era adolescente e comecei a sentir os primeiros movimentos de diferença e inadequação, a minha percepção era a de que eu não conseguia me adequar ao que estava posto, foi uma condição muito difícil.
Durante muito tempo, tentei me adequar a aquilo que era esperado do meu comportamento, das minhas relações. E essa necessidade de adequação foi muito pesarosa no meu desenvolvimento social durante a adolescência e também nos primeiros anos da minha vida laboral.
Confira abaixo:
Depois, eu fui pra faculdade, arrumei um trabalho. Eu estou falando dos anos 90, tinha muita dificuldade de conseguir falar sobre isso publicamente, era difícil as pessoas revelarem suas condições para outras pessoas que conviviam no trabalho.
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Eu trabalhei mais de 20 anos nessa condição de ter que esconder a história da minha família, das relações, dos meus amigos. Quando começou a rede social isso era ainda mais importante e eu fui estudar sobre o tamanho do impacto que essas dimensões sociais podem causar no indivíduo. É fundamental a sociedade compreender que essas são manifestações naturais, as pessoas não escolhem e, portanto, não fazem qualquer tipo de ofensa.
Sei que falo em uma posição de privilégio porque sabemos a quantidade de homossexuais, bissexuais e transsexuais que são mortos e são perseguidos por suas condições. Muitos são expulsos das casas, dos lares, das famílias. Isso traz sofrimento e prejuízo social. Quando uma pessoa é bem aceita ela pode ser muito produtiva e contribuir muito à sociedade.
Hoje é um dia para que as pessoas que não são homossexuais, bissexuais e transsexuais entendam o papel de cada uma nessa luta internacional, coletiva e global.
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