Feliz, Alegre e Forte, Burguesinha e Aliança

Sabe aquela música que você sempre quis saber como foi feita? Desde a letra até seu processo criativo por inteiro? O ‘DESVENDANDO FAIXAS’ vai te contar! Hoje, uma honra: o ilustre compositor, músico e cantor Pretinho da Serrinha desvendou para nós grandes sucessos de sua carreira como “Feliz, Alegre e Forte”, “Elegante Amanhecer”, “Reza”, “Burguesinha” e “Aliança”. Ouça diretamente clicando aqui.

Descubra a história e processo criativo de sucessos como “Feliz, Alegre e Forte”, “Reza”, “Burguesinha”, “Aliança” e “Elegante Amanhecer”.

Pretinho da Serrinha, filho do samba

Filho do samba, Ângelo Vitor Simplicio da Silva, o Pretinho da Serrinha, carrega suas raízes no nome artístico. Com apenas 10 anos, Pretinho era o diretor de bateria da escola de samba mirim Império do Futuro e Império Serrano.

De lá para cá, Pretinho foi cada vez mais se destacando na música brasileira. Ele já gravou com artistas nacionais consagrados como Zeca Pagodinho e Martinho da Vila, além de internacionais como como o rapper Kanye West e Will.I.Am, do grupo The Black Eyed Peas.

Seu lado compositor fala por si só. Pretinho criou e/ou colaborou para composições de grande sucesso como o último lançamento de Marisa MonteFeliz, Alegre e Forte“, “Elegante Amanhecer” também na voz de Marisa, “Reza” na voz de Maria Rita, “Burguesinha” consagrada na voz de Seu Jorge, e “Aliança” dos Tribalistas.

‘Feliz, Alegre e Forte’

Pretinho da Serrinha: Essa música surgiu no meio da pandemia. A Marisa (Monte) fazia tipo 2 ligações por semana para saber como estava a Rachell (Luz), que estava passando por um problema de saúde. Um dia ela deixou essa frase, ela falou ó anota aí “Sou feliz, alegre e forte. Tenho amor e muita sorte” (…). Aí, no mesmo dia, eu falei com a Rachell “anota essa frase aí”. Rachell anotou.

Fiquei olhando pra aquele papel na parede, o cavaquinho estava perto, comecei a tocar, a fazer aquela melodia. A Rachell chegou perto e falou “continua, continua”. Foi surgindo letra. A gente no meio do processo liga pra Marisa, canta o pedaço que tinha para ela, ela já gravou, já mandou pra gente tocando violão e a música saiu assim, no mesmo dia.

‘Reza’

Pretinho da Serrinha: Essa música nasceu “Reza para Agradecer” que eu fiz com Vinícius Feyjão e Nego Álvaro. A gente estava na ilha de Caras, a gente foi fazer um show com a Mariene de Castro e naquela espera ali, a gente pegou o cavaquinho e pegou o pandeiro. “Vamos fazer um samba, vamos fazer um samba”. Aquela água batendo na pedra, aquele astral ali do mar, não tinha outra coisa pra gente falar. (…) Foi uma música que a gente fez muito rápido, com a energia do mar.

(…) eu mandei essa música, de imediato, para Maria Rita, assim que a gente fez, para o Seu Jorge e para o José Maurício Machline para pegar opinião dos amigos. Num intervalo de 30 minutos, ninguém me respondeu. Falei “acho que ninguém gostou da música”.

Aí, daqui a pouco, liga a Maria Rita e falou “irmão, desde que essa música chegou aqui em casa eu não paro de ‘rodar’ na cozinha, não paro de cantar, não paro de dançar. Se não tivesse gravado, eu gravaria amanhã”. Eu falei “pode gravar, a música é sua”. (…). é uma música que não foi sucesso de rádio, mas foi um sucesso na rua, na vida das pessoas. Todo dia eu recebo um vídeo de alguém cantando, dizendo que essa música traz paz, traz alegria, traz amor.

‘Aliança’ 

Pretinho da Serrinha: Aliança, uma música com harmonia e melodia de Pedro Baby. A gente estava em Portugal fazendo show com a Marisa (Monte). Encontrei com o Pedro na recepção do hotel. Pedro tá sempre com o violão na mão. (…) e ele tocando, uma coisa bonita, uma melodia bonita… e eu perguntei “o que é isso?”. Aí, ele: “uma coisa que eu tenho, fiz pra minha vó”. Eu falei: “toca de novo, toca de novo”. A gente entrou na van, eram 4 horas que viagem. Eu fiz ele tocar essa música nas 4 horas de viagem.

Peguei o telefone e comecei ali. Comecei a fazer a música. Um negócio que… como diz o Pedro, que parecia Chico Xavier. A gente chegou no Porto, ligamos para Marisa (…) e mostramos para ela. A primeira que tinha, ela ficou “caraca, que bonito, bonita essa música”. (…) a música parou ali, pra gente a música estava pronta, ficou ali feita, Pedro, Marisa e eu.

Quando eles começaram a fazer o processo de criação do segundo disco dos Tribalistas, a gente foi pra casa do Brown (Carlinhos) na Bahia (…), aí surgiu “Aliança”. E quando o Arnaldo e o Brown ouviram a música, “precisa de um refrão, precisa de um refrão”. Aí começou tudo de novo, todo mundo junto, eu, Pedro, Marisa, Arnaldo e Brown… começamos alí, aí chegou o refrão do “véu e grinalda”.

(…) O que me marcou na história dessa música foi na gravação do ao vivo, no estádio… parecia final de Copa do Mundo, quase 50 mil pessoas (…) tirei um fone do ouvido para ouvir o povo cantar. (…) Quando eu tirei e veio aquela massa sonora do estádio cantando, foi uma mão para tirar o fone e a outra para secar os olhos (…).

‘Burguesinha’

Pretinho da Serrinha: Outra música muito importante também na minha carreira de compositor é “Burguesinha”. Apesar de não ter sido a minha primeira música que eu ouvi no rádio. “Mina do Condomínio” do mesmo disco saiu primeiro (…), mas Burguesinha quando veio, veio atropelando tudo. Eu lembro que foi a música mais tocada do ano e rendeu prêmio e tal.

Foi uma música que a gente estava no estúdio, em São Paulo, gravando um disco (…) e duas da manhã, Seu Jorge falou “vamos parar a gravação, vamos na Vila Madalena, vamos esfriar um pouco a cabeça, respirar um pouquinho”. A gente largou tudo no meio e foi pra Vila Madalena.

Ficamos ali tipo 1 hora, 2 horas… aquele “querosene” e tal, voltamos para o estúdio. Voltamos para o estúdio e falamos “não vamos gravar mais não, vamos fazer uma música”. E foi assim. Foi uma coisa de 20 minutos. (…) foi uma coisa de brincadeira, quando a gente percebeu a música estava pronta.

Confira essas faixas desvendadas na voz do próprio Pretinho da Serrinha no Desvendando Faixas completo no Spotify: