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Inês de Castro: “Violência contra os idosos”
Inês de Castro: “Violência contra os idosos”
No Brasil, nos primeiros 5 meses de 2023, foram registradas mais de 47 mil denúncias de violência contra os idosos
Violência é violência e não tem ranking de qual é a violência pior e qual é a menos grave. Mas parece que nos choca mais a violência contra quem não consegue se defender, que é o caso das crianças e dos animais.
E mais ainda a violência contra aqueles que vão fazer um enorme esforço para compreender o agressor dizendo: ele estava nervoso, ele não quis me fazer mal.
Esse costuma ser o comportamento dos idosos quando são esquecidos pelos filhos num asilo, por exemplo, ou “premiados” com uma visitinha anual no natal ou no aniversário.
Repetem a reação branda contra seus agressores quando tentam amenizar o efeito de um grito na cara porque não eles não escutaram ou não entenderam bem o que lhes foi explicado.
Os idosos tendem a justificar a atitude de seus agressores – habitualmente são filhos, netos ou cuidadores – quase sempre pela via do afeto. Assim, a agressão contra o idoso, que já é inaceitável, fica ainda mais pavorosa.
Dia 15 de junho é o dia de combater a humilhação, o constrangimento, a dor da violência contra os idosos – uma violência quase nunca notificada, sobre a qual se fala muito pouco e que afeta pessoas velhas em todas as classes sociais. Dia 15 de junho é o dia Mundial de Conscientização da Violência contra os Idosos, uma data definida pela Assembléia Geral da ONU.
Aqui no Brasil, de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, só nos primeiros 5 meses de 2023 haviam sido registradas mais de 47 mil denúncias de violência contra os idosos.
A pesquisa Denúncias de Violência ao Idoso, realizada no período de 2020 a 2023, conduzida por professoras da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), também avaliou dados do painel da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, e mostrou que de 2020 a 2023 as denúncias notificadas chegaram a 408.395 mil, das quais 35,1% ocorreram em 2023.
Os números parecem muito expressivos, mas você pode ter certeza de que isso não representa a ínfima ponta de um iceberg. Os casos de agressões físicas e psicológicas, de abuso patrimonial (sim, os mais velhos têm sido muito ludibriados e até roubados por filhos e netos) são muito mais do que aparecem nas notificações.
Acontecem nos lares, entre quatro paredes, envolvem as relações familiares; não se fala sobre a violência contra os idosos que muitas vezes vêm disfarçadas no que chamam de “só uma fala ríspida”, num “tom de voz mais elevado”, a falta de paciência e de tempo para lidar com os mais velhos. O nome disso é violência.
Se você for testemunha, se souber de algum caso de violência contra um idoso, não se furte a denunciar (nem precisa se identificar) através do Disque 100, do telefone (61) 996110100 ou do canal Direitoshumanosbrasil, no Telegram (que também tem atendimento em livras). A denúncia é uma forma de dar voz a quem já não tem escuta e, quando sobre abuso, se cala de vez.



