Heródoto Barbeiro: “Queremos dinheiro!”

Heródoto Barbeiro
19:42 03.09.2024
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Heródoto Barbeiro

Jornalista, escritor e radialista
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Heródoto Barbeiro: “Queremos dinheiro!”

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- 03.09.2024 - 19:42
Heródoto Barbeiro: “Queremos dinheiro!”
Foto: Divulgação.

Deputados e senadores estão de olho no orçamento federal. A arrecadação de impostos é para custear todos os gastos governamentais, sejam de interesse público ou particular.

Políticos, por tradição histórica, são zelosos pela manutenção do patriarcalismo, ou seja, misturar o interesse público com o privado. Entenda-se gastar o dinheiro dos impostos em obras e contratações políticas que colaboram para que verdadeiras dinastias se perpetuem no poder.

Gerações políticas passam o poder e o cargo para seus familiares e não raramente ocupam postos públicos simultaneamente. Um dos exemplos mais comuns é o senador ter como suplente o próprio filho.

O sobrenome é familiar desde a Câmara Municipal da cidade até os mais importantes postos de Brasília e está espalhado pelos três poderes. Nem o Judiciário escapa.

O sistema desenvolve uma máquina fiscalizadora gerida pelos membros da mesma oligarquia política. Assim, tribunais que deveriam fiscalizar para que a corrupção não se torne endêmica, são lenientes.

Afinal, repete-se, em pleno mundo contemporâneo, o princípio consagrado na Idade Média europeia da suserania e vassalagem. Em vez de troca de feudos pela submissão, atualmente trocam-se cargos em Brasília.

A fidelidade é um atributo essencial para se manter o patriarcalismo, e para sua sobrevivência há até desculpas de comungar da mesma ideologia ou programa político. O que vale mesmo é manter a máquina se renovando como um verdadeiro moto-contínuo de privilégios.

Pouco podem fazer os eleitores. Não são capazes de entender o jogo político, o que está em disputa, devido à baixa escolaridade de cidadania. O voto é obrigatório e, para não pagar multa, é melhor ir lá e votar no indicado pela oligarquia local, regional ou federal.

Tem até mesmo transporte gratuito para a seção eleitoral, assim ninguém pode deixar de “cumprir o seu dever cívico”. No modelo democrático brasileiro, tem voto, eleição, urna, campanha eleitoral. Só falta renovação. E esta só é possível com o desenvolvimento de educação política e cidadã nas escolas.

Há quem não se conforme somente com o patriarcalismo, os privilégios e o controle da máquina. Querem dinheiro. Quem quer dinheiro?, pergunta um filósofo popular.

A manipulação do orçamento pode ser mais uma brecha para a corrupção. Tudo está em seu lugar, graças a Deus, canta o poeta popular. Até o assessor da Comissão do Orçamento, José Carlos Alves dos Santos, acusado de assassinar a própria mulher, resolve abrir a boca.

Conta que há um esquema de corrupção comandado pelo deputado baiano, José Alves, flagrado com um enriquecimento fantástico. Ele se defende e diz que ganhou 56 vezes na loteria só em 1993.

A soma corrigida é de aproximadamente R$ 100 milhões. Uma CPI é instalada e uma corriola tenta escapar, uns acusando os outros. O escândalo toma conta do país. Alguém deu um pontapé no biombo e viu-se que atrás dele havia um autêntico bacanal.

É um corre-corre. Há uma enxurrada de narrativas para livrar os caciques mais conhecidos e suspeitos, como o oligarca e senador Edson Lobão e até o governador de Brasília, Joaquim Roriz. Sobra para o baixo clero, os deputados mais frágeis que têm o mandato cassado.

Alguns conseguiram escapar e voltar à política, eleitos democraticamente. Um dos anões do orçamento voltou ao noticiário quando foi encontrado no apartamento dele, em Salvador, R$ 51 milhões espalhados no chão. É o ex-ministro Gedel Vieira Lima.

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Heródoto Barbeiro

Prof. Heródoto Barbeiro âncora do JornalNovaBrasil, colunista do R7, apresentou o Roda Viva na TV Cultura, Jornal da CBN e Podcast NEH. Tem livros nas áreas de Jornalismo, História. Midia Training e Budismo. Grande prêmio Ayrton Senna, Líbero Badaró, Unesco, APCA, Comunique-se. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB.  Canal no Youtube Por Dentro da Máquina, www.herodoto.com.br

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