Hoje, aqui no Brasil com S, a gente fala sobre a nossa famosa Coxinha!

Coxinha com catupiry, de queijo, carne seca, tradicional, não importa. É paixão nacional! | Foto: Shutterstock

A Coxinha é um dos quitutes mais apreciados do Brasil! Não há um turista estrangeiro que venha ao país e que não queira provar a nossa coxinha, acompanhada de uma boa caipirinha.

Muito se fala sobre a origem deste quitute, mas o que não se pode negar é que ele se tornou um dos grandes símbolos da culinária brasileira. Além disso, a coxinha é super democrática: de tamanhos e recheios variados (a tradicional é a clássica de frango desfiado – com ou sem catupiry – e massa de batata ou farinha de trigo!) elas ocupam o seu espaço das vitrines de balcões de padaria às festinhas de criança, das mesas de botecos tradicionais aos restaurantes da alta gastronomia, principalmente na região Sudeste do país.

Crocante por fora e macia por dentro, a coxinha é enfarinhada com farinha de rosca e frita em óleo quente. Modelada em forma de gota, para lembrar a coxa de galinha, alguns historiadores dizem que sua origem está nos anos de 1920, na região da Grande São Paulo. 

Segundo alguns pesquisadores – como Câmara Cascudo, na sua obra Antologia da Alimentação no Brasil – a coxinha foi desenvolvida durante o processo de industrialização de São Paulo, para ser comercializada como um substituto mais barato e mais durável às tradicionais coxas de galinha que eram vendidas para os operários, nas portas de fábricas da cidade paulista. Além de a versão desfiada e envolta em uma massa render mais do que o frango vendido em pedaços, os vendedores podiam congelar e armazenar os salgados por mais tempo e cobrar menos da sua clientela.

Existe também uma lenda de que a coxinha foi criada na época do Brasil Imperial, em Limeira, no interior de São Paulo, no final do século XIX. O quitute teria sido criado para alimentar um filho não assumido da Princesa Isabel com o Conde D’Eu, que teria nascido com uma deficiência metal e seria mantido longe da corte carioca, escondido na Fazenda Morro Azul.

Essa história é contada pela escritora Nadir Cavazin, no livro Histórias e Receitas, mas sua veracidade é muito questionada por historiadores, que dizem que ela é boa, mas pouco consistente. Nadin conta que o menino só comia coxas de galinha e os cozinheiros da família criaram a coxinha para poder aproveitar as outras partes do frango. O menino amou e depois disso, os parentes que vinham visitar a família acabaram levando o quitute à corte carioca e aos salões de nobreza.

Outros estudiosos defendem que a coxinha já existia na França e é obra do chef Antonin Carême (1784-1833). Em seu livro L’Art de la Cuisine Française au XIXème Siécle – Traité des Entrées Chaudes, o cozinheiro ensina a fazer um “croquette de poulet” (croquete de frango) e aconselha moldá-lo “em forme de poires” (“no formato de peras”).

Segundo esta linha, a coxinha teria vindo para o Brasil por volta de 1808, quando a D. João e a família real escaparam das tropas napoleônicas e se instalaram por aqui e – depois – foi sofrendo adaptações para tornar-se o salgado que conhecemos hoje.

Outros historiadores misturam essas referências e dizem que a maioria dos operários que viviam em São Paulo no período de industrustrialização eram imigrantes italianos e que eles modificaram a “coxinha” francesa para ela se parecer com um quitute tipicamente italiano chamado Arancini, feito de arroz e ragu de carne.

Enfim, não importa qual dessas histórias é a verdadeira, se as influências são francesas, italianas ou portuguesas (o que mostra parte da mistura que é a formação cultural do nosso país), o que importa é que a coxinha brasileira é paixão nacional e referência no que diz respeito à nossa culinária Brasil afora!