Heródoto Barbeiro: “Afinal, quantos morreram?”

Heródoto Barbeiro
12:55 11.11.2025
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Heródoto Barbeiro

Jornalista, escritor e radialista
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Heródoto Barbeiro: “Afinal, quantos morreram?”

Você acompanha o jornalista no comando do jornal 'Novabrasil', de segunda a sexta-feira, às 7h30

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- 11.11.2025 - 12:55
Heródoto Barbeiro: “Afinal, quantos morreram?”
Foto: Divulgação.

O impacto na opinião pública é devastador. Ninguém sabe exatamente quantas pessoas morreram na ação da polícia militar. Os jornais publicam números diferentes, o que alimenta ainda mais as versões que correm no boca a boca.

Os canais de televisão mandam seus jornalistas para os institutos médicos espalhados pela cidade em busca de número e causa da morte dos que para lá foram levados.

Os grupos de direitos humanos também se movimentam e partem para acusações contra o governador e o secretário de segurança pública e usam os termos massacre, genocídio, morticínio, execução em massa e por aí vai. Rádios e televisão
com links no local das mortes, reportagens ao vivo e cada um faz sua narrativa em cima de suposições e vazamentos de policiais militares.

O povo se divide entre os que apoiam a ação da polícia militar e os que a reprovam. Há quem se lembre do ditado usado em uma campanha eleitoral para o governo estadual que dizia que “bandido bom é bandido morto”. Segurança pública é um tema presente em todas as campanhas eleitorais da Câmara de Vereadores à presidência da República.

É comum as pessoas dizerem que não se sentem seguras, que não podem
sair na rua, nem usar o transporte público sem serem assaltados. O número de estupros é imenso.

O noticiário policial está sempre recheado de histórias horripilantes, como as chacinas praticadas por facções criminosas rivais, geralmente disputando territórios de venda de drogas. A população cobra ação enérgica do governo e não quer saber de desculpas.

A segurança pública é a bola da vez. Os governadores são os responsáveis por ela. A ação da polícia militar no presídio faz parte do programa de governo prometido pelo candidato vencedor.

Há uma rebelião em um dos pavimentos da prisão. O governador chama o secretário de segurança e exige uma ação imediata. No dia seguinte, há eleição para a prefeitura da capital e isso não pode ser usado pela oposição. A polícia militar invade o complexo penitenciário do Carandiru, no norte da cidade de São Paulo. Os jornalões publicam que morreram 8 ou 12 detentos no dia seguinte.

Às seis da manhã, de 2 de outubro de 1992, o jornalista Cid Barbosa chega na redação da CBN com uma bomba. No IML central há dezenas de mortos, confirmado logo depois por uma fonte da própria polícia. Total, 111 mortos a tiros.

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Heródoto Barbeiro

Prof. Heródoto Barbeiro âncora do JornalNovaBrasil, colunista do R7, apresentou o Roda Viva na TV Cultura, Jornal da CBN e Podcast NEH. Tem livros nas áreas de Jornalismo, História. Midia Training e Budismo. Grande prêmio Ayrton Senna, Líbero Badaró, Unesco, APCA, Comunique-se. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB.  Canal no Youtube Por Dentro da Máquina, www.herodoto.com.br

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