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Vanessa Pedrosa: “A linguagem dos candidatos políticos atuais. O que mudou?”
Vanessa Pedrosa: “A linguagem dos candidatos políticos atuais. O que mudou?”
O que você deve avaliar quando assistir a um debate ou à programação política?
É importante reconhecermos que temos que entender quando um candidato arma um teatro, vive nele e quando é capaz de mostrar verdade no que faz e fala.
Aa ações precisam ser congruentes com a fala. Quando comportamento e fala estão desconectados, nosso cérebro é capaz de detectar a mentira. Fazemos essa avaliação verdadeira ou não o tempo todo com as nossas interações.
Em primeiro lugar, avalie se o discurso. O que ele trás de informações faz sentido?
Fique atento quando o candidato apresenta um discurso pessoal muito “bonitinho” apresentando a imagem de herói vencedor. Ela dificilmente é verdadeira. É somente uma história construída para te emocionar.
A segunda mensagem bem comum é a criminalização da política. Valorizar que ele não é político e não vai conversar com políticos. Essa atitude é inadequada e somente usada a favor daquelas pessoas sem experiência alguma e que não estão dispostos a dialogar.
Um político tem que ser capaz de falar, defender seu ponto de vista, dialogar e escutar o contraditório. Uma pessoa acostumada a falar apenas com as pessoas que pensam iguais a ele é um indivíduo com uma comunicação autoritária.
Avalie também que um cargo político exige que a pessoa não apenas fale bonito, mas que seja de verdade. Ser capaz, por exemplo, de falar bonito em um vídeo e ser incapaz de interagir com outras pessoas o colocam em uma situação complicada.
O tom de voz mostra a intenção por trás do que é falado. Nosso cérebro é treinado para identificar as discrepâncias entre o tom de voz e a mensagem. É possível fingir, mas por pouco tempo. Quando o candidato é colocado em situações que naõ estão no controle dele, a verdade aparece no tom de voz.
Falar alto demais mostra falta de educação, agressividade e incapacidade de respeitar o espaço do outro. Geralmente, fala alto e grita quem não tem argumentos. Uma das competências relevantes é ser capaz de entender que um cargo público exige ritos e comportamentos adequados de convivência e respeito.
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Fique atento também aos candidatos que oferecem soluções que não estão sob a capacidade de decisão dele. Ele usa apenas argumentos para te agradar, mas sabe que não conseguirá fazer isso porque não estará sob responsabilidade dele.
Um recurso muito usado pelos despreparados e mentirosos é não responder uma pergunta e usar um argumento para desviar a atenção. Por exemplo: você pergunta o que ele vai fazer e ele coloca Deus na resposta e desvia o foco.
Fique atento também aos lacradores. Uma palavra que uns anos atrás não fazia sentido. Lacrador é aquela pessoa que é capaz de falar qualquer absurdo somente para aparecer. Ele está usando a mídia a seu favor e não é capaz de permitir que você conheça verdadeiramente suas propostas e competências.
O vestuário é um recurso muito usado por políticos, assim como pela maioria das pessoas. Um candidato incapaz de entender que ele também precisa atrair a atenção positiva para ele representa baixa autoestima e incapacidade de entender o que seus interlocutores esperam dele.
Lembre-se: qualquer ser humano é dotado de capacidade para avaliar recursos verdadeiros e não verdadeiros. Você que escolhe ser enganado ou não. Política não é teatro.