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Invasões na Guarapiranga colocam abastecimento de água de SP em risco
Invasões na Guarapiranga colocam abastecimento de água de SP em risco
Expansão desordenada ameaça a qualidade da água, compromete o abastecimento e expõe a população a graves riscos ambientais e sanitários
A expansão desordenada da cidade de São Paulo tem levado ao avanço de ocupações irregulares em áreas sensíveis, como a região da represa de Guarapiranga. O reservatório é responsável pelo abastecimento de água de metade da população paulistana. No entanto, as invasões comprometem a qualidade da água, aumentando a poluição e o risco de crises hídricas no futuro.
As afirmações são do secretário executivo de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo, Renato Nalini, que abordou o tema no Jornal Novabrasil em conversa com Heródoto Barbeiro. “Aquela não é uma gleba que possa ser ocupada por moradias. Não é justo que alguns milhares comprometam a vida de seis milhões de pessoas”, alertou.
Esgoto in natura e poluição química na água
Segundo o secretário, as construções irregulares lançam esgoto diretamente na represa, contaminando a água com resíduos químicos e farmacêuticos. “Antibióticos, anticoagulantes, antidepressivos e até cocaína estão sendo encontrados na água”, revelou Nalini. Além disso, microplásticos também foram detectados, ampliando o problema ambiental.
A Sabesp emitiu recentemente um comunicado informando que a água apresentou alterações na cor, odor e sabor, mas garantiu que ainda estava própria para consumo. No entanto, Nalini questionou essa afirmação. “Dá para acreditar?”, indagou, destacando a gravidade da situação.
O que o poder público está fazendo?
Para conter o avanço das invasões, a Prefeitura tem realizado operações semanais na região da Guarapiranga, em parceria com o Governo do Estado. A ação envolve a Polícia Militar Ambiental, a Guarda Municipal e equipes especializadas.
“Temos funcionários muito destemidos que são até ameaçados, mas seguem impedindo novas ocupações”, explicou Nalini. No entanto, a adesão da população ainda é um desafio, já que muitos continuam comprando terrenos na área, incentivados por vendedores ilegais.
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Construções de luxo agravam a crise
Engana-se quem pensa que apenas a população carente está ocupando a área irregularmente. Segundo Nalini, há construções de alto padrão, com piscinas e píeres para barcos, que despejam esgoto diretamente na represa. “Isso é intolerável, pois compromete a água que todos nós consumimos”, afirmou.
O risco de uma nova crise hídrica
A degradação da Guarapiranga pode levar São Paulo a uma nova crise hídrica, como a que ocorreu entre 2013 e 2014. O assoreamento da represa já reduziu sua profundidade em cinco metros, devido à destruição da vegetação e ao acúmulo de sedimentos.
“Se continuarmos nesse ritmo, o abastecimento da cidade estará seriamente ameaçado em um futuro muito próximo”, alertou Nalini. A solução passa pela fiscalização rigorosa, pela punição dos responsáveis pelas ocupações irregulares e pela conscientização da população.

