“Desde o início, a tendência era soltar Brazão”, diz deputado do Novo

Luciano Borborema
15:59 11.04.2024
Jornalismo

“Desde o início, a tendência era soltar Brazão”, diz deputado do Novo

Chiquinho Brazão é apontado como mandante da morte de Marielle Franco; ouça entrevista com Gilson Marques

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- 11.04.2024 - 15:59
“Desde o início, a tendência era soltar Brazão”, diz deputado do Novo
Divulgação

Em entrevista à Novabrasil nesta quinta-feira (11), o deputado federal Gilson Marques (Novo-SC) disse que chegou a imaginar que Chiquinho Brazão, apontado pelas investigações como mandante do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, seria solto pela maioria da Câmara.

Com apenas 20 votos a mais que o necessário, a Câmara decidiu manter a prisão do deputado pelo Rio de Janeiro.

“Eu esperava até a soltura dele, porque a Câmara e o Senado são extremamente corporativistas. É raro quando alguém é julgado, condenado. Desde o início, a tendência era soltá-lo. É muito grande a pressão interna corporativista, mas a gente tem que furar essa bolha”, disse o deputado do Novo, que votou pela manutenção da prisão.

Há duas semanas, Marques havia pedido mais tempo para analisar o caso, postergando a análise do caso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

“Fui criticado injustamente pelo pedido de vista. Era a única forma de garantir a prisão dele. Caso contrário, em tese, ele poderia ter sido solto 15 dias atrás. O Brazão seria o único preso do mundo que gostaria de retardar o seu próprio julgamento”, comentou.

Confira abaixo:

Veja também:

Nesta semana, o Novo apresentou um pedido de cassação do deputado Chiquinho Brazão, que será analisado pelo Conselho de Ética. No entender de Marques, “é meio que unânime” o entendimento dos pares pela perda do mandato de Brazão.

Embora tenha votado pela manutenção de Brazão, o deputado do Novo ponderou que argumentos pró-soltura “têm fundamento de certa forma”. “Não é simplesmente um recado ao STF. Isso de fato passaria uma sensação ruim, é meio raso isso. Mas se trata de uma exigência do cumprimento da Constituição, da formalidade, do devido processo legal, da ampla defesa, das prerrogativas dos parlamentares”, acrescentou.

Marques aproveitou para criticar o que chamou de “privilégios” que, na avaliação dele, estão sendo escancarados no caso Brazão. “O fato aconteceu anteriormente ao mandato do deputado, não seria o STF o órgão para julgar. Por que ele tem que ter foro privilegiado? Por que a Câmara precisa votar um crime de assassinato desvinculado a um mandato em exercício? São privilégios que não fazem sentido”, afirmou.

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