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Estamos próximos de uma terceira guerra mundial, dizem especialistas
Estamos próximos de uma terceira guerra mundial, dizem especialistas
Conflito na Ucrânia ganha dimensões globais, e tensões entre Rússia, Estados Unidos e aliados se intensificam
Heródoto Barbeiro conversou com os especialistas Igor Lucena, doutor em relações internacionais, e Vladimir Feijó, professor de relações internacionais, sobre os recentes desdobramentos da guerra na Ucrânia. Ambos concordam que o mundo nunca esteve tão próximo de uma terceira guerra mundial, embora apontem nuances e motivos diferentes para essa avaliação.
EUA e Rússia: um novo nível de provocação
A recente decisão do presidente Joe Biden de permitir que a Ucrânia use mísseis americanos de longo alcance contra alvos russos foi interpretada pelo Kremlin como uma “agressão direta”.
Igor Lucena destaca que o Kremlin vê essa autorização como um ato de guerra. “Se as grandes potências se envolverem diretamente, isso pode levar à escalada nuclear”, afirmou. Ele ressalta que essa postura russa não é nova, mas o contexto atual de instabilidade global torna a ameaça ainda mais séria.
Por outro lado, Vladimir Feijó enfatiza que o uso desses mísseis não é apenas uma decisão ucraniana. “A Ucrânia não possui tecnologia para operar sozinha esses armamentos, que dependem de sistemas americanos. Isso fortalece a percepção de que os Estados Unidos estão diretamente envolvidos nos ataques, o que agrava as tensões e pode ser interpretado como uma provocação existencial pela Rússia”, analisou.
Alianças internacionais e uma guerra cada vez mais global
Ambos os especialistas apontam para a crescente internacionalização do conflito. Lucena destaca o envio de 10 mil soldados norte-coreanos para apoiar a Rússia e o fornecimento de drones iranianos.
“Já temos tropas asiáticas em um conflito no leste europeu, o que consolida a visão de um conflito global”, disse.
Feijó concorda e acrescenta que a Rússia busca alianças estratégicas para resistir às sanções econômicas e enfrentar a OTAN, que por sua vez fornece armamento avançado à Ucrânia.
“A guerra já envolve múltiplos atores globais, tanto no fornecimento de armas quanto no suporte estratégico. Isso não é mais um conflito bilateral”, afirmou.
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O papel histórico dos Estados Unidos nas guerras mundiais
Ambos os analistas observam a recorrência de democratas liderando os Estados Unidos em momentos de guerra global. Lucena menciona que Wilson, Roosevelt e agora Biden tomaram decisões que colocaram os EUA em conflitos de grande escala.
Feijó complementa que essa postura é parte de uma tradição da política externa americana de assumir um papel intervencionista.
Porém, Feijó levanta uma crítica à capacidade americana de manter esse protagonismo. “Os Estados Unidos não possuem mais a capacidade logística e militar para atuar simultaneamente em diversas frentes, o que pode enfraquecer sua posição como superpotência e abrir espaço para desafios de outras nações”, analisou.
Um futuro incerto
Tanto Igor Lucena quanto Vladimir Feijó concordam que o mundo vive um momento de incerteza sem precedentes. Lucena vê na transição de governo nos EUA um período em quem “o mundo aguarda para saber qual será o posicionamento de Donald Trump, caso ele reassuma o poder.”
Já Feijó alerta que alianças como a existente entre Rússia e Coreia do Norte são sinais claros de que a guerra não só é inevitável, mas que está sendo preparada em larga escala. A comunidade internacional segue atenta, mas as perspectivas de paz ainda parecem distantes.



