Música popular e tradições populares: quem foi o artista negro mais tocado na sua playlist de 2025?

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14:38 12.12.2025
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Música popular e tradições populares: quem foi o artista negro mais tocado na sua playlist de 2025?

O resgate da ancestralidade, a força da percussão e um ano dominado pela presença preta na música brasileira

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- 12.12.2025 - 14:38
Música popular e tradições populares: quem foi o artista negro mais tocado na sua playlist de 2025?
Música popular e tradições populares: quem foi o artista negro mais tocado na sua playlist de 2025?

O ano de 2025 consolidou algo que já vinha sendo construído nos últimos anos: a música negra voltou ao centro do debate cultural, da identidade brasileira e das playlists digitais. Se antes as plataformas destacavam majoritariamente pop anglo-saxão e sertanejo, hoje o público redescobriu suas raízes, e elas têm cor, ritmo, ancestralidade e história.

Nesse cenário, artistas negros que dialogam com tradições populares  do samba ao ijexá, do pagode ao batuque, do rap ao afropop dominaram as audições. Xamã, Liniker, Melly, IZA, BK’, Pretinho da Serrinha, Jorge Aragão e dezenas de novos nomes representaram a diversidade estética da música preta. Mas entre todos eles, Luedji Luna foi o grande fenômeno de 2025.

Seu álbum lançado este ano tornou-se referência imediata. Profundamente conectado à música afro-baiana, ele mescla ritmos tradicionais como o ijexá, o samba-reggae, as batidas de candomblé, arranjos vocais minimalistas e letras de forte teor simbólico. Luedji Luna canta como quem invoca memórias e cura feridas ancestrais. Sua música funciona como ritual e como manifesto político, unindo espiritualidade e estética com maestria.

Foto: Divulgação.

O álbum aborda maternidade, amor negro, diáspora africana, religiosidade, relações familiares e identidade. Não é apenas música: é história, memória e corpo. Não é surpresa que tenha sido a trilha sonora preferida de quem buscou profundidade e conexão em 2025.

Mas ela não esteve sozinha. Xamã trouxe uma sonoridade híbrida que misturou rap, pop, samba e referências regionais. Liniker manteve seu posto como grande voz da soul contemporânea brasileira. IZA se consolidou como símbolo do poder feminino negro, com hinos de autoestima e força. Melly trouxe frescor ao R&B brasileiro. E Jorge Aragão, sempre eterno, continuou sendo o avô musical de milhões de brasileiros.

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O rapper, cantor e ator Xamã | Imagem: Divulgação

Esse movimento demonstra algo poderoso: o Brasil está revisitando suas raízes — e reconhecendo que elas são majoritariamente negras. A música preta, que sempre foi a espinha dorsal da cultura popular, está voltando a ocupar o lugar que nunca deveria ter perdido. A força dos tambores, dos cantos ancestrais, da cadência do samba e da poesia do rap conectou gerações e contou histórias que não cabem nos livros didáticos.

A playlist de 2025 pode ser diferente para cada pessoa, mas uma verdade é geral:
as vozes mais ouvidas foram negras — e isso diz muito sobre o Brasil que estamos construindo.

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