Novabrasil
Primeiro dia do SXSW 2026 e já apareceu uma constatação incômoda
Mauricio Mansur
Diretor de mkt e inovação, conselheiro e palestrante
Primeiro dia do SXSW 2026 e já apareceu uma constatação incômoda
Muitas empresas não inovam porque passaram anos treinando as pessoas para não serem criativas
Austin, Texas. Entre dezenas de palestras sobre IA, criatividade e futuro do trabalho, duas delas se conectaram de um jeito interessante e acabaram explicando um problema que executivos tentam resolver há anos: por que inovar dentro de empresas grandes é tão difícil?
A primeira palestra falava sobre criatividade humana e trouxe um dado curioso. Quando perguntam para crianças pequenas quem ali é criativo, praticamente todas levantam a mão. Quando acompanham essas mesmas crianças alguns anos depois, quase ninguém levanta mais. Em algum momento do caminho, a criatividade não desaparece. Ela é treinada para desaparecer.
A escola padroniza.
O mercado de trabalho controla.
E as empresas terminam o processo.
Empresas nascem experimentando. Improvisam, testam ideias, erram rápido. Foi assim que praticamente todas começaram.
Mas conforme crescem, algo muda.
Aparecem processos para evitar erro.
Aparecem aprovações para evitar risco.
Aparecem comitês para evitar decisões individuais.
Nada disso é mal-intencionado. É o instinto de proteger o negócio. O problema é que o mesmo sistema que protege eficiência começa a sufocar imaginação.
De repente, toda ideia precisa nascer quase pronta.
Toda iniciativa precisa vir com planilha.
Toda proposta precisa provar que vai dar certo antes mesmo de existir.
Resultado: as pessoas aprendem rapidamente uma regra silenciosa — é mais seguro repetir o que já funciona do que propor algo novo.
Executivos dizem que querem inovação.
Mas o ambiente recompensa previsibilidade.
Agora entra um elemento novo nessa história: inteligência artificial.
Máquinas estão ficando extraordinárias em executar e otimizar processos. Ou seja, exatamente aquilo que empresas passaram décadas treinando pessoas para fazer melhor começa a ser automatizado.
Isso muda o jogo
Se a máquina executa melhor, qual passa a ser o diferencial humano?
Veja também:
Imaginação
Capacidade de conectar repertórios.
Capacidade de enxergar padrões novos.
Capacidade de propor caminhos que ainda não têm dados suficientes para provar que vão funcionar.
Inovação real exige algo que poucas organizações gostam de admitir: desordem controlada.
Ideias novas raramente nascem perfeitas. Elas começam incompletas, estranhas, às vezes até desconfortáveis.
Quando cada ideia precisa nascer com KPI, planilha e aprovação prévia, a maioria delas simplesmente não nasce.
Saindo dessas primeiras conversas do SXSW 2026, ficou uma frase martelando na cabeça:
Criatividade morre quando tudo precisa de autorização.
E inovação morre quando ninguém pode errar.
A pergunta que ficou é simples — e um pouco incômoda.
Sua empresa quer inovar… ou só quer parecer inovadora?
Sextou: "Elas cantam, compõem e mudam a história"
Nasi revisita “Feitiço na Rua 23” em versão trap no álbum "nAsI – Artificial Intelligence"
Mauricio Mansur



